Publicação
Utilização da fidaxomicina na terapêutica da infeção por Clostridium difficile no Centro Hospitalar Lisboa Norte de 2013 a 2015
| Resumo: | A infeção por Clostridium difficile apresenta uma incidência crescente e uma elevada percentagem de recorrência que levou à investigação de novas estratégias terapêuticas. A fidaxomicina é um macrólido de reduzido espectro de ação que foi introduzido recentemente no mercado e cujos estudos apontam para a redução da recorrência da infeção associada à sua utilização. Objetivo: caracterizar a população que realizou fidaxomicina no Centro Hospitalar Lisboa Norte, rever os motivos que levaram à realização deste fármaco bem como a resposta a este tratamento, no período de Janeiro de 2013 a Dezembro de 2015. Métodos: análise retrospetiva dos casos em que foi realizada fidaxomicina, seguida de análise descritiva dos resultados. Resultados: foram detetados 274 testes de diagnóstico compatíveis com infeção por C. difficile positiva no período compreendido entre Janeiro de 2013 e Dezembro de 2015 no Centro Hospitalar Lisboa Norte. A incidência média de infeção por C. difficile neste período foi de 22,0±1,7/10000 internamentos, considerando apenas os testes diagnósticos que indicam ICD positiva (24,4/10000 internamentos em 2013, 21,2/10000 internamentos em 2014 e 20,2/10000 internamentos em 2015). Quanto à recorrência, foram detetados 39 indivíduos (18,1%) com uma ou mais recorrências. A utilização da fidaxomicina ocorreu em 12 casos, tendo-se analisado nove. Verificou-se que população em estudo apresentava múltiplas comorbilidades (incluindo imunossupressão em metade dos doentes) e todos realizaram antibioterapia prévia à infeção por C. difficile. A utilização de fidaxomicina deveu-se a ausência de resposta ao tratamento em três casos (correspondentes aos três casos de utilização de fidaxomicina em primeiro episódio) e nos restantes seis casos por recorrência múltipla (todos realizaram vancomicina em pulsos em episódio prévio). Relativamente à evolução clínica, 44% (n=4) dos doentes ficaram livres de doença (três casos eram segunda recorrência e um caso quinta recorrência). Em 33% houve recorrência da infeção e 22% faleceram (outro motivo que não infeção por C. difficile). Conclusões: apesar do reduzido número de utilizações deste fármaco, é necessário salientar o bom resultado da sua utilização em segundas recorrências. A realização de mais estudos é necessária para obter dados relativamente aos benefícios e custo-efetividade das várias opções terapêuticas para o tratamento da infeção por C. difficile que permitam esclarecer o seu melhor posicionamento nos algoritmos de tratamento desta infeção, nomeadamente em episódios de recorrência, em doentes com fatores de risco ou com necessidade de manter antibioterapia concomitante por outro motivo. |
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| Autores principais: | Marques, Joana Isabel Silva |
| Assunto: | Infeção por Clostridium difficile Clostridium difficile Fidaxomicina ICD recorrente Portugal |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A infeção por Clostridium difficile apresenta uma incidência crescente e uma elevada percentagem de recorrência que levou à investigação de novas estratégias terapêuticas. A fidaxomicina é um macrólido de reduzido espectro de ação que foi introduzido recentemente no mercado e cujos estudos apontam para a redução da recorrência da infeção associada à sua utilização. Objetivo: caracterizar a população que realizou fidaxomicina no Centro Hospitalar Lisboa Norte, rever os motivos que levaram à realização deste fármaco bem como a resposta a este tratamento, no período de Janeiro de 2013 a Dezembro de 2015. Métodos: análise retrospetiva dos casos em que foi realizada fidaxomicina, seguida de análise descritiva dos resultados. Resultados: foram detetados 274 testes de diagnóstico compatíveis com infeção por C. difficile positiva no período compreendido entre Janeiro de 2013 e Dezembro de 2015 no Centro Hospitalar Lisboa Norte. A incidência média de infeção por C. difficile neste período foi de 22,0±1,7/10000 internamentos, considerando apenas os testes diagnósticos que indicam ICD positiva (24,4/10000 internamentos em 2013, 21,2/10000 internamentos em 2014 e 20,2/10000 internamentos em 2015). Quanto à recorrência, foram detetados 39 indivíduos (18,1%) com uma ou mais recorrências. A utilização da fidaxomicina ocorreu em 12 casos, tendo-se analisado nove. Verificou-se que população em estudo apresentava múltiplas comorbilidades (incluindo imunossupressão em metade dos doentes) e todos realizaram antibioterapia prévia à infeção por C. difficile. A utilização de fidaxomicina deveu-se a ausência de resposta ao tratamento em três casos (correspondentes aos três casos de utilização de fidaxomicina em primeiro episódio) e nos restantes seis casos por recorrência múltipla (todos realizaram vancomicina em pulsos em episódio prévio). Relativamente à evolução clínica, 44% (n=4) dos doentes ficaram livres de doença (três casos eram segunda recorrência e um caso quinta recorrência). Em 33% houve recorrência da infeção e 22% faleceram (outro motivo que não infeção por C. difficile). Conclusões: apesar do reduzido número de utilizações deste fármaco, é necessário salientar o bom resultado da sua utilização em segundas recorrências. A realização de mais estudos é necessária para obter dados relativamente aos benefícios e custo-efetividade das várias opções terapêuticas para o tratamento da infeção por C. difficile que permitam esclarecer o seu melhor posicionamento nos algoritmos de tratamento desta infeção, nomeadamente em episódios de recorrência, em doentes com fatores de risco ou com necessidade de manter antibioterapia concomitante por outro motivo. |
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