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Microbiota parasitário gastrointestinal de frangos do campo e seu controlo biológico com fungos nematófagos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho procurou caracterizar o microbiota parasitário gastrointestinal de Frangos do Campo, na fase de engorda e ao longo das quatro estações do ano, bem como visou testar a utilização de fungos nematófagos para o controlo biológico dos principais parasitas gastrointestinais avícolas. Foram realizadas oito amostragens fecais ao longo de todas as estações, numa exploração agropecuária situada no distrito de Lisboa. As amostras foram analisadas por métodos coprológicos quantitativos (McMaster e Mini-FLOTAC) e qualitativos (Flutuação-Willis, Sedimentação Natural, Coproculturas de Oocistos e Larvas de Nemátodes). Os ensaios de Controlo Biológico foram realizados em meio agar-água (2 %), confrontando larvas de Nemátodes de Vida Livre (NVL) e oocistos de Eimeria spp. com suspensões de Mucor circinelloides e Duddingtonia flagrans, bem como em caixas de plástico no solo, onde se testou a atividade coccidicida de M. circinelloides sobre as coccídias, nas quatro estações do ano. No Verão foram identificados sobretudo parasitas do género Eimeria, registando-se um aumento significativo na carga parasitária fecal, entre as duas amostragens. Na coprocultura de oocistos da 2ª amostra identificaram-se praticamente todas as espécies de coccídias, fruto do seu estado avançado de desenvolvimento no solo. O Outono foi a estação com mais casos positivos de coccídias, sendo que na 1ª colheita os animais apresentavam quadros de coccidiose clínica. Aliado ao clima, a redução da área do parque aumentou a densidade animal e, por conseguinte, facilitou a disseminação de oocistos no bando. Após desparasitação com Amprólio, ocorreu uma redução significativa na carga parasitária fecal de coccídias. No Inverno, o efetivo encontrava-se subdividido em dois grupos etários, sendo que nos frangos com 64 dias, identificaram-se somente E. brunetti e E. tenella, com prevalências reduzidas, resultados estes que já eram esperados, dado que os animais estavam no 4º dia de desparasitação. Já o efetivo com 114 dias apresentava uma prevalência bastante elevada de Eimeria spp., tendo sido identificadas todas as espécies de coccídias. Na 2ª amostra, o grupo mais jovem exibiu uma prevalência global de coccídias igual a 92%. Fatores como um período pré-patente curto, densidade animal elevada e uma eventual resistência ao desparasitante, poderão ter influenciado estes resultados. Na Primavera foram identificadas praticamente todas as espécies de Eimeria sp. na 1ª amostra, embora na coprocultura de oocistos tenha somente esporulado E. mitis, permitindo inferir sobre o impacto do desparasitante aplicado sobre a atividade esporulatória das coccídias. Ao nível dos ensaios de Controlo Biológico, tanto laboratorialmente, como em caixas de plástico no solo, foi identificada com sucesso atividade coccidicida de M. circinelloides face às coccídias, tendo sido detetados oocistos com alterações morfológicas e paredes destruídas. Também se visualizou atividade larvicida de D. flagrans sobre larvas de NVL. Com a aplicação da técnica de Mini-FLOTAC em 40 amostras fecais obteve-se uma maior carga parasitária fecal (2669,3 OoPG), comparativamente com os resultados do método de McMaster (1220 OoPG). Embora a sua diferença não tenha sido estatisticamente significativa, estes resultados sugerem a aplicação do Mini-FLOTAC para quantificação de oocistos de Eimeria spp. em amostras fecais de aves. Os resultados obtidos com este estudo permitem concluir que efetivamente o clima é uma variável determinante na evolução do microbiota parasitário gastrointestinal em aves produzidas ao ar livre, bem como sugerem a aplicação de fungos nematófagos no Controlo Biológico dos principais parasitas gastrointestinais das aves, sendo necessários estudos futuros in vivo, através da realização de ensaios de alimentação animal.
