| Resumo: | O melanoma cutâneo é o principal responsável pela mortalidade atribuída a cancro da pele, e embora não seja o que apresenta maior incidência, esta tem aumentado de forma constante nos últimos anos. De entre os fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento do melanoma destaca-se a exposição à radiação ultravioleta que é o principal foco da prevenção primária desta doença. O melanoma resulta da proliferação anormal de melanócitos e a sua progressão engloba diferentes lesões, desde o nevo melanocítico benigno até ao melanoma metastático, constituindo um processo complexo que não segue uma via de evolução única. De acordo com o local anatómico, aspeto morfológico, padrão de crescimento, e mutações o melanoma pode ser classificado em quatro subtipos principais: melanoma de extensão superficial, lentigo maligno, acrolentiginoso e nodular. A identificação das vias de sinalização implicadas no desenvolvimento e progressão do melanoma é fundamental para auxiliar decisões terapêuticas e a investigação de possíveis alvos moleculares, sendo de destacar o papel da via MAPK e PI3K-AKT. O diagnóstico baseia-se na inspeção visual de lesões pigmentadas que pode ser auxiliada pela dermatoscopia e é confirmado pela realização de uma biópsia excisional/completa. Na última década verificou-se uma mudança na abordagem terapêutica do melanoma com a aprovação de fármacos inibidores dos checkpoints imunitários (ipilimumab, nivolumab, pembrolizumab) e terapia dirigida com inibidores tirosina cinase BRAF e MEK (dabrafenib/trametinib, vemurafenib/cobimetinib, encorafenib/binimetinib) que melhoraram significativamente a sobrevivência destes doentes face ao tratamento padrão até então com dacarbazina. Como tal, atualmente estes fármacos constituem opções terapêuticas de primeira linha no tratamento adjuvante aliado à excisão cirúrgica, bem como no tratamento sistémico da doença avançada ou metastática. A sua introdução na prática clínica é acompanhada de desafios, nomeadamente os possíveis eventos adversos que em muito diferem dos associados à quimioterapia, os custos e o surgimento de resistência primária e adquirida que torna fundamental a investigação de biomarcadores de modo a identificar os melhores padrões de tratamento para cada doente tendo em vista a medicina personalizada. |