Publicação
Infeções protésicas vasculares : uma complicação perioperatória rara, mas potencialmente devastadora : a propósito de um caso
| Resumo: | As próteses vasculares e endovasculares (PVE) fornecem uma via substituta para o fluxo sanguíneo que permite que o segmento doente de um vaso seja reparado, excisado ou contornado através de um bypass. À semelhança de qualquer outro procedimento invasivo, a implantação destas próteses (por cirurgia aberta ou técnicas endovasculares) não é isenta de riscos, realçando-se as infeções que, apesar de infrequentes, constituem uma complicação grave e uma importante causa de morbimortalidade nestes doentes. Ainda que não sejam os principais agentes etiológicos de infeções de próteses vasculares e endovasculares (IPVE), os Enterobacterales devem ser equacionados, particularmente em ambiente nosocomial. Serratia marcescens destaca-se neste grupo por ser um agente etiológico de IPVE raro, mas potencialmente devastador, com um perfil de resistências frequentemente desafiante. Não obstante os avanços na área, as IPVE, particularmente aórticas, seguem frequentemente um curso rápido e catastrófico mesmo quando tratadas atempada e adequadamente. A elaboração de recomendações relativas à sua abordagem diagnóstica e terapêutica e ao seu seguimento revela-se desafiante dada a sua complexidade, condicionada pelos padrões microbiológicos locais e emergência de resistências, e pela grande diversidade de técnicas cirúrgicas atualmente disponíveis. Por conseguinte, a definição de cuidados ótimos nesta área é ainda fonte de discussão. De forma a ilustrar a complexidade da abordagem destas infeções, apresenta-se o caso clínico de uma doente diagnosticada com infeção de prótese endovascular da aorta torácica por S. marcescens produtora de carbapenemases OXA-48 e risco cirúrgico proibitivo. O propósito deste trabalho é abordar os desafios relativos ao diagnóstico, tratamento e seguimento das IPVE, procurando elucidar a evidência atual e, se possível, fornecer respostas às questões que surgem no contexto da abordagem conservadora desta doente (nomeadamente em relação à duração da antibioterapia), dos métodos de monitorização a longo prazo do seu status infecioso (realçando o potencial papel da PET-TC com 18F-FDG num futuro próximo) e das expetativas prognósticas. |
|---|---|
| Autores principais: | Silva, Maria Adelaide Drummond Borges Baptista |
| Assunto: | Próteses vasculares e endovasculares Serratia marcescens Infeções de próteses vasculares e endovasculares Gram negativos multirresistentes Hematoma intramural da aorta Doenças transmissíveis |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As próteses vasculares e endovasculares (PVE) fornecem uma via substituta para o fluxo sanguíneo que permite que o segmento doente de um vaso seja reparado, excisado ou contornado através de um bypass. À semelhança de qualquer outro procedimento invasivo, a implantação destas próteses (por cirurgia aberta ou técnicas endovasculares) não é isenta de riscos, realçando-se as infeções que, apesar de infrequentes, constituem uma complicação grave e uma importante causa de morbimortalidade nestes doentes. Ainda que não sejam os principais agentes etiológicos de infeções de próteses vasculares e endovasculares (IPVE), os Enterobacterales devem ser equacionados, particularmente em ambiente nosocomial. Serratia marcescens destaca-se neste grupo por ser um agente etiológico de IPVE raro, mas potencialmente devastador, com um perfil de resistências frequentemente desafiante. Não obstante os avanços na área, as IPVE, particularmente aórticas, seguem frequentemente um curso rápido e catastrófico mesmo quando tratadas atempada e adequadamente. A elaboração de recomendações relativas à sua abordagem diagnóstica e terapêutica e ao seu seguimento revela-se desafiante dada a sua complexidade, condicionada pelos padrões microbiológicos locais e emergência de resistências, e pela grande diversidade de técnicas cirúrgicas atualmente disponíveis. Por conseguinte, a definição de cuidados ótimos nesta área é ainda fonte de discussão. De forma a ilustrar a complexidade da abordagem destas infeções, apresenta-se o caso clínico de uma doente diagnosticada com infeção de prótese endovascular da aorta torácica por S. marcescens produtora de carbapenemases OXA-48 e risco cirúrgico proibitivo. O propósito deste trabalho é abordar os desafios relativos ao diagnóstico, tratamento e seguimento das IPVE, procurando elucidar a evidência atual e, se possível, fornecer respostas às questões que surgem no contexto da abordagem conservadora desta doente (nomeadamente em relação à duração da antibioterapia), dos métodos de monitorização a longo prazo do seu status infecioso (realçando o potencial papel da PET-TC com 18F-FDG num futuro próximo) e das expetativas prognósticas. |
|---|