Publicação
Os professores e a formação pessoal e social dos alunos : do que pensam ao que dizem fazer
| Resumo: | Este estudo procurou compreender o que é que os professores pensam sobre o seu papel de promotores da formação pessoal e social dos jovens; averiguar até que ponto eles consideram que contribuem para essa formação, através daquilo que dizem fazer na sala de aula (a sua actuação prática); perceber de que forma as crenças e a reflexividade contribuem para a sua própria predisposição para a formação dos jovens. A orientação teórica deste estudo e o seu enquadramento conceptual foram definidos, tendo em conta as propostas de Nespor (1987), Pajares (1992), Thompson (1992), Fang (1996) e Trigo-Santos (1996) no que se refere às crenças. Em relação à reflexividade optou-se por seguir as propostas de Zeichner (1993), de Bright (1995), de Sanches (1995) e de Villar (1995). Quanto à actuação prática consideraram-se as propostas de Chantraine-Demailly (1992), de Koehler e Grouws (1992). de Schön (1992) e de Van Manen (1995). A formação pessoal e social dos alunos foi considerada tendo por base alguns aspectos das propostas de Cunha (1996), de Rocha (1996), de Fernandes (1997), de Nieva (1997) e de Rodriguez (1997). As opções metodológicas foram definidas pelo próprio problema de investigação e assim optou-se por uma metodologia de natureza qualitativa, onde, através da interpretação do que cada um dos intervenientes no estudo diz, se procurou chegar à especificidade do fenómeno em análise. Assim, foi dada particular importância à forma como a investigadora se iria integrar no contexto, assim como ao relacionamento que iria estabelecer com os participantes. A recolha de dados foi um dos momentos importantes deste estudo e foram procuradas as condições para que a mesma tivesse em consideração cada um dos participantes do estudo, tendo sempre subjacente os princípios éticos definidos. Foram utilizadas entrevistas individuais, semi-estruturadas, onde se procurou seguir os preceitos definidos na metodologia para se conseguir entrar no mundo particular de cada um dos participantes no estudo. A análise dos resultados permitiu concluir que os participantes no estudo, apesar de revelarem algumas diferenças que os tomam particulares, apresentam, no que é fundamental para este estudo, traços comuns que levaram a que se optasse por analisar sem fazer agrupamentos especiais, os resultados obtidos. Assim, os resultados evidenciam a importância das crenças no pensamento e na predisposição para a acção dos professores. Estas são muito consistentes e desenvolvem-se a partir de matrizes construídas no seu tempo de alunos, enraizadas na ideia da aula "magistral" e do professor como transmissor de conteúdos, tornando difícil um entendimento ou interiorização das mudanças significativas que se efectuaram na educação e na sociedade portuguesa. Esta dificuldade é mais evidente quando se tenta perceber de que maneira os professores concretizam, na sua actuação, alguns dos aspectos fundamentais em termos da formação pessoal e social dos alunos. Na entanto, apesar destas evidências, os professores do estudo ao introduzirem aspectos como o afecto, o diálogo, o bom ambiente na sala de aula como preocupações a ter em consideração na sua actuação deixam "a porta aberta" a que, através de uma reflexividade crítica e eficaz seja possível o seu desenvolvimento profissional, em particular, em áreas sensíveis para a formação pessoal e social tais como a promoção da autonomia, o respeito pela diversidade e a educação para a democracia e para a cidadania. |
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| Autores principais: | Almeida, Evangelina Maria Leiria Mendes de |
| Assunto: | Alunos Crença Professores Formação pessoal e social Teses de mestrado - 1998 |
| Ano: | 1998 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este estudo procurou compreender o que é que os professores pensam sobre o seu papel de promotores da formação pessoal e social dos jovens; averiguar até que ponto eles consideram que contribuem para essa formação, através daquilo que dizem fazer na sala de aula (a sua actuação prática); perceber de que forma as crenças e a reflexividade contribuem para a sua própria predisposição para a formação dos jovens. A orientação teórica deste estudo e o seu enquadramento conceptual foram definidos, tendo em conta as propostas de Nespor (1987), Pajares (1992), Thompson (1992), Fang (1996) e Trigo-Santos (1996) no que se refere às crenças. Em relação à reflexividade optou-se por seguir as propostas de Zeichner (1993), de Bright (1995), de Sanches (1995) e de Villar (1995). Quanto à actuação prática consideraram-se as propostas de Chantraine-Demailly (1992), de Koehler e Grouws (1992). de Schön (1992) e de Van Manen (1995). A formação pessoal e social dos alunos foi considerada tendo por base alguns aspectos das propostas de Cunha (1996), de Rocha (1996), de Fernandes (1997), de Nieva (1997) e de Rodriguez (1997). As opções metodológicas foram definidas pelo próprio problema de investigação e assim optou-se por uma metodologia de natureza qualitativa, onde, através da interpretação do que cada um dos intervenientes no estudo diz, se procurou chegar à especificidade do fenómeno em análise. Assim, foi dada particular importância à forma como a investigadora se iria integrar no contexto, assim como ao relacionamento que iria estabelecer com os participantes. A recolha de dados foi um dos momentos importantes deste estudo e foram procuradas as condições para que a mesma tivesse em consideração cada um dos participantes do estudo, tendo sempre subjacente os princípios éticos definidos. Foram utilizadas entrevistas individuais, semi-estruturadas, onde se procurou seguir os preceitos definidos na metodologia para se conseguir entrar no mundo particular de cada um dos participantes no estudo. A análise dos resultados permitiu concluir que os participantes no estudo, apesar de revelarem algumas diferenças que os tomam particulares, apresentam, no que é fundamental para este estudo, traços comuns que levaram a que se optasse por analisar sem fazer agrupamentos especiais, os resultados obtidos. Assim, os resultados evidenciam a importância das crenças no pensamento e na predisposição para a acção dos professores. Estas são muito consistentes e desenvolvem-se a partir de matrizes construídas no seu tempo de alunos, enraizadas na ideia da aula "magistral" e do professor como transmissor de conteúdos, tornando difícil um entendimento ou interiorização das mudanças significativas que se efectuaram na educação e na sociedade portuguesa. Esta dificuldade é mais evidente quando se tenta perceber de que maneira os professores concretizam, na sua actuação, alguns dos aspectos fundamentais em termos da formação pessoal e social dos alunos. Na entanto, apesar destas evidências, os professores do estudo ao introduzirem aspectos como o afecto, o diálogo, o bom ambiente na sala de aula como preocupações a ter em consideração na sua actuação deixam "a porta aberta" a que, através de uma reflexividade crítica e eficaz seja possível o seu desenvolvimento profissional, em particular, em áreas sensíveis para a formação pessoal e social tais como a promoção da autonomia, o respeito pela diversidade e a educação para a democracia e para a cidadania. |
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