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Síntese e avaliação da atividade antitumoral de novas tiobenzanilidas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cancro é uma das maiores causas de morte a nível mundial, sendo uma doença difícil de tratar e com taxas globais de cura ainda muito baixas. A quimioterapia é uma das principais armas para combater esta doença, mas, embora eficaz, é muito tóxica para as células saudáveis apresentando numerosos efeitos secundários. Ao longo dos anos a comunidade científica tem vindo a investir na descoberta e desenvolvimento de novos compostos menos tóxicos e mais seletivos para cada tipo de cancro, e que simultaneamente atuem nos cancros resistentes às terapêuticas atualmente existentes. As tiobenzanilidas têm sido alvo de pesquisa neste campo pois, para além de apresentarem um leque vasto de aplicações biológicas incluindo atividades antifúngicas, antibacterianas e espasmolíticas, demostram também possuir atividade anticancerígena em linhas celulares de melanoma maligno da pele e de cancro de mama hormono-dependente. No âmbito desta tese sintetizaram-se cinco novos derivados da tiobenzanilida (4.a-4.e) e ressintetizaram-se quatro derivados já descritos anteriormente (4.f; 4.h; 4.j e 4.l), e avaliou-se as respetivas atividades anticancerígenas (bem como a de outros compostos previamente sintetizados noutros trabalhos) em linhas celulares de cancro da mama hormono-dependente (MCF-7) e de melanoma maligno da pele (A375) usando o método colorimétrico do MTT. Todos os compostos sintetizados foram caracterizados recorrendo às técnicas de Ressonância Magnética Nuclear (1H, 13C/APT e técnicas bidimensionais), IV e por ESI-HRMS. Pela técnica de RMN verificou-se que em solução as tiobenzanilidas se encontram num equilíbrio entre os rotâmeros trans e/cis sendo o rotâmero trans sempre o maioritário. O rácio entre estes dois rotâmeros parece depender da natureza da substituição da posição orto do anel benzoílico, pois quando se substituiu a posição 2 com um grupo NO2 obteve-se um rácio de 1:0,6 mas quando se substituiu a mesma posição com um grupo CF3 a proporção do rotâmero cis diminuiu significativamente surgindo numa proporção de 1:0,1, também se verificou que quando a posição 2 não estava substituída o equilíbrio entre os rotâmeros em solução não se formou. Para além deste factor, o equilíbrio entre os rotâmeros foi afectado pelas propriedades físico-químicas do solvente deuterado utilizado, tais como o número de dadores e aceitadores de hidrogénio (em CDCl3 observa-se uma proporção do rotâmero cis maior do que quando se utiliza DMSO-d6 ou (CD3)2CO). Esta observação sugere que o rotâmero trans estabiliza por eventuais pontes de hidrogénio com os solventes que tenham grupos aceitadores de ligações de hidrogénio ou estabiliza na presença de solventes com momentos dipolares maiores, que é o caso do DMSO-d6. Pela análise do espetro de difração de raio-X de monocristal do composto 4.a constatou-se que no estado sólido estes compostos existem apenas na conformação trans. Na linha celular A375 a maioria dos derivados da tiobenzanilida testados apresentaram valores de EC50 na ordem do μM, tendo-se verificado que a introdução de um substituinte na parte anilínica provocava, na maioria dos casos, um decréscimo dos EC50 quando comparados com o da tiobenzanilida não substituída nessa posição (4.n), para a qual se obteve um EC50 superior a 100 μM ao fim de 24h de incubação. Apenas os compostos 4.q e 4.m se mostraram menos citotóxicos do que o 4.n. O composto mais promissor foi o 4.r com um EC50 (24h) de 11,8 μM, sendo este valor muito próximo do valor de EC50 determinado para a doxorrubicina (6,0 μM), durante o mesmo tempo de incubação. A avaliação da citotoxicidade dos compostos sintetizados na linha celular MCF-7 está ainda em curso, tendo-se até ao momento apenas indicações preliminares da toxicidade dos compostos 4.c, 4.f e 4.q. O composto 4.c foi o que apresentou uma maior citotoxicidade, com um EC50 (24h) de 14,6 μM, sendo este valor próximo do valor de EC50 determinado para o tamoxifen (7,6 μM). Em conclusão, os resultados obtidos comprovam que as tiobenzanilidas têm atividade anticancerígena nas duas linhas celulares estudadas sendo uma família promissora para o desenvolvimento de compostos anticancerígenos. A pequena biblioteca de compostos construída neste trabalho, que juntou compostos novos e compostos de trabalhos anteriores, e a avaliação da sua atividade anticancerígena, permitirá que muito em breve se possam fazer estudos de SAR e/ou QSAR, de modo a se poderem determinar as particularidades estruturais que poderão influenciar a atividade biológica.
