Publicação
Characterization and selection of the Lusitano horse breed
| Resumo: | Um estudo aprofundado de caracterização genética e estratégias de seleção na raça equina Lusitana foi realizado para identificar os principais fatores que afetam a variabilidade genética desta população e fornecer informações para o delineamento de um programa de melhoramento genético sustentável. Foi analisada a informação genealógica registada entre 1824-2009, incluindo 53417 animais. O intervalo de gerações médio foi de 11.33±5.23 e 9.71±4.48 anos para garanhões e éguas, respetivamente. Os animais nascidos entre 2005 e 2009 tiveram um número médio de gerações conhecidas de 11.20±0.71 e consanguinidade média de 11.34±7.48%. O aumento anual da consanguinidade foi de 0.173±0.070, a que corresponde um tamanho efetivo da população de 28. O número efetivo de fundadores, ascendentes e coudelarias fundadoras foi de 27.5, 11.7 e 5.4, respetivamente. Estes resultados refletem uma forte ênfase em algumas linhas e indicam a necessidade de uma gestão cuidadosa da diversidade genética para o futuro. Foram utilizados modelos mistos para estimar parâmetros genéticos, efeitos fixos e predizer valores genéticos para características morfo-funcionais por análises uni e multivariadas. Os caracteres morfológicos incluídos foram as pontuações parciais atribuídas a mais de 18 mil animais na sua inscrição como reprodutores (classificação de cabeça/pescoço, espádua/garrote, peitoral/costado, dorso/rim, garupa, membros e conjunto de formas), para além da pontuação final (FS), altura ao garrote (HW) e andamentos (GA). Funcionalmente foram considerados os resultados das provas de ensino (WEDT) e maneabilidade (WEMT) em Equitação de Trabalho (WE, cerca de 1500 resultados em 200 cavalos), e Dressage (CD, cerca de 12000 resultados em 760 cavalos). Os efeitos fixos para a morfologia foram a coudelaria, ano, sexo, consanguinidade e idade. Para a funcionalidade foram a prova, nível de competição, sexo, consanguinidade e idade. A heritabilidade estimada (h2) para as pontuações morfológicas parciais variou entre 0.12 e 0.18, à exceção dos membros (0.07). Foi também de 0.18 para FS, 0.61 para HW e 0.17 para GA. Para a performance a h2 foi de 0.32 (WEDT e CD) e 0.18 (WEMT). As correlações genéticas entre os vários componentes parciais de morfologia foram positivas mas muito variáveis (0.08-0.77). As relações genéticas entre morfologia e funcionalidade foram favoráveis, indicando que a morfologia/andamentos podem ser usados como caracteres complementares na seleção para a WE ou CD. A depressão consanguínea foi de magnitude muito reduzida para todos os caracteres analisados. Os valores genéticos estimados para a morfologia e funcionalidade apresentam grande variabilidade, mostrando que a seleção pode ser eficaz, mas a tendência genética observada ao longo dos últimos anos foi moderadamente positiva. Compararam-se ainda duas fontes diferentes de informação (pedigrees vs microssatélites) enquanto indicadores da diversidade genética e estrutura populacional do cavalo Lusitano. Para além das genealogias completas, foram utilizados dados sobre 6 ou 8 microssatélites genotipados em cerca de 19 mil Lusitanos entre 1998-2007. A consanguinidade obtida via genealogias revelou-se melhor estimador da consanguinidade molecular do que o inverso, mas apresentou uma correlação modesta com a heterozigotia multilocus (6% da variabilidade explicada). As taxas de consanguinidade por geração estimadas pelos dois métodos foram semelhantes. As distâncias genéticas entre as principais coudelarias foram comparáveis (correlação entre distâncias genéticas FST de 0.82). Globalmente, os parâmetros calculados a partir de informação genealógica são melhores preditores dos indicadores moleculares. No entanto, ao nível da população, os parâmetros de diversidade genética estimados, tendências ao longo do tempo e subestrutura da população são muito semelhantes quando estimados pelo pedigree ou por marcadores microssatélites. |
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| Autores principais: | Vicente, António Pedro Andrade |
