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Bypass ureteral subcutâneo em gatos : estudo retrospetivo das indicações e complicações de 132 casos clínicos (2013-2023)

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Resumo:Bypass ureteral subcutâneo em gatos: um estudo retrospetivo das indicações, fatores de risco e complicações pós-cirúrgicas em 135 casos clínicos (2013-2023) - A obstrução ureteral (OU) é um problema comum e recorrente em gatos, constituindo um desafio terapêutico. A descompressão imediata é crucial para restaurar o fluxo de urina e melhorar a função renal. As diretrizes atuais recomendam a utilização de um dispositivo de bypass ureteral subcutâneo (SUB) como primeira opção de tratamento. Este estudo investiga os resultados e complicações perioperatórias e pós-operatórias em gatos submetidos à colocação de um dispositivo SUB, sem orientação imagiológica. O objetivo principal foi documentar a taxa de sobrevivência e identificar potenciais fatores de risco. Os dados foram recolhidos retrospetivamente dos registos clínicos de 135 gatos tratados no AniCura Restelo Hospital Veterinário, entre 2013 e 2023. A ureterolitíase foi a principal causa de obstrução (83%). Na admissão, 115 gatos (88%) estavam azotémicos. A concentração mediana de creatinina na admissão e na alta foi de 9,5 e 2,8 mg/dL, respetivamente. Um dispositivo SUB foi colocado com sucesso em todos os animais (n=131), com apenas 3,8% a ter complicações intraoperatórias. Não foram descritos óbitos durante a cirurgia. O tempo médio de hospitalização foi de 5 dias, com uma taxa de alta hospitalar de 89%. Quase 80% dos gatos desenvolveram complicações, que incluíram urocultura positiva (46/131, [35%]), anemia (51/131, [39%]), disúria (17/131, [13%]), hematúria (13/131, [9,9%]), desconectação dos cateteres (14/131, [11%]), granulomas na bexiga (7/131, [5,3%]) e no rim (5/131, [3,8%]), aderências intestinais (5/131, [3,8%]), vinco dos cateteres (4/131, [3,0%]) e fuga de urina (2/131, [1,5%]). A principal complicação pós operatória foi a oclusão do dispositivo (44%), documentada em média 340 dias após a cirurgia. Trinta e três dos 131 (25%) gatos necessitaram de cirurgia de revisão. Quando este estudo foi escrito, 14,5% dos gatos ainda estavam vivos e o tempo médio de sobrevivência foi de 1247 dias. Dos que morreram, 40% (30/75) morreu na sequência de doença renal. Os resultados sugerem que a colocação de um dispositivo SUB está associada a bons resultados comparativamente a outras técnicas, podendo ser uma opção viável para o tratamento de gatos com OU, indicando que a orientação fluoroscópica não é essencial
Autores principais:Santos, Joana Maria Garcia dos
Assunto:Obstrução ureteral Ureterolitíase Gato SUB Complicações Pituitary-dependent hypercortisolism Ureteral obstruction Ureterolithiasis Cat SUB Complications
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Bypass ureteral subcutâneo em gatos: um estudo retrospetivo das indicações, fatores de risco e complicações pós-cirúrgicas em 135 casos clínicos (2013-2023) - A obstrução ureteral (OU) é um problema comum e recorrente em gatos, constituindo um desafio terapêutico. A descompressão imediata é crucial para restaurar o fluxo de urina e melhorar a função renal. As diretrizes atuais recomendam a utilização de um dispositivo de bypass ureteral subcutâneo (SUB) como primeira opção de tratamento. Este estudo investiga os resultados e complicações perioperatórias e pós-operatórias em gatos submetidos à colocação de um dispositivo SUB, sem orientação imagiológica. O objetivo principal foi documentar a taxa de sobrevivência e identificar potenciais fatores de risco. Os dados foram recolhidos retrospetivamente dos registos clínicos de 135 gatos tratados no AniCura Restelo Hospital Veterinário, entre 2013 e 2023. A ureterolitíase foi a principal causa de obstrução (83%). Na admissão, 115 gatos (88%) estavam azotémicos. A concentração mediana de creatinina na admissão e na alta foi de 9,5 e 2,8 mg/dL, respetivamente. Um dispositivo SUB foi colocado com sucesso em todos os animais (n=131), com apenas 3,8% a ter complicações intraoperatórias. Não foram descritos óbitos durante a cirurgia. O tempo médio de hospitalização foi de 5 dias, com uma taxa de alta hospitalar de 89%. Quase 80% dos gatos desenvolveram complicações, que incluíram urocultura positiva (46/131, [35%]), anemia (51/131, [39%]), disúria (17/131, [13%]), hematúria (13/131, [9,9%]), desconectação dos cateteres (14/131, [11%]), granulomas na bexiga (7/131, [5,3%]) e no rim (5/131, [3,8%]), aderências intestinais (5/131, [3,8%]), vinco dos cateteres (4/131, [3,0%]) e fuga de urina (2/131, [1,5%]). A principal complicação pós operatória foi a oclusão do dispositivo (44%), documentada em média 340 dias após a cirurgia. Trinta e três dos 131 (25%) gatos necessitaram de cirurgia de revisão. Quando este estudo foi escrito, 14,5% dos gatos ainda estavam vivos e o tempo médio de sobrevivência foi de 1247 dias. Dos que morreram, 40% (30/75) morreu na sequência de doença renal. Os resultados sugerem que a colocação de um dispositivo SUB está associada a bons resultados comparativamente a outras técnicas, podendo ser uma opção viável para o tratamento de gatos com OU, indicando que a orientação fluoroscópica não é essencial