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Role of action dynamics in the cooperative maintenance of synaptic plasticity

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Resumo:As formas de plasticidade sináptica dependentes de atividade, tal como a potenciação de longa duração (LTP, do inglês long-term potentiation) e a depressão de longa duração (LTD, do inglês longterm depression) são mecanismos celulares associados aos processos de memória e aprendizagem. A LTP é a forma de plasticidade sináptica dependente de atividade mais estudada. O mecanismo molecular envolvido na indução de LTP é complexo, e envolve a ativação de diversas vias de sinalização. A indução é iniciada com a entrada de iões de cálcio para os neurónios pós-sinápticos através dos recetores de glutamato N-Metil-D-Aspartato (do inglês NMDA, N-methyl-D-aspartate). A entrada de cálcio através deste recetor conduz a ativação da proteína quinase II dependente de cálcio e calmodulina (do inglês CaMKII, Calcium /Calmodulin-dependent protein kinase II). Uma vez ativada, esta proteína conduz a translocação dos recetores alfa-amino-3-hidroxi-metil-5-4-isoxazolpropiónico (do inglês AMPA, α-amino-3-hydroxy-5-methyl-4-isoxazolepropionic acid) para a sinapse, potencializando a transmissão sináptica. Este mecanismo está geralmente associado à indução de uma forma de LTP transiente. Para que as alterações na eficácia sejam mantidas, estas necessitam de mecanismos de transcrição e tradução de modo a ocorrer a síntese de proteínas associadas a fenómenos de plasticidade (PRPs-do inglês plasticty-related proteins) e de um marcador sináptico que irá capturar estas proteínas. Esta hipótese foi sugerida pela primeira fez em 1997 pelos investigadores Uwe Frey e Richard Morris, sendo classificada de hipótese da marcação e captura sináptica (do inglês STC, Synaptic Tagging and Capture hypothesis). Dado que as PRPs são apenas sintetizadas em resultado de uma tetanização forte, enquanto que a exibição do marcador pelas sinapses ocorre em ambas as tetanizações (fraca ou forte), fenómenos de cooperação e competição sináptica podem ocorrer no contexto da hipótese de STC. A cooperação sináptica define-se pela estabilização das formas transientes de LTP através da partilha de PRPs entre sinapses. As sinapses estimuladas com uma tetanização fraca podem cooperar com as sinapses estimuladas com uma tetanização forte permitindo deste modo a sua estabilização através da partilha de PRPs disponíveis. Por outro lado, a competição sináptica ocorre quando existe uma menor disponibilidade de proteínas ou maior número de sinapses ativadas, e por consequência mais marcadores disponíveis para a capture de PRPs. Apesar de a hipótese do STC ter sido descrita há mais de 20 anos, a identidade molecular do marcador sináptico continua a ser alvo de intensa investigação. O citoesqueleto de actina tem sido colocado com um potencial candidato para o papel de marcador sináptico. O citoesqueleto de actina apresenta um papel importante quer na plasticidade funcional como na plasticidade estrutural. Estudos anteriores sugerem que a modulação da rede de actina, através de fármacos que afetam a sua polimerização ou despolimerização, interfere com as formas persistentes da LTP. Por outro lado, estudos revelam que a modulação da dinâmica da actina conduz a alterações estruturais nas espinhas dendríticas. A dinâmica da actina envolve uma via de sinalização complexa em várias proteínas que se podem ligar a ela, chamadas de proteínas que se ligam à actina (do inglês ABP, Actin-binding proteins). Uma destas proteínas é CaMKII cuja sua ativação conduz à modulação de diversas moléculas a jusante, tais como Cdc42, um membro da família das GTPases. Esta molécula tem como principais caraterísticas a sua capacidade de modelar o citoesqueleto actina de uma forma dependente da atividade e o facto de esta ser espacialmente limitada às espinhas dendríticas estimuladas. Dadas as características da Cdc42, nós propomos que esta molécula representa um papel importante na modulação do setting do marcador sináptico. Neste trabalho, pretende-se investigar o papel da Cdc42 na plasticidade sináptica, utilizando um inibidor seletivo da mesma (ML141). Nós estudámos a importância da ativação desta molécula na indução e expressão de formas transientes e persistentes de LTP, bem como o