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Ácido beta-hidroxibutírico : avaliação da concentração sérica em gatos e relação com as apresentações clínicas, diagnósticos e taxa de sobrevivência

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Resumo:Em situações de balanço energético negativo, a disponibilidade reduzida de glicose estimula a oxidação de ácidos gordos livres no fígado. A saturação do ciclo do ácido cítrico, mobiliza acetil-coenzima A para a cetogénese, no sentido de produzir energia como via alternativa à glicólise. Este processo origina um substrato energético alternativo, os corpos cetónicos. O ácido beta-hidroxibutírico é o corpo cetónico mais abundante no organismo felino, encontrando-se moderadamente aumentado em períodos de jejum. A concentração aumentada deste composto tem consequências graves no organismo. A diabetes mellitus quando não controlada, é a doença com maior capacidade de elevar a concentração sérica de ácido beta-hidroxibutírico. No entanto, outras doenças podem alterar o metabolismo para um estado catabólico. O presente estudo teve como objetivos caracterizar a apresentação clínica e os resultados das análises laboratoriais de 70 felinos hospitalizados, que apresentavam concentrações séricas de ácido beta-hidroxibutírico aumentadas e normais, bem como avaliar a existência de uma relação entre a elevação deste corpo cetónico nas diferentes doenças estudadas e também a taxa de sobrevivência. Os resultados obtidos revelaram que diversas doenças aumentam a concentração sérica de ácido beta-hidroxibutírico, nomeadamente obstruções intestinais (100%, 2/2), Lipidose Hepática Felina (LHF) (60%, 3/5), hipertiroidismo (50%, 3/6), obstruções urinárias (44%, 4/9), outras hepatopatias (42%, 3/7), pancreatite (28%, 4/14), cardiopatias (28%, 2/7), DRC (23%, 6/26) e neoplasias (17%, 1/6). Em animais doentes não diabéticos, a [BHB]s foi significativamente superior comparativamente aos animais saudáveis (p=0,004). No entanto, não foi encontrada uma relação significativa entre a concentração de ácido beta-hidroxibutírico e outros parâmetros bioquímicos ou sinais clínicos. A taxa de sobrevivência dos animais doentes não diabéticos sugere ser mais elevada quando a concentração de ácido beta-hidroxibutírico está aumentada, contudo, são necessários mais estudos para comprovar a significância desta relação
Autores principais:Francisco, Mariana Inês de Sousa Gonçalves
Assunto:Corpos cetónicos Ácido beta-hidroxibutírico Cetose Gato Diabetes mellitus Ketone bodies Beta-hydroxybutyric acid ketosis Cat Diabetes mellitus
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em situações de balanço energético negativo, a disponibilidade reduzida de glicose estimula a oxidação de ácidos gordos livres no fígado. A saturação do ciclo do ácido cítrico, mobiliza acetil-coenzima A para a cetogénese, no sentido de produzir energia como via alternativa à glicólise. Este processo origina um substrato energético alternativo, os corpos cetónicos. O ácido beta-hidroxibutírico é o corpo cetónico mais abundante no organismo felino, encontrando-se moderadamente aumentado em períodos de jejum. A concentração aumentada deste composto tem consequências graves no organismo. A diabetes mellitus quando não controlada, é a doença com maior capacidade de elevar a concentração sérica de ácido beta-hidroxibutírico. No entanto, outras doenças podem alterar o metabolismo para um estado catabólico. O presente estudo teve como objetivos caracterizar a apresentação clínica e os resultados das análises laboratoriais de 70 felinos hospitalizados, que apresentavam concentrações séricas de ácido beta-hidroxibutírico aumentadas e normais, bem como avaliar a existência de uma relação entre a elevação deste corpo cetónico nas diferentes doenças estudadas e também a taxa de sobrevivência. Os resultados obtidos revelaram que diversas doenças aumentam a concentração sérica de ácido beta-hidroxibutírico, nomeadamente obstruções intestinais (100%, 2/2), Lipidose Hepática Felina (LHF) (60%, 3/5), hipertiroidismo (50%, 3/6), obstruções urinárias (44%, 4/9), outras hepatopatias (42%, 3/7), pancreatite (28%, 4/14), cardiopatias (28%, 2/7), DRC (23%, 6/26) e neoplasias (17%, 1/6). Em animais doentes não diabéticos, a [BHB]s foi significativamente superior comparativamente aos animais saudáveis (p=0,004). No entanto, não foi encontrada uma relação significativa entre a concentração de ácido beta-hidroxibutírico e outros parâmetros bioquímicos ou sinais clínicos. A taxa de sobrevivência dos animais doentes não diabéticos sugere ser mais elevada quando a concentração de ácido beta-hidroxibutírico está aumentada, contudo, são necessários mais estudos para comprovar a significância desta relação