Publicação
Não há colonialisno sem tekoába : uma arqueologia das relações e da materialidade entre Tupiniquim e Portugueses na Capitania de São Vicente, Brasil (1502-1700)
| Resumo: | Esta tese de doutoramento apresenta uma abordagem interdisciplinar para investigar as interações entre os povos Tupiniquim e os portugueses que viveram em comunidades cultivadoras da floresta nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, no atual Estado de São Paulo, Brasil. Trata-se de uma pesquisa sobre territorialidade, soberania alimentar, materialidade e suas linguagens, dialogando com teorias e métodos das humanidades para interpretar o contexto arqueológico e histórico dessas relações. O objetivo geral é mostrar que, entre 1502 e 1700, na Capitania de São Vicente, parte dos portugueses adoptaram o modo de vida Tupiniquim, articulando interesses estratégicos, alianças e laços de parentesco. A tese foi dividida em quatro de investigação: 1) mapeamento arqueológico/histórico Tupiniquim e colonial; 2) demografia histórica; 3) território e residência no tekoába (território da aldeia), na tába (aldeia) e ’ók (casa); 4) cultivo da floresta e soberania alimentar. A pesquisa revelou que: 1) a população Tupiniquim preservou sua identidade cultural e resistiu à completa assimilação pelos portugueses; 2) a parte dos portugueses que se aliou aos Tupiniquim preservou sua autonomia frente ao poder colonial, em um fenômeno interpretado como “autonomismo paulista”. Informações sobre as práticas Tupiniquim e de seus descendentes foram sistematicamente levantadas em registos históricos, linguísticos, arqueológicos e antropológicos, revelando a autodeterminação das comunidades e a sustentabilidade na prática do cultivo da floresta. Conclui-se que a abordagem desenvolvida e os resultados alcançados possuem grande potencial para uma nova interpretação do período colonial e da presença Tupiniquim na história de São Paulo, que possa inspirar a população Tupi Guarani de São Paulo, Tupinikin do Espírito Santo e Tupinambá de Olivença a publicar as suas memórias ancestrais e a procurar suas histórias registadas em inúmeras páginas e coleções de materialidade guardadas no Brasil e noutros países. |
|---|---|
| Autores principais: | Noelli, Francisco Silva |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese de doutoramento apresenta uma abordagem interdisciplinar para investigar as interações entre os povos Tupiniquim e os portugueses que viveram em comunidades cultivadoras da floresta nos biomas Mata Atlântica e Cerrado, no atual Estado de São Paulo, Brasil. Trata-se de uma pesquisa sobre territorialidade, soberania alimentar, materialidade e suas linguagens, dialogando com teorias e métodos das humanidades para interpretar o contexto arqueológico e histórico dessas relações. O objetivo geral é mostrar que, entre 1502 e 1700, na Capitania de São Vicente, parte dos portugueses adoptaram o modo de vida Tupiniquim, articulando interesses estratégicos, alianças e laços de parentesco. A tese foi dividida em quatro de investigação: 1) mapeamento arqueológico/histórico Tupiniquim e colonial; 2) demografia histórica; 3) território e residência no tekoába (território da aldeia), na tába (aldeia) e ’ók (casa); 4) cultivo da floresta e soberania alimentar. A pesquisa revelou que: 1) a população Tupiniquim preservou sua identidade cultural e resistiu à completa assimilação pelos portugueses; 2) a parte dos portugueses que se aliou aos Tupiniquim preservou sua autonomia frente ao poder colonial, em um fenômeno interpretado como “autonomismo paulista”. Informações sobre as práticas Tupiniquim e de seus descendentes foram sistematicamente levantadas em registos históricos, linguísticos, arqueológicos e antropológicos, revelando a autodeterminação das comunidades e a sustentabilidade na prática do cultivo da floresta. Conclui-se que a abordagem desenvolvida e os resultados alcançados possuem grande potencial para uma nova interpretação do período colonial e da presença Tupiniquim na história de São Paulo, que possa inspirar a população Tupi Guarani de São Paulo, Tupinikin do Espírito Santo e Tupinambá de Olivença a publicar as suas memórias ancestrais e a procurar suas histórias registadas em inúmeras páginas e coleções de materialidade guardadas no Brasil e noutros países. |
|---|