seu papel nos fenómenos de cooperação e competição sináptica. De modo a investigar as questões acima mencionadas, os potenciais excitatórios pós-sinápticos desencadeados pela estimulação dos colaterais de Schaffer foram registados no stratum radiatum da área CA1. Os nossos resultados demostram que a indução de formas transientes de LTP não são afetadas pela inibição da Cdc42. No entanto, a indução de formas persistentes de LTP requerem a ativação da Cdc42. Por outro lado, nós demonstramos que a ativação da Cdc42 é também necessária para a manutenção da plasticidade, no entanto a sua ativação apenas é necessária dentro de uma janela temporal especifica. Os nossos resultados demostraram que as formas persistentes de LTP podem ser destabilizadas se a inibição da Cdc42 ocorrer até 70 min após a indução de LTP. Nós também avaliamos o efeito da inibição da Cdc42 na cooperação e competição sináptica. Os nossos dados revelam que a inibição da Cdc42 conduz ao bloqueio da cooperação sináptica. As formas transientes de LTP não são capazes de cooperar com a formas persistentes de LTP, uma vez que a inibição da Cdc42 leva a destabilização do marcador sináptico, conduzindo deste modo a uma captura ineficiente de PRPs. No entanto, o bloqueio da cooperação sinápica pode ser revertido se a aplicação de ML141 for simultânea com a da citocalasina (um inibidor da polimerização da actina) ou se a aplicação de ML141 for simultânea com a suspensão da atividade sináptica. Na competição sináptica, os nossos resultados demostraram que a inibição de Cdc42 leva a estabilização de todos os inputs ativados. Em suma, os nossos resultados fornecem fortes evidências de que a Cdc42 desempenha um papel importante na hipótese do STC. Os resultados obtidos demostraram que a inibição do Cdc42 compromete a indução e a manutenção da LTP, assim como interfere com os mecanismos de cooperação e competição, através da modulação do citoesqueleto de actina.
Autores principais:Marcut, Cristina Flórica
Assunto:Plasticidade sináptica Citoesqueleto de actina STC Marcador sináptico Cdc42 Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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Dado que as PRPs são apenas sintetizadas em resultado de uma tetanização forte, enquanto que a exibição do marcador pelas sinapses ocorre em ambas as tetanizações (fraca ou forte), fenómenos de cooperação e competição sináptica podem ocorrer no contexto da hipótese de STC. A cooperação sináptica define-se pela estabilização das formas transientes de LTP através da partilha de PRPs entre sinapses. As sinapses estimuladas com uma tetanização fraca podem cooperar com as sinapses estimuladas com uma tetanização forte permitindo deste modo a sua estabilização através da partilha de PRPs disponíveis. Por outro lado, a competição sináptica ocorre quando existe uma menor disponibilidade de proteínas ou maior número de sinapses ativadas, e por consequência mais marcadores disponíveis para a capture de PRPs. Apesar de a hipótese do STC ter sido descrita há mais de 20 anos, a identidade molecular do marcador sináptico continua a ser alvo de intensa investigação. O citoesqueleto de actina tem sido colocado com um potencial candidato para o papel de marcador sináptico. O citoesqueleto de actina apresenta um papel importante quer na plasticidade funcional como na plasticidade estrutural. Estudos anteriores sugerem que a modulação da rede de actina, através de fármacos que afetam a sua polimerização ou despolimerização, interfere com as formas persistentes da LTP. Por outro lado, estudos revelam que a modulação da dinâmica da actina conduz a alterações estruturais nas espinhas dendríticas. A dinâmica da actina envolve uma via de sinalização complexa em várias proteínas que se podem ligar a ela, chamadas de proteínas que se ligam à actina (do inglês ABP, Actin-binding proteins). Uma destas proteínas é CaMKII cuja sua ativação conduz à modulação de diversas moléculas a jusante, tais como Cdc42, um membro da família das GTPases. Esta molécula tem como principais caraterísticas a sua capacidade de modelar o citoesqueleto actina de uma forma dependente da atividade e o facto de esta ser espacialmente limitada às espinhas dendríticas estimuladas. Dadas as características da Cdc42, nós propomos que esta molécula representa um papel importante na modulação do setting