Autores principais:Martins, Maria João Álvaro Albuquerque
Assunto:Cancro Tiobenzanilidas Rotâmeros Citotoxicidade Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cancro é uma das maiores causas de morte a nível mundial, sendo uma doença difícil de tratar e com taxas globais de cura ainda muito baixas. A quimioterapia é uma das principais armas para combater esta doença, mas, embora eficaz, é muito tóxica para as células saudáveis apresentando numerosos efeitos secundários. Ao longo dos anos a comunidade científica tem vindo a investir na descoberta e desenvolvimento de novos compostos menos tóxicos e mais seletivos para cada tipo de cancro, e que simultaneamente atuem nos cancros resistentes às terapêuticas atualmente existentes. As tiobenzanilidas têm sido alvo de pesquisa neste campo pois, para além de apresentarem um leque vasto de aplicações biológicas incluindo atividades antifúngicas, antibacterianas e espasmolíticas, demostram também possuir atividade anticancerígena em linhas celulares de melanoma maligno da pele e de cancro de mama hormono-dependente. No âmbito desta tese sintetizaram-se cinco novos derivados da tiobenzanilida (4.a-4.e) e ressintetizaram-se quatro derivados já descritos anteriormente (4.f; 4.h; 4.j e 4.l), e avaliou-se as respetivas atividades anticancerígenas (bem como a de outros compostos previamente sintetizados noutros trabalhos) em linhas celulares de cancro da mama hormono-dependente (MCF-7) e de melanoma maligno da pele (A375) usando o método colorimétrico do MTT. Todos os compostos sintetizados foram caracterizados recorrendo às técnicas de Ressonância Magnética Nuclear (1H, 13C/APT e técnicas bidimensionais), IV e por ESI-HRMS. Pela técnica de RMN verificou-se que em solução as tiobenzanilidas se encontram num equilíbrio entre os rotâmeros trans e/cis sendo o rotâmero trans sempre o maioritário. O rácio entre estes dois rotâmeros parece depender da natureza da substituição da posição orto do anel benzoílico, pois quando se substituiu a posição 2 com um grupo NO2 obteve-se um rácio de 1:0,6 mas quando se substituiu a mesma posição com um grupo CF3 a proporção do rotâmero cis diminuiu significativamente surgindo numa proporção de 1:0,1, também se verificou que quando a posição 2 não estava substituída o equilíbrio entre os rotâmeros em solução não se formou. Para além deste factor, o equilíbrio entre os rotâmeros foi afectado pelas propriedades físico-químicas do solvente deuterado utilizado, tais como o número de dadores e aceitadores de hidrogénio (em CDCl3 observa-se uma proporção do rotâmero cis maior do que quando se utiliza DMSO-d6 ou (CD3)2CO). Esta observação sugere que o rotâmero trans estabiliza por eventuais pontes de hidrogénio com os solventes que tenham grupos aceitadores de ligações de hidrogénio ou estabiliza na presença de solventes com momentos dipolares maiores, que é o caso do DMSO-d6. Pela análise do espetro de difração de raio-X de monocristal do composto 4.a constatou-se que no estado sólido estes compostos existem apenas na conformação trans. Na linha celular A375 a maioria dos derivados da tiobenzanilida testados apresentaram valores de EC50 na ordem do μM, tendo-se verificado que a introdução de um substituinte na parte anilínica provocava, na maioria dos casos, um decréscimo dos EC50 quando comparados com o da tiobenzanilida não substituída nessa posição (4.n), para a qual se obteve um EC50 superior a 100 μM ao fim de 24h de incubação. Apenas os compostos 4.q e 4.m se mostraram menos citotóxicos do que o 4.n. O composto mais promissor foi o 4.r com um EC50 (24h) de 11,8 μM, sendo este valor muito próximo do valor de EC50 determinado para a doxorrubicina (6,0 μM), durante o mesmo tempo de incubação. A avaliação da citotoxicidade dos compostos sintetizados na linha celular MCF-7 está ainda em curso, tendo-se até ao momento apenas indicações preliminares da toxicidade dos compostos 4.c, 4.f e 4.q. O composto 4.c foi o que apresentou uma maior citotoxicidade, com um EC50 (24h) de 14,6 μM, sendo este valor próximo do valor de EC50 determinado para o tamoxifen (7,6 μM). Em conclusão, os resultados obtidos comprovam que as tiobenzanilidas têm atividade anticancerígena nas duas linhas celulares estudadas sendo uma família promissora para o desenvolvimento de compostos anticancerígenos. A pequena biblioteca de compostos construída neste trabalho, que juntou compostos novos e compostos de trabalhos anteriores, e a avaliação da sua atividade anticancerígena, permitirá que muito em breve se possam fazer estudos de SAR e/ou QSAR, de modo a se poderem determinar as particularidades estruturais que poderão influenciar a atividade biológica.