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Bibliotecas populares em Portugal : práticas e representações : esboçar de uma missão (1870-1930)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese sobre as bibliotecas populares oficiais em Portugal (1870-1930) assume-se como um contributo para compreender a conceção dicotómica popular / erudita que marcou a existência das bibliotecas, num período em que se edificava a sociedade liberal e republicana, sustentada no pilar da educação popular. Criadas por D. António da Costa em 1870, com o objetivo de complementar a instrução primária e facultar a leitura domiciliária, as bibliotecas populares mobilizaram alguns recursos materiais e humanos disponibilizados pelo governo central e pelos municípios, não logrando alcançar os fins delineados na legislação fundadora. Razões de ordem económica e política mas também decorrentes de uma mentalidade resistente à mudança e avessa ao progresso cultural, justificam o limitado sucesso dessa iniciativa, cuja trajectória quisemos reconstituir, cartografando e documentando, no intuito de rastrear a ligação com as bibliotecas municipais e compreender a razão por que se insistiu nesse paradigma durante a Primeira República, quando já estavam em curso outros modelos de bibliotecas mais ajustados à realidade contemporânea. O que diferenciou, de facto, as bibliotecas populares? A quem se destinavam e quais foram os seus utilizadores? Em que medida cumpriram o propósito de vulgarização da leitura? Estas questões constituem o foco essencial da investigação que se desenvolveu em torno de dois eixos principais, representações e práticas, que se confrontaram recorrendo a fontes e arquivos, tão variados e dispersos como o objeto de estudo. A fragmentação e a escassez da informação obtida justificaram a comparação com outras bibliotecas públicas para responder às questões e às hipóteses enunciadas. Os estudos de Michel de Certeau, Roger Chartier e Pierre Bourdieu, entre outros, facultaram as ferramentas essenciais para a construção da estrutura teórica que informa a abordagem da problemática. A dicotomia dos discursos não tinha reciprocidade nas práticas: as bibliotecas populares não respondiam cabalmente ao propósito que motivou a sua criação e essa falha era mitigada por bibliotecas classificadas como eruditas, evidenciando-se os conceitos de circulação e de cultura no plural. Outrossim, a investigação permitiu verificar a tentativa de orientação das leituras dirigidas a um público das camadas mais desfavorecidas, cujo perfil apresentava contornos pouco definidos, e sugeriu uma instrumentalização da ideia de biblioteca popular.
Autores principais:Pinto, Maria de Fátima Machado Martins
Assunto:Teses de doutoramento - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese sobre as bibliotecas populares oficiais em Portugal (1870-1930) assume-se como um contributo para compreender a conceção dicotómica popular / erudita que marcou a existência das bibliotecas, num período em que se edificava a sociedade liberal e republicana, sustentada no pilar da educação popular. Criadas por D. António da Costa em 1870, com o objetivo de complementar a instrução primária e facultar a leitura domiciliária, as bibliotecas populares mobilizaram alguns recursos materiais e humanos disponibilizados pelo governo central e pelos municípios, não logrando alcançar os fins delineados na legislação fundadora. Razões de ordem económica e política mas também decorrentes de uma mentalidade resistente à mudança e avessa ao progresso cultural, justificam o limitado sucesso dessa iniciativa, cuja trajectória quisemos reconstituir, cartografando e documentando, no intuito de rastrear a ligação com as bibliotecas municipais e compreender a razão por que se insistiu nesse paradigma durante a Primeira República, quando já estavam em curso outros modelos de bibliotecas mais ajustados à realidade contemporânea. O que diferenciou, de facto, as bibliotecas populares? A quem se destinavam e quais foram os seus utilizadores? Em que medida cumpriram o propósito de vulgarização da leitura? Estas questões constituem o foco essencial da investigação que se desenvolveu em torno de dois eixos principais, representações e práticas, que se confrontaram recorrendo a fontes e arquivos, tão variados e dispersos como o objeto de estudo. A fragmentação e a escassez da informação obtida justificaram a comparação com outras bibliotecas públicas para responder às questões e às hipóteses enunciadas. Os estudos de Michel de Certeau, Roger Chartier e Pierre Bourdieu, entre outros, facultaram as ferramentas essenciais para a construção da estrutura teórica que informa a abordagem da problemática. A dicotomia dos discursos não tinha reciprocidade nas práticas: as bibliotecas populares não respondiam cabalmente ao propósito que motivou a sua criação e essa falha era mitigada por bibliotecas classificadas como eruditas, evidenciando-se os conceitos de circulação e de cultura no plural. Outrossim, a investigação permitiu verificar a tentativa de orientação das leituras dirigidas a um público das camadas mais desfavorecidas, cujo perfil apresentava contornos pouco definidos, e sugeriu uma instrumentalização da ideia de biblioteca popular.