Publicação
Avaliação da resposta anti-inflamatória de um extrato de Vaccinium corymbosum (mirtilo) num modelo de artrite reumatoide
| Resumo: | Os mirtilos pertencem ao grupo dos frutos vermelhos, vulgarmente conhecidos pelos seus efeitos benefícios na saúde, principalmente devido ao elevado teor de compostos fenólicos. Estes compostos já foram amplamente estudados e está comprovada que a sua ação está relacionada com a atividade antioxidante e anti-inflamatória, entre muitas outras. O principal objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade anti-inflamatória do extrato de mirtilos num modelo animal de artrite reumatóide e para tal preparou-se um extrato recorrendo à variedade Southern Highbush, da espécie Vaccinium corymbosum. Inicialmente testaram-se vários solventes extratantes e diferentes modos de preparação da amostra, com o intuito de determinar qual a melhor metodologia de extração para estes compostos. O extrato resultante da extração com etanol:água 60% e trituração com azoto líquido apresentou o maior teor em fenóis totais. Como tal para a preparação do extrato que foi administrado aos animais utilizou-se este procedimento e procedeu-se à caracterização dos compostos fenólicos presentes no extrato, por ensaios espetrofotométricos (determinação de fenóis, antocianinas, flavonóides, taninos hidrolisáveis e procianidinas totais) e ensaios cromatográficos (HPLC-DAD-ED e LC-DAD-ESI-MS/MS). A atividade antioxidante foi avaliada por ensaios químicos ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity), HORAC (Hydroxyl Radical Antioxidant Capacity) e intracelulares, tendo-se obtido valores de 2286,9 μmol de equivalentes de Trolox/100 gramas e 599,8 μmol de equivalentes de ácido cafeico/100 gramas para as primeiras duas técnicas respetivamente. Na avaliação da capacidade antioxidante intracelular verificou-se que para o extrato com uma concentração de 18 μg/ml (concentração mais alta estudada) a inibição da oxidação do luminol foi aproximadamente de 90%. À exceção da concentração mais baixa (0,6 μg/ml), todas as outras concentrações testadas protegeram de forma significativa o luminol da oxidação. Para o estudo da inflamação aguda, num modelo de edema da pata induzido pela carragenina, administrou-se uma dose única do extrato de mirtilos (12,5 mg de fenóis totais/kg de rato), por via oral. Após análise estatística dos resultados relativos à percentagem de aumento do volume da pata, pelo teste ANOVA e de Bonferroni, concluiu-se que a administração oral do extrato de mirtilos induziu em 30% a inibição da inflamação, comparativamente com a carragenina. No ensaio da inflamação crónica com a duração de 35 dias, num modelo de artrite reumatóide (AR) induzida por colagénio tipo II (CII), administrou-se por via oral o extrato com a mesma concentração do ensaio anterior. A redução do edema nas patas dos animais tratados foi cerca de 70%, e a maioria dos animais não apresentava edema visível no fim do ensaio. A análise radiográfica das patas destes animais revelou que tanto as articulações como o osso não apresentavam erosão nem lesões significativas comparativamente com o grupo de controlo positivo, o que sugere que o extrato de mirtilo induz a diminuição tanto do edema como das lesões articulares, evitando a progressão da inflamação e, consequentemente, diminuindo os seus sinais. |
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| Autores principais: | Oliveira, Mónica Ferreira |
| Assunto: | Mirtilos Compostos fenólicos Antioxidante Anti-inflamatório Inflamação Edema Artrite reumatóide Teses de mestrado - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os mirtilos pertencem ao grupo dos frutos vermelhos, vulgarmente conhecidos pelos seus efeitos benefícios na saúde, principalmente devido ao elevado teor de compostos fenólicos. Estes compostos já foram amplamente estudados e está comprovada que a sua ação está relacionada com a atividade antioxidante e anti-inflamatória, entre muitas outras. O principal objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade anti-inflamatória do extrato de mirtilos num modelo animal de artrite reumatóide e para tal preparou-se um extrato recorrendo à variedade Southern Highbush, da espécie Vaccinium corymbosum. Inicialmente testaram-se vários solventes extratantes e diferentes modos de preparação da amostra, com o intuito de determinar qual a melhor metodologia de extração para estes compostos. O extrato resultante da extração com etanol:água 60% e trituração com azoto líquido apresentou o maior teor em fenóis totais. Como tal para a preparação do extrato que foi administrado aos animais utilizou-se este procedimento e procedeu-se à caracterização dos compostos fenólicos presentes no extrato, por ensaios espetrofotométricos (determinação de fenóis, antocianinas, flavonóides, taninos hidrolisáveis e procianidinas totais) e ensaios cromatográficos (HPLC-DAD-ED e LC-DAD-ESI-MS/MS). A atividade antioxidante foi avaliada por ensaios químicos ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity), HORAC (Hydroxyl Radical Antioxidant Capacity) e intracelulares, tendo-se obtido valores de 2286,9 μmol de equivalentes de Trolox/100 gramas e 599,8 μmol de equivalentes de ácido cafeico/100 gramas para as primeiras duas técnicas respetivamente. Na avaliação da capacidade antioxidante intracelular verificou-se que para o extrato com uma concentração de 18 μg/ml (concentração mais alta estudada) a inibição da oxidação do luminol foi aproximadamente de 90%. À exceção da concentração mais baixa (0,6 μg/ml), todas as outras concentrações testadas protegeram de forma significativa o luminol da oxidação. Para o estudo da inflamação aguda, num modelo de edema da pata induzido pela carragenina, administrou-se uma dose única do extrato de mirtilos (12,5 mg de fenóis totais/kg de rato), por via oral. Após análise estatística dos resultados relativos à percentagem de aumento do volume da pata, pelo teste ANOVA e de Bonferroni, concluiu-se que a administração oral do extrato de mirtilos induziu em 30% a inibição da inflamação, comparativamente com a carragenina. No ensaio da inflamação crónica com a duração de 35 dias, num modelo de artrite reumatóide (AR) induzida por colagénio tipo II (CII), administrou-se por via oral o extrato com a mesma concentração do ensaio anterior. A redução do edema nas patas dos animais tratados foi cerca de 70%, e a maioria dos animais não apresentava edema visível no fim do ensaio. A análise radiográfica das patas destes animais revelou que tanto as articulações como o osso não apresentavam erosão nem lesões significativas comparativamente com o grupo de controlo positivo, o que sugere que o extrato de mirtilo induz a diminuição tanto do edema como das lesões articulares, evitando a progressão da inflamação e, consequentemente, diminuindo os seus sinais. |
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