Publicação
Colecistite bacteriana em cães : estudo de sete casos clínicos
| Resumo: | As doenças hepatobiliares em cães abrangem diversos processos patológicos cuja caracterização é inespecífica, isto é, as apresentações clínicas e alterações clinicopatológicas não diferem, de forma significativa, nas patologias a que correspondem. A colecistite bacteriana desenvolve-se a partir de uma alteração na circulação enterohepática que leva à passagem transmural de microrganismos para a veia porta, atingindo a vesícula biliar através da circulação portal, o que provoca alterações do fluxo biliar no sistema ductal, tornando permissiva a entrada de bactérias para o interior da vesícula biliar. Quando os mecanismos de defesa da vesícula biliar se encontram afetados, a colestase, associada ao aumento da pressão de bílis, por retenção da mesma, e o aumento do tempo de contacto dos ácidos biliares com o epitélio biliar, predispõem a infeção e possível lesão do órgão. Assim, foram recolhidos dados de sete casos clínicos, cujo diagnóstico presuntivo (e posteriormente confirmado) foi de colecistite bacteriana, e feita a caracterização de todos os dados referentes à patologia para uma melhor compreensão e estudo da mesma. A média de idade dos casos ao diagnóstico foi de 9,7, não havendo sugestão de predisposição para o género. Os sinais clínicos com maior representação foram o vómito (n=4), a diarreia (n=4) e a dor abdominal (n=4). Os achados clinico-patológicos mais relevantes foram o aumento dos valores das enzimas hepáticas (n=4) e a hiperbilirrubinemia (n=2). À ecografia, foram detetados a presença de sedimento biliar (n=7), o aumento da espessura da parede da vesícula biliar (n=3) e a hiperecogenicidade do parênquima hepático (n=3). Os isolados bacterianos mostraram uma maior representação de Staphylococcus spp. (n=3). Procedeu-se à resolução cirúrgica com remoção da vesícula biliar (n=4) e à terapêutica com recurso a antibióticos direcionados ao agente bacteriano identificado (n=3). A associação dos diversos parâmetros de diagnóstico, nomeadamente, medição das enzimas hepáticas, bilirrubina sérica, ecografia abdominal e cultura bacteriana do conteúdo biliar, promovem um maior e mais célere alcance do diagnóstico definitivo, potenciando o prognóstico favorável na evolução da doença. |
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| Autores principais: | Couteiro, Mafalda da Conceição Mendes Pereira |
| Assunto: | Colecistite Flora bacteriana Cão Bílis Vesícula biliar Cholecystitis Bacterial flora Dog Bile Gallbladder |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As doenças hepatobiliares em cães abrangem diversos processos patológicos cuja caracterização é inespecífica, isto é, as apresentações clínicas e alterações clinicopatológicas não diferem, de forma significativa, nas patologias a que correspondem. A colecistite bacteriana desenvolve-se a partir de uma alteração na circulação enterohepática que leva à passagem transmural de microrganismos para a veia porta, atingindo a vesícula biliar através da circulação portal, o que provoca alterações do fluxo biliar no sistema ductal, tornando permissiva a entrada de bactérias para o interior da vesícula biliar. Quando os mecanismos de defesa da vesícula biliar se encontram afetados, a colestase, associada ao aumento da pressão de bílis, por retenção da mesma, e o aumento do tempo de contacto dos ácidos biliares com o epitélio biliar, predispõem a infeção e possível lesão do órgão. Assim, foram recolhidos dados de sete casos clínicos, cujo diagnóstico presuntivo (e posteriormente confirmado) foi de colecistite bacteriana, e feita a caracterização de todos os dados referentes à patologia para uma melhor compreensão e estudo da mesma. A média de idade dos casos ao diagnóstico foi de 9,7, não havendo sugestão de predisposição para o género. Os sinais clínicos com maior representação foram o vómito (n=4), a diarreia (n=4) e a dor abdominal (n=4). Os achados clinico-patológicos mais relevantes foram o aumento dos valores das enzimas hepáticas (n=4) e a hiperbilirrubinemia (n=2). À ecografia, foram detetados a presença de sedimento biliar (n=7), o aumento da espessura da parede da vesícula biliar (n=3) e a hiperecogenicidade do parênquima hepático (n=3). Os isolados bacterianos mostraram uma maior representação de Staphylococcus spp. (n=3). Procedeu-se à resolução cirúrgica com remoção da vesícula biliar (n=4) e à terapêutica com recurso a antibióticos direcionados ao agente bacