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A especulação das cores

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Bibliographic Details
Summary:A produção da cor sofreu significativas alterações, quer no que diz respeito aos pigmentos, substâncias e instrumentos utilizados, quer em relação aos próprios processos de fabrico. Paralelamente, os nomes das cores também sofreram modificações: se alguns se conservaram, também se introduziram novas designações e outras mudaram. O resultado dessas mudanças é que aos olhos de um observador atual, muitas das antigas designações se tornaram completamente opacas. Cada língua elaborou o seu próprio elenco de nomes de cores e esse elenco tem, em cada língua, uma história singular. Por isso, tal como em qualquer outro plano de análise linguística, estudar o léxico que designa as cores implica observar a variação entre formas e a seleção de algumas em prejuízo de outras. Acresce que o estudo do léxico da cor coloca problemas específicos, já que não são apenas os nomes das cores que variam no tempo: é provável que a própria perceção das cores que os nomes designam tenha mudado. Se a distinção entre cores corresponder a um espectro dinâmico que foi, em épocas distintas, preenchido por diferentes nomes, então as cores que os nomes designam nem sempre foram aquelas a que atualmente se referem. E se é certo que a perceção das cores varia de pessoa para pessoa, também é certo que varia de sistema linguístico para sistema linguístico. Compreender essa variação na sincronia não é fácil; na diacronia torna-se ainda mais complicado.
Main Authors:Cardeira, Esperança
Other Authors:Villalva, Alina; Silvestre, João Paulo
Year:2016
Country:Portugal
Document type:book part
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A produção da cor sofreu significativas alterações, quer no que diz respeito aos pigmentos, substâncias e instrumentos utilizados, quer em relação aos próprios processos de fabrico. Paralelamente, os nomes das cores também sofreram modificações: se alguns se conservaram, também se introduziram novas designações e outras mudaram. O resultado dessas mudanças é que aos olhos de um observador atual, muitas das antigas designações se tornaram completamente opacas. Cada língua elaborou o seu próprio elenco de nomes de cores e esse elenco tem, em cada língua, uma história singular. Por isso, tal como em qualquer outro plano de análise linguística, estudar o léxico que designa as cores implica observar a variação entre formas e a seleção de algumas em prejuízo de outras. Acresce que o estudo do léxico da cor coloca problemas específicos, já que não são apenas os nomes das cores que variam no tempo: é provável que a própria perceção das cores que os nomes designam tenha mudado. Se a distinção entre cores corresponder a um espectro dinâmico que foi, em épocas distintas, preenchido por diferentes nomes, então as cores que os nomes designam nem sempre foram aquelas a que atualmente se referem. E se é certo que a perceção das cores varia de pessoa para pessoa, também é certo que varia de sistema linguístico para sistema linguístico. Compreender essa variação na sincronia não é fácil; na diacronia torna-se ainda mais complicado.