| Resumo: | A produção animal representa um papel crucial na economia de um país e é, por isso, muito importante garantir a sua rentabilização. Por vezes é descurada a importância de afeções como as parasitoses que têm grande influência na saúde e bem-estar animal. Neste estudo foi avaliada a importância do tremátode Fasciola hepatica na engorda bovina, parasita hepático com ciclo heteroxeno, participando como hospedeiro intermediário o caracol L. truncatula. Este parasita causa lesões fibróticas no parênquima hepático levando à perda da sua função, diminuindo os níveis de produção e perdas diretas por reprovação do órgão em matadouro. Foi ainda objetivo deste estudo avaliar a importância da desparasitação contra esta parasitose num tipo de produção semi-intensivo e comparar a eficácia de dois princípios ativos – Closantel e Clorsulon. Serviu de base para este estudo uma exploração de bovinos em regime semi-intensivo, localizada na região da Moita do Ribatejo, Portugal, considerada endémica de F. hepatica. Foram incluídos no estudo 19 bovinos machos com idades compreendidas entre os 9 e 25 meses aos quais se aplicou um único tratamento com os dois fármacos a ser testados. Foi recolhida uma amostra de fezes no dia da aplicação e duas amostras após tratamento com quinze dias de intervalo. Realizaram-se análises coprológicas: técnica de sedimentação simples e de McMaster Modificado; e análise serológica por ELISA indireto com uso da proteína recombinante APS. Foram inspecionados os dezanove fígados no momento do abate e uma amostra destes (n=5) analisada para deteção de fascíolas no seu parênquima. Todas as amostras processadas com a técnica de sedimentação simples apresentaram resultados negativos. Por sua vez, com a técnica McMaster Modificado obtiveram-se 73,68% de resultados positivos na primeira amostra e uma diminuição para 31,58% na última amostra, obtendo-se uma Redução de Contagem de Ovos Fecais entre 90 e 95%. Na análise serológica obtiveram-se três resultados positivos. Quanto à inspeção dos fígados, 78,94% destes foram reprovados devido a fasciolose. Independentemente da eficácia do tratamento, o tempo que decorre desde a sua aplicação até ao abate não é suficiente para eliminar as lesões que são causa de reprovação a nível de matadouro. Assim, conclui-se que o mais importante é prevenir a infeção e não tratá-la, devendo por isso investir-se no controlo do ciclo do parasita com um bom maneio das pastagens e dos animais e utilizar a desparasitação apenas como auxílio na profilaxia. |