| Resumo: | Este trabalho tem origem na retomada do Plano de Urbanização de Chelas de 1965. A necessidade de expansão da cidade de Lisboa para o Oriente com o intuito de abrigar os imigrantes e operários em busca de trabalhos nas indústrias da Capital, promoveu uma alteração da paisagem do Vale de Chelas que foi condicionada pela necessidade de novas moradias e pelos fenômenos sociais e políticos da época. Esta junção de fatores em um território de topografia complexa produziu uma malha urbana fragmentada, sobre a qual os conjuntos habitacionais se estabeleceram em parcelas insularisadas. A desconexão e falta de espaços públicos qualificados nos grandes vazios entre estas Ilhas de Chelas, tem um impacto no desenvolvimento da vida urbana desta população. Devido a fragmentação, um sentimento de comunidade foi instalado nos habitantes de cada uma das zonas ilhadas, este fenômeno se manifesta no estabelecimento de barreiras sociais que atravessam as relações entre as vizinhanças de Chelas. Apesar deste contexto, existe uma produção cultural abundante que está intrinsecamente ligada à vida cotidiana nos bairros e expressa uma capacidade de identificação da população com o seu território. O Projeto final de Mestrado aqui desenvolvido, pretende levantar um mapeamento dos principais locais relevantes para a manutenção desta expressão cultural identitária, com o intuito de encontrar soluções que promovam uma reconexão da malha urbana do Vale a partir da observação da ocupação cultural já estabelecida em Chelas. Pretende-se, então, ao promover um desenho urbano mais adaptado às escalas e conexões humanas, evidenciar o potencial de estadia em uma zona atualmente marginalizada, mas que oferece todas as características geográficas, ecológicas e sociais para contribuir com uma expansão sustentável da Cidade. A reconexão do Vale de Chelas aqui prevista, portanto, diz respeito não somente ao arquipélago interno, mas também a uma ligação desta periferia com o centro da cidade, qualificando Chelas como uma outra centralidade de Lisboa a partir do protagonismo da população local. |