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Será que existe uma associação entre o nível de hormona anti-mulleriana e o parto pré-termo em gravidez após FIV/ICSI?

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Resumo:INTRODUÇÃO O parto pré-termo (PPT) é um desfecho perinatal adverso que se associa a morbilidade neonatal. A hormona anti-mulleriana (HAM) é um biomarcador preditivo da resposta ovárica à estimulação no âmbito de tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA). Estudos recentes sugerem a associação entre HAM e PPT, nomeadamente em casos de Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP). OBJETIVOS/HIPÓTESES Objetivo primário: avaliar se existe associação entre a HAM e PPT em grávidas resultantes de Fertilização in vitro/Microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (FIV/ICSI) com transferência de embriões a fresco. Objetivo secundário: avaliar se existe associação entre a HAM e baixo peso ao nascimento (peso ao nascimento < percentil 10 para a idade gestacional). MATERIAL E MÉTODOS Estudo retrospetivo da base de dados da Unidade de Medicina da Reprodução (UMR) do Hospital de Santa Maria. Incluíram-se todas as gravidezes que resultaram em parto, após FIV/ICSI com transferência de embriões a fresco e com registo do doseamento de HAM prévio ao tratamento, entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2020. RESULTADOS Dos ciclos realizados, 686 partos cumpriam os critérios de inclusão. Verificaram-se 141 (20,6%) PPT, não se tendo registado associação estatisticamente significativa entre os níveis de HAM e PPT (p=0,18). No subgrupo HAM ≥ 4 ng/ml, verificou-se maior taxa de recém-nascidos com baixo peso ao nascimento comparativamente com o subgrupo com HAM < 4 ng/mL [25,7% (37/144) vs 17,4 % (94/540), p = 0,03]. Esta associação manteve-se estatisticamente significativa na regressão de múltiplas variáveis quando ajustada para gravidez múltipla (OR 1,60, IC 95%: 1,02-2,53, p=0,04).Na nossa amostra, não se verificou associação estatisticamente significativa entre a HAM e PPT. Para níveis de HAM ≥ 4ng/mL, demonstrou-se maior probabilidade de baixo peso ao nascimento. Confirmando-se estes dados, a HAM poderá vir a ser um marcador preditor de baixo peso ao nascimento.
Autores principais:Ramos, Carolina Isabel Duarte
Assunto:Hormona anti-mulleriana Fertilização in vitro Microinjeção intracitoplasmática de espermatozóides (FIV/ICSI) Parto pré-termo Baixo peso ao nascimento. Obstetrícia
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:INTRODUÇÃO O parto pré-termo (PPT) é um desfecho perinatal adverso que se associa a morbilidade neonatal. A hormona anti-mulleriana (HAM) é um biomarcador preditivo da resposta ovárica à estimulação no âmbito de tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA). Estudos recentes sugerem a associação entre HAM e PPT, nomeadamente em casos de Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP). OBJETIVOS/HIPÓTESES Objetivo primário: avaliar se existe associação entre a HAM e PPT em grávidas resultantes de Fertilização in vitro/Microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (FIV/ICSI) com transferência de embriões a fresco. Objetivo secundário: avaliar se existe associação entre a HAM e baixo peso ao nascimento (peso ao nascimento < percentil 10 para a idade gestacional). MATERIAL E MÉTODOS Estudo retrospetivo da base de dados da Unidade de Medicina da Reprodução (UMR) do Hospital de Santa Maria. Incluíram-se todas as gravidezes que resultaram em parto, após FIV/ICSI com transferência de embriões a fresco e com registo do doseamento de HAM prévio ao tratamento, entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2020. RESULTADOS Dos ciclos realizados, 686 partos cumpriam os critérios de inclusão. Verificaram-se 141 (20,6%) PPT, não se tendo registado associação estatisticamente significativa entre os níveis de HAM e PPT (p=0,18). No subgrupo HAM ≥ 4 ng/ml, verificou-se maior taxa de recém-nascidos com baixo peso ao nascimento comparativamente com o subgrupo com HAM < 4 ng/mL [25,7% (37/144) vs 17,4 % (94/540), p = 0,03]. Esta associação manteve-se estatisticamente significativa na regressão de múltiplas variáveis quando ajustada para gravidez múltipla (OR 1,60, IC 95%: 1,02-2,53, p=0,04).Na nossa amostra, não se verificou associação estatisticamente significativa entre a HAM e PPT. Para níveis de HAM ≥ 4ng/mL, demonstrou-se maior probabilidade de baixo peso ao nascimento. Confirmando-se estes dados, a HAM poderá vir a ser um marcador preditor de baixo peso ao nascimento.