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Processo de transição de mulheres em idade reprodutiva : da interrupção voluntária da gravidez, ao autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção

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Resumo:A gravidez não planeada é um acontecimento que pode culminar numa interrupção voluntária da gravidez. Esta, em Portugal, é possível por opção da mulher se realizada até às 10 semanas de gravidez. É um processo complexo, que requer comportamentos de autocuidado no lidar com a interrupção da gravidez em casa, mas também capacitação para a adesão e gestão de métodos de contraceção preventivos de uma futura gravidez não planeada e indesejada. Este estudo pretende responder à questão de investigação “Como é que mulheres, que interromperam a gravidez por opção e por método medicamentoso, constroem o processo de transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção?”. Tendo como finalidade a construção de uma teoria compreensiva do processo de transição de mulheres em idade reprodutiva: da interrupção da gravidez ao autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção, suportamo-nos na Teoria das Transições de Afaf Meleis e a Teoria do Défice de Autocuidado de Enfermagem de Dorothea Orem. Este estudo qualitativo utiliza o referencial metodológico da Grounded theory, seguindo os pressupostos de Strauss e Corbin (2008). A amostra foi constituída por 21 participantes que experienciaram um processo de interrupção da gravidez por opção até às 10 semanas de gravidez. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas a 18 mulheres após a consulta de controlo em dois contextos distintos de cuidados diferenciados e a 3 mulheres que interromperam voluntariamente a gravidez há mais de três anos. Da análise do processo de codificação dos dados sobressaiu como categoria central Construin-do trajetórias reprodutivas. Esta contempla três conceitos interrelacionados: Maternidade por opção; Autocuidado no lidar com a interrupção da gravidez e Autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção. Constatamos que a construção do processo de transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção, para as mulheres que interromperam a gravidez por opção, é um processo complexo e está imbuído num contexto de vulnerabilidade, onde emergem questões de género, do “eu” enquanto mulher fértil, enquanto mãe que experiencia e elabora a maternidade enquadrada num modelo intensivo. O lidar com a interrupção da gravidez faz emergir um conjunto de diferentes respostas humanas, na dimensão biológica, social ou emocional e existencial. A transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção é um processo dinâmico, movido pela forma como as mulheres construíram as estratégias de capacitação para o autocuidado e como esta experiência foi transformadora. A compreensão da problemática estudada contribuiu para a disciplina e o exercício da enfermagem, quer na introdução de novos conceitos, quer na melhoria da qualidade dos cuidados de saúde das mulheres em Portugal.
Autores principais:Santos, Ana Maria Poço
Assunto:Interrupção voluntária da gravidez métodos de contraceção adesão a métodos de contraceção autocuidado Enfermagem Voluntary termination of pregnancy Self-care Adherence to contraceptive methods Contraceptive methods nursing
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A gravidez não planeada é um acontecimento que pode culminar numa interrupção voluntária da gravidez. Esta, em Portugal, é possível por opção da mulher se realizada até às 10 semanas de gravidez. É um processo complexo, que requer comportamentos de autocuidado no lidar com a interrupção da gravidez em casa, mas também capacitação para a adesão e gestão de métodos de contraceção preventivos de uma futura gravidez não planeada e indesejada. Este estudo pretende responder à questão de investigação “Como é que mulheres, que interromperam a gravidez por opção e por método medicamentoso, constroem o processo de transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção?”. Tendo como finalidade a construção de uma teoria compreensiva do processo de transição de mulheres em idade reprodutiva: da interrupção da gravidez ao autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção, suportamo-nos na Teoria das Transições de Afaf Meleis e a Teoria do Défice de Autocuidado de Enfermagem de Dorothea Orem. Este estudo qualitativo utiliza o referencial metodológico da Grounded theory, seguindo os pressupostos de Strauss e Corbin (2008). A amostra foi constituída por 21 participantes que experienciaram um processo de interrupção da gravidez por opção até às 10 semanas de gravidez. As entrevistas semiestruturadas foram realizadas a 18 mulheres após a consulta de controlo em dois contextos distintos de cuidados diferenciados e a 3 mulheres que interromperam voluntariamente a gravidez há mais de três anos. Da análise do processo de codificação dos dados sobressaiu como categoria central Construin-do trajetórias reprodutivas. Esta contempla três conceitos interrelacionados: Maternidade por opção; Autocuidado no lidar com a interrupção da gravidez e Autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção. Constatamos que a construção do processo de transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção, para as mulheres que interromperam a gravidez por opção, é um processo complexo e está imbuído num contexto de vulnerabilidade, onde emergem questões de género, do “eu” enquanto mulher fértil, enquanto mãe que experiencia e elabora a maternidade enquadrada num modelo intensivo. O lidar com a interrupção da gravidez faz emergir um conjunto de diferentes respostas humanas, na dimensão biológica, social ou emocional e existencial. A transição para o autocuidado na adesão e gestão de métodos de contraceção é um processo dinâmico, movido pela forma como as mulheres construíram as estratégias de capacitação para o autocuidado e como esta experiência foi transformadora. A compreensão da problemática estudada contribuiu para a disciplina e o exercício da enfermagem, quer na introdução de novos conceitos, quer na melhoria da qualidade dos cuidados de saúde das mulheres em Portugal.