do marcador sináptico. Neste trabalho, pretende-se investigar o papel da Cdc42 na plasticidade sináptica, utilizando um inibidor seletivo da mesma (ML141). Nós estudámos a importância da ativação desta molécula na indução e expressão de formas transientes e persistentes de LTP, bem como o seu papel nos fenómenos de cooperação e competição sináptica. De modo a investigar as questões acima mencionadas, os potenciais excitatórios pós-sinápticos desencadeados pela estimulação dos colaterais de Schaffer foram registados no stratum radiatum da área CA1. Os nossos resultados demostram que a indução de formas transientes de LTP não são afetadas pela inibição da Cdc42. No entanto, a indução de formas persistentes de LTP requerem a ativação da Cdc42. Por outro lado, nós demonstramos que a ativação da Cdc42 é também necessária para a manutenção da plasticidade, no entanto a sua ativação apenas é necessária dentro de uma janela temporal especifica. Os nossos resultados demostraram que as formas persistentes de LTP podem ser destabilizadas se a inibição da Cdc42 ocorrer até 70 min após a indução de LTP. Nós também avaliamos o efeito da inibição da Cdc42 na cooperação e competição sináptica. Os nossos dados revelam que a inibição da Cdc42 conduz ao bloqueio da cooperação sináptica. As formas transientes de LTP não são capazes de cooperar com a formas persistentes de LTP, uma vez que a inibição da Cdc42 leva a destabilização do marcador sináptico, conduzindo deste modo a uma captura ineficiente de PRPs. 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Dado que as PRPs são apenas sintetizadas em resultado de uma tetanização forte, enquanto que a exibição do marcador pelas sinapses ocorre em ambas as tetanizações (fraca ou forte), fenómenos de cooperação e competição sináptica podem ocorrer no contexto da hipótese de STC. A cooperação sináptica define-se pela estabilização das formas transientes de LTP através da partilha de PRPs entre sinapses. As sinapses estimuladas com uma tetanização fraca podem cooperar com as sinapses estimuladas com uma tetanização forte permitindo deste modo a sua estabilização através da partilha de PRPs disponíveis. Por outro lado, a competição sináptica ocorre quando existe uma menor disponibilidade de proteínas ou maior número de sinapses ativadas, e por consequência mais marcadores disponíveis para a capture de PRPs. Apesar de a hipótese do STC ter sido descrita há mais de 20 anos, a identidade molecular do marcador sináptico continua a ser alvo de intensa investigação. O citoesqueleto de actina tem sido colocado com um potencial candidato para o papel de marcador sináptico. O citoesqueleto de actina apresenta um papel importante quer na plasticidade funcional como na plasticidade estrutural. Estudos anteriores sugerem que a modulação da rede de actina, através de fármacos que afetam a sua polimerização ou despolimerização, interfere com as formas persistentes da LTP. Por outro lado, estudos revelam que a modulação da dinâmica da actina conduz a alterações estruturais nas espinhas dendríticas. A dinâmica da actina envolve uma via de sinalização complexa em várias proteínas que se podem ligar a ela, chamadas de proteínas que se ligam à actina (do inglês ABP, Actin-binding proteins). Uma destas proteínas é CaMKII cuja sua ativação conduz à modulação de diversas moléculas a jusante, tais como Cdc42, um membro da família das GTPases. Esta molécula tem como principais caraterísticas a sua capacidade de modelar o citoesqueleto actina de uma forma dependente da atividade e o facto de esta ser espacialmente limitada às espinhas dendríticas estimuladas. Dadas as características da Cdc42, nós propomos que esta molécula representa um papel importante na modulação do setting do marcador sináptico. Neste trabalho, pretende-se investigar o papel da Cdc42 na plasticidade sináptica, utilizando um inibidor seletivo da mesma (ML141). Nós estudámos a importância da ativação desta molécula na indução e expressão de formas transientes e persistentes de LTP, bem como o seu papel nos fenómenos de cooperação e competição sináptica. De modo a investigar as questões acima mencionadas, os potenciais excitatórios pós-sinápticos desencadeados pela estimulação dos colaterais de Schaffer foram registados no stratum radiatum da área CA1. 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