Autores principais:Lozano, João Miguel Pestana
Assunto:Frango do Campo Parasitas gastrointestinais Eimeria spp Controlo biológico Mucor circinelloides Duddingtonia flagrans Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente trabalho procurou caracterizar o microbiota parasitário gastrointestinal de Frangos do Campo, na fase de engorda e ao longo das quatro estações do ano, bem como visou testar a utilização de fungos nematófagos para o controlo biológico dos principais parasitas gastrointestinais avícolas. Foram realizadas oito amostragens fecais ao longo de todas as estações, numa exploração agropecuária situada no distrito de Lisboa. As amostras foram analisadas por métodos coprológicos quantitativos (McMaster e Mini-FLOTAC) e qualitativos (Flutuação-Willis, Sedimentação Natural, Coproculturas de Oocistos e Larvas de Nemátodes). Os ensaios de Controlo Biológico foram realizados em meio agar-água (2 %), confrontando larvas de Nemátodes de Vida Livre (NVL) e oocistos de Eimeria spp. com suspensões de Mucor circinelloides e Duddingtonia flagrans, bem como em caixas de plástico no solo, onde se testou a atividade coccidicida de M. circinelloides sobre as coccídias, nas quatro estações do ano. No Verão foram identificados sobretudo parasitas do género Eimeria, registando-se um aumento significativo na carga parasitária fecal, entre as duas amostragens. Na coprocultura de oocistos da 2ª amostra identificaram-se praticamente todas as espécies de coccídias, fruto do seu estado avançado de desenvolvimento no solo. O Outono foi a estação com mais casos positivos de coccídias, sendo que na 1ª colheita os animais apresentavam quadros de coccidiose clínica. Aliado ao clima, a redução da área do parque aumentou a densidade animal e, por conseguinte, facilitou a disseminação de oocistos no bando. Após desparasitação com Amprólio, ocorreu uma redução significativa na carga parasitária fecal de coccídias. No Inverno, o efetivo encontrava-se subdividido em dois grupos etários, sendo que nos frangos com 64 dias, identificaram-se somente E. brunetti e E. tenella, com prevalências reduzidas, resultados estes que já eram esperados, dado que os animais estavam no 4º dia de desparasitação. Já o efetivo com 114 dias apresentava uma prevalência bastante elevada de Eimeria spp., tendo sido identificadas todas as espécies de coccídias. Na 2ª amostra, o grupo mais jovem exibiu uma prevalência global de coccídias igual a 92%. Fatores como um período pré-patente curto, densidade animal elevada e uma eventual resistência ao desparasitante, poderão ter influenciado estes resultados. Na Primavera foram identificadas praticamente todas as espécies de Eimeria sp. na 1ª amostra, embora na coprocultura de oocistos tenha somente esporulado E. mitis, permitindo inferir sobre o impacto do desparasitante aplicado sobre a atividade esporulatória das coccídias. Ao nível dos ensaios de Controlo Biológico, tanto laboratorialmente, como em caixas de plástico no solo, foi identificada com sucesso atividade coccidicida de M. circinelloides face às coccídias, tendo sido detetados oocistos com alterações morfológicas e paredes destruídas. Também se visualizou atividade larvicida de D. flagrans sobre larvas de NVL. Com a aplicação da técnica de Mini-FLOTAC em 40 amostras fecais obteve-se uma maior carga parasitária fecal (2669,3 OoPG), comparativamente com os resultados do método de McMaster (1220 OoPG). Embora a sua diferença não tenha sido estatisticamente significativa, estes resultados sugerem a aplicação do Mini-FLOTAC para quantificação de oocistos de Eimeria spp. em amostras fecais de aves. Os resultados obtidos com este estudo permitem concluir que efetivamente o clima é uma variável determinante na evolução do microbiota parasitário gastrointestinal em aves produzidas ao ar livre, bem como sugerem a aplicação de fungos nematófagos no Controlo Biológico dos principais parasitas gastrointestinais das aves, sendo necessários estudos futuros in vivo, através da realização de ensaios de alimentação animal.