| Assunto: | Puro-sangue Lusitano Demografia Consanguinidade Parâmetros genéticos Correlações genéticas Correlações fenotípicas Heritabilidade Avaliação genética Microssatélites Lusitano horse breed Demography Inbreeding Genetic parameters Genetic and phenotypic correlations Heritability Genetic evaluation Microsatellite markers |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Um estudo aprofundado de caracterização genética e estratégias de seleção na raça equina Lusitana foi realizado para identificar os principais fatores que afetam a variabilidade genética desta população e fornecer informações para o delineamento de um programa de melhoramento genético sustentável. Foi analisada a informação genealógica registada entre 1824-2009, incluindo 53417 animais. O intervalo de gerações médio foi de 11.33±5.23 e 9.71±4.48 anos para garanhões e éguas, respetivamente. Os animais nascidos entre 2005 e 2009 tiveram um número médio de gerações conhecidas de 11.20±0.71 e consanguinidade média de 11.34±7.48%. O aumento anual da consanguinidade foi de 0.173±0.070, a que corresponde um tamanho efetivo da população de 28. O número efetivo de fundadores, ascendentes e coudelarias fundadoras foi de 27.5, 11.7 e 5.4, respetivamente. Estes resultados refletem uma forte ênfase em algumas linhas e indicam a necessidade de uma gestão cuidadosa da diversidade genética para o futuro. Foram utilizados modelos mistos para estimar parâmetros genéticos, efeitos fixos e predizer valores genéticos para características morfo-funcionais por análises uni e multivariadas. Os caracteres morfológicos incluídos foram as pontuações parciais atribuídas a mais de 18 mil animais na sua inscrição como reprodutores (classificação de cabeça/pescoço, espádua/garrote, peitoral/costado, dorso/rim, garupa, membros e conjunto de formas), para além da pontuação final (FS), altura ao garrote (HW) e andamentos (GA). Funcionalmente foram considerados os resultados das provas de ensino (WEDT) e maneabilidade (WEMT) em Equitação de Trabalho (WE, cerca de 1500 resultados em 200 cavalos), e Dressage (CD, cerca de 12000 resultados em 760 cavalos). Os efeitos fixos para a morfologia foram a coudelaria, ano, sexo, consanguinidade e idade. Para a funcionalidade foram a prova, nível de competição, sexo, consanguinidade e idade. A heritabilidade estimada (h2) para as pontuações morfológicas parciais variou entre 0.12 e 0.18, à exceção dos membros (0.07). Foi também de 0.18 para FS, 0.61 para HW e 0.17 para GA. Para a performance a h2 foi de 0.32 (WEDT e CD) e 0.18 (WEMT). As correlações genéticas entre os vários componentes parciais de morfologia foram positivas mas muito variáveis (0.08-0.77). As relações genéticas entre morfologia e funcionalidade foram favoráveis, indicando que a morfologia/andamentos podem ser usados como caracteres complementares na seleção para a WE ou CD. A depressão consanguínea foi de magnitude muito reduzida para todos os caracteres analisados. Os valores genéticos estimados para a morfologia e funcionalidade apresentam grande variabilidade, mostrando que a seleção pode ser eficaz, mas a tendência genética observada ao longo dos últimos anos foi moderadamente positiva. Compararam-se ainda duas fontes diferentes de informação (pedigrees vs microssatélites) enquanto indicadores da diversidade genética e estrutura populacional do cavalo Lusitano. Para além das genealogias completas, foram utilizados dados sobre 6 ou 8 microssatélites genotipados em cerca de 19 mil Lusitanos entre 1998-2007. A consanguinidade obtida via genealogias revelou-se melhor estimador da consanguinidade molecular do que o inverso, mas apresentou uma correlação modesta com a heterozigotia multilocus (6% da variabilidade explicada). As taxas de consanguinidade por geração estimadas pelos dois métodos foram semelhantes. As distâncias genéticas entre as principais coudelarias foram comparáveis (correlação entre distâncias genéticas FST de 0.82). Globalmente, os parâmetros calculados a partir de informação genealógica são melhores preditores dos indicadores moleculares. No entanto, ao nível da população, os parâmetros de diversidade genética estimados, tendências ao longo do tempo e subestrutura da população são muito semelhantes quando estimados pelo pedigree ou por marcadores microssatélites. |
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