Publicação
Epilepsia em animais de companhia
| Resumo: | A epilepsia é uma das patologias neurológicas mais comuns no cão e no gato. Trata-se de uma doença que afecta o Sistema Nervoso Central e que se caracteriza por convulsões e alterações paroxísticas temporais com tendência a ser recorrentes. Uma convulsão típica é caracterizada por um período inicial, o pródromo, seguido pela aura, ictus e, finalmente, pela fase pós-ictus. As crises epileptiformes são primariamente classificadas em: auto-limitantes (isoladas), em salva ou cluster (se há duas ou mais convulsões num espaço de 24 horas) ou contínuas, que é o que ocorre no status epilepticus. As convulsões podem ser generalizadas ou focais/parciais. As convulsões focais com generalização secundária são o tipo mais comum nos cães. Por outro lado, as convulsões parciais complexas são as que tipicamente ocorrem mais no gato. A epilepsia é classificada em 4 grupos principais: epilepsia idiopática, epilepsia sintomática, epilepsia sintomática provável e alterações extracranianas, apesar desta última não ser classificada como uma epilepsia. O diagnóstico da epilepsia consiste, inicialmente, em se conhecer a história clínica detalhada do animal, proceder aos exames físico e neurológico completos, e análises sanguíneas consistindo em hemograma e análises bioquímicas básicas. Com base nestas informações, deve realizar-se uma lista de diagnósticos diferenciais e podem ser indicados outros procedimentos clínicos, laboratoriais, toxicológicos ou imagiológicos se necessários, após o conhecimento dos resultados das provas diagnósticas iniciais. O objectivo primordial da terapêutica é controlar a actividade convulsiva de forma adequada e com efeitos secundários aceitáveis por parte dos fármacos utilizados e espera-se que a terapia possibilite uma redução na severidade, duração e frequência da actividade convulsiva. Os ataques em salva e o status epilepticus são considerados emergências médicas, sendo imprescindível actuar o mais rapidamente possível de modo a evitar ou reduzir as sequelas fisiológicas da actividade frequente ou contínua. As convulsões ficam controladas em cerca de 70 a 80% dos cães e na maioria dos gatos tratados apenas com fenobarbital. A adição de um segundo fármaco (geralmente o brometo de potássio) conduz a uma redução em mais de 50% do número de convulsões em 70 a 80% dos cães. Contudo, cerca de 20-30% dos cães não respondem a esta terapia. Nestes casos, será necessário pensar em outras alternativas farmacológicas, nomeadamente nos novos anticonvulsivos utilizados em Humanos, como a felbamato, gabapentina, levetiracetam, zonisamida, entre outros. Nos casos de epilepsia refractária farmacológica podem ainda utilizar-se tratamentos não médicos que podem ser úteis: acupunctura, homeopatia, estimulação vagal e dieta cetogénica. |
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| Autores principais: | Castro, Ana Catarina Pinto de |
| Assunto: | Epilepsia Convulsões Cão Gato Diagnóstico Tratamento Epilepsy Seizures Dog Cat Diagnostic Treatment |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | trabalho de fim de curso |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A epilepsia é uma das patologias neurológicas mais comuns no cão e no gato. Trata-se de uma doença que afecta o Sistema Nervoso Central e que se caracteriza por convulsões e alterações paroxísticas temporais com tendência a ser recorrentes. Uma convulsão típica é caracterizada por um período inicial, o pródromo, seguido pela aura, ictus e, finalmente, pela fase pós-ictus. As crises epileptiformes são primariamente classificadas em: auto-limitantes (isoladas), em salva ou cluster (se há duas ou mais convulsões num espaço de 24 horas) ou contínuas, que é o que ocorre no status epilepticus. As convulsões podem ser generalizadas ou focais/parciais. As convulsões focais com generalização secundária são o tipo mais comum nos cães. Por outro lado, as convulsões parciais complexas são as que tipicamente ocorrem mais no gato. A epilepsia é classificada em 4 grupos principais: epilepsia idiopática, epilepsia sintomática, epilepsia sintomática provável e alterações extracranianas, apesar desta última não ser classificada como uma epilepsia. O diagnóstico da epilepsia consiste, inicialmente, em se conhecer a história clínica detalhada do animal, proceder aos exames físico e neurológico completos, e análises sanguíneas consistindo em hemograma e análises bioquímicas básicas. Com base nestas informações, deve realizar-se uma lista de diagnósticos diferenciais e podem ser indicados outros procedimentos clínicos, laboratoriais, toxicológicos ou imagiológicos se necessários, após o conhecimento dos resultados das provas diagnósticas iniciais. O objectivo primordial da terapêutica é controlar a actividade convulsiva de forma adequada e com efeitos secundários aceitáveis por parte dos fármacos utilizados e espera-se que a terapia possibilite uma redução na severidade, duração e frequência da actividade convulsiva. Os ataques em salva e o status epilepticus são considerados emergências médicas, sendo imprescindível actuar o mais rapidamente possível de modo a evitar ou reduzir as sequelas fisiológicas da actividade frequente ou contínua. As convulsões ficam controladas em cerca de 70 a 80% dos cães e na maioria dos gatos tratados apenas com fenobarbital. A adição de um segundo fármaco (geralmente o brometo de potássio) conduz a uma redução em mais de 50% do número de convulsões em 70 a 80% dos cães. Contudo, cerca de 20-30% dos cães não respondem a esta terapia. Nestes casos, será necessário pensar em outras alternativas farmacológicas, nomeadamente nos novos anticonvulsivos utilizados em Humanos, como a felbamato, gabapentina, levetiracetam, zonisamida, entre outros. Nos casos de epilepsia refractária farmacológica podem ainda utilizar-se tratamentos não médicos que podem ser úteis: acupunctura, homeopatia, estimulação vagal e dieta cetogénica. |
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