Publicação

Trabalho prático em biologia e geologia no ensino secundário : estudo dos documentos oficiais e suas recontextualizações nas práticas dos professores

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Este estudo centrou-se no trabalho prático em Biologia e Geologia do ensino secundário. A principal finalidade foi compreender em que medida as orientações do Ministério da Educação, expressas nos documentos oficiais, as conceções dos professores quanto ao trabalho prático e o contexto social da escola poderão influenciar as práticas pedagógicas. A análise do trabalho prático focou-se no nível de exigência conceptual e na natureza das relações sociológicas entre sujeitos, discursos e espaços, nos contextos de transmissão/aquisição e de avaliação. O estudo está fundamentado psicológica e sociologicamente, destacando-se a teoria do discurso pedagógico de Bernstein. A investigação seguiu uma metodologia mista. Através de uma dialética constante entre o teórico e o empírico, analisaram-se vários textos: currículo de Biologia e Geologia dos 10º e 11º anos de escolaridade, fichas de avaliação externa, entrevistas a professores e práticas pedagógicas. No estudo participaram quatro professoras de quatro escolas diferentes e respetivas turmas do 10º ano de escolaridade. Os resultados evidenciam a ocorrência de descontinuidades entre as mensagens do currículo e das fichas de avaliação externa quanto ao nível de exigência conceptual do trabalho prático, sendo esse nível menor na avaliação externa. Nenhuma das práticas evidenciou um elevado nível de exigência conceptual e tenderam a aproximar-se da mensagem expressa nas fichas de avaliação externa. Os processos de recontextualização que se verificaram parecem ter sido influenciados pelas conceções das professoras relativas ao trabalho prático no ensino das ciências e ainda pelo contexto social da escola. As professoras das escolas classificadas nos níveis mais baixos dos rankings nacionais e cujos alunos pertenciam a setores sociais menos providos de recursos apresentaram práticas que se caracterizaram pelos níveis mais baixos de exigência e que mais se afastaram da modalidade de prática pedagógica que se tem mostrado mais favorável à aprendizagem de todos os alunos.
Autores principais:Ferreira, Sílvia
Assunto:Teses de doutoramento - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este estudo centrou-se no trabalho prático em Biologia e Geologia do ensino secundário. A principal finalidade foi compreender em que medida as orientações do Ministério da Educação, expressas nos documentos oficiais, as conceções dos professores quanto ao trabalho prático e o contexto social da escola poderão influenciar as práticas pedagógicas. A análise do trabalho prático focou-se no nível de exigência conceptual e na natureza das relações sociológicas entre sujeitos, discursos e espaços, nos contextos de transmissão/aquisição e de avaliação. O estudo está fundamentado psicológica e sociologicamente, destacando-se a teoria do discurso pedagógico de Bernstein. A investigação seguiu uma metodologia mista. Através de uma dialética constante entre o teórico e o empírico, analisaram-se vários textos: currículo de Biologia e Geologia dos 10º e 11º anos de escolaridade, fichas de avaliação externa, entrevistas a professores e práticas pedagógicas. No estudo participaram quatro professoras de quatro escolas diferentes e respetivas turmas do 10º ano de escolaridade. Os resultados evidenciam a ocorrência de descontinuidades entre as mensagens do currículo e das fichas de avaliação externa quanto ao nível de exigência conceptual do trabalho prático, sendo esse nível menor na avaliação externa. Nenhuma das práticas evidenciou um elevado nível de exigência conceptual e tenderam a aproximar-se da mensagem expressa nas fichas de avaliação externa. Os processos de recontextualização que se verificaram parecem ter sido influenciados pelas conceções das professoras relativas ao trabalho prático no ensino das ciências e ainda pelo contexto social da escola. As professoras das escolas classificadas nos níveis mais baixos dos rankings nacionais e cujos alunos pertenciam a setores sociais menos providos de recursos apresentaram práticas que se caracterizaram pelos níveis mais baixos de exigência e que mais se afastaram da modalidade de prática pedagógica que se tem mostrado mais favorável à aprendizagem de todos os alunos.