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Caracterização de uma amostra de crianças e adolescentes em acolhimento residencial : análise dos fatores de proteção e dos problemas de saúde mental

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A institucionalização de crianças e adolescentes em casas de acolhimento ocorre quando as condições do meio familiar não são adequadas para o seu desenvolvimento, segurança e bemestar. Esta população acumula vários fatores de risco (como experienciarem maus-tratos e serem consequentemente afastados da sua família) e apresenta uma prevalência elevada de problemas de saúde mental. O presente estudo teve como objetivos caracterizar uma amostra de 88 crianças e adolescentes dos 7 aos 17 anos relativamente às suas características sociodemográficas, escolares e institucionais, aos seus recursos individuais e relacionais e aos seus resultados de saúde mental, e explorar as associações entre vários potenciais fatores de proteção e os resultados de saúde mental. Foram utilizados os seguintes instrumentos de avaliação: questionários acerca de informações sociodemográficas, escolares e institucionais, a Escala de Auto-estima de Rosenberg, o Questionário de Regulação Emocional – Crianças e Adolescentes, o Test of Everyday Attention, o Questionário de Ligação a Figuras Significativas, o Questionário de Capacidades e Dificuldades (para o próprio, tutores e professores) e a Escala de Ansiedade e Depressão para Crianças – Revista. A maioria dos participantes reside na sua primeira casa de acolhimento, tem contacto com a família, não tem irmãos na instituição, não tem problemas de saúde mental ou física identificados pelos seus tutores e tem acompanhamento em psicologia ou pedopsiquiatria. Embora o ensino regular seja a situação escolar mais frequente e a maior parte das crianças tenha um aproveitamento escolar positivo, uma grande percentagem dos participantes beneficia de ensino especial ou de adaptações curriculares. É ainda de salientar que uma percentagem considerável dos alunos apresenta resultados negativos e/ou problemas comportamentais na escola. Para além disto, os participantes apresentaram resultados moderados de auto-estima, elevados de qualidade das relações com figuras significativas (que não os pais), e relativamente baixos de autorregulação emocional. Apesar dos resultados de ansiedade, depressão e dificuldades totais (reportadas por todos os informadores) serem relativamente baixos/moderados, são mais elevados do que os valores encontrados noutros estudos. Relativamente às associações entre as variáveis, foram observadas algumas correlações estatisticamente significativas com uma significância de magnitude moderada. Nomeadamente, valores mais elevados de sintomas de externalização e de dificuldades totais foram mais frequentes no sexo masculino. Quanto às variáveis relacionadas com a institucionalização, observou-se uma associação entre um maior número de irmãos na casa de acolhimento e mais sintomas de externalização. No que diz respeito aos recursos individuais, verificaram-se associações entre uma auto-estima mais elevada e menos dificuldades totais, sintomas de iv externalização e sintomas de Perturbação Depressiva Major. Foram também observadas associações entre capacidades de autorregulação da atenção mais elevadas e menos sintomas de internalização, de externalização, de Perturbação de Ansiedade de Separação e de dificuldades totais. Desta forma, os resultados deste estudo sugerem algumas dimensões associadas a melhores resultados de saúde mental nas crianças e adolescentes em acolhimento residencial. A identificação e promoção destas dimensões é importante de modo a reduzir o impacto da adversidade na saúde mental desta população, podendo ser útil na elaboração e planeamento de intervenções.
Autores principais:Tereso, Sara Isabel Alegria
Assunto:Crianças Adolescentes Institucionalização Saúde mental Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A institucionalização de crianças e adolescentes em casas de acolhimento ocorre quando as condições do meio familiar não são adequadas para o seu desenvolvimento, segurança e bemestar. Esta população acumula vários fatores de risco (como experienciarem maus-tratos e serem consequentemente afastados da sua família) e apresenta uma prevalência elevada de problemas de saúde mental. O presente estudo teve como objetivos caracterizar uma amostra de 88 crianças e adolescentes dos 7 aos 17 anos relativamente às suas características sociodemográficas, escolares e institucionais, aos seus recursos individuais e relacionais e aos seus resultados de saúde mental, e explorar as associações entre vários potenciais fatores de proteção e os resultados de saúde mental. Foram utilizados os seguintes instrumentos de avaliação: questionários acerca de informações sociodemográficas, escolares e institucionais, a Escala de Auto-estima de Rosenberg, o Questionário de Regulação Emocional – Crianças e Adolescentes, o Test of Everyday Attention, o Questionário de Ligação a Figuras Significativas, o Questionário de Capacidades e Dificuldades (para o próprio, tutores e professores) e a Escala de Ansiedade e Depressão para Crianças – Revista. A maioria dos participantes reside na sua primeira casa de acolhimento, tem contacto com a família, não tem irmãos na instituição, não tem problemas de saúde mental ou física identificados pelos seus tutores e tem acompanhamento em psicologia ou pedopsiquiatria. Embora o ensino regular seja a situação escolar mais frequente e a maior parte das crianças tenha um aproveitamento escolar positivo, uma grande percentagem dos participantes beneficia de ensino especial ou de adaptações curriculares. É ainda de salientar que uma percentagem considerável dos alunos apresenta resultados negativos e/ou problemas comportamentais na escola. Para além disto, os participantes apresentaram resultados moderados de auto-estima, elevados de qualidade das relações com figuras significativas (que não os pais), e relativamente baixos de autorregulação emocional. Apesar dos resultados de ansiedade, depressão e dificuldades totais (reportadas por todos os informadores) serem relativamente baixos/moderados, são mais elevados do que os valores encontrados noutros estudos. Relativamente às associações entre as variáveis, foram observadas algumas correlações estatisticamente significativas com uma significância de magnitude moderada. Nomeadamente, valores mais elevados de sintomas de externalização e de dificuldades totais foram mais frequentes no sexo masculino. Quanto às variáveis relacionadas com a institucionalização, observou-se uma associação entre um maior número de irmãos na casa de acolhimento e mais sintomas de externalização. No que diz respeito aos recursos individuais, verificaram-se associações entre uma auto-estima mais elevada e menos dificuldades totais, sintomas de iv externalização e sintomas de Perturbação Depressiva Major. Foram também observadas associações entre capacidades de autorregulação da atenção mais elevadas e menos sintomas de internalização, de externalização, de Perturbação de Ansiedade de Separação e de dificuldades totais. Desta forma, os resultados deste estudo sugerem algumas dimensões associadas a melhores resultados de saúde mental nas crianças e adolescentes em acolhimento residencial. A identificação e promoção destas dimensões é importante de modo a reduzir o impacto da adversidade na saúde mental desta população, podendo ser útil na elaboração e planeamento de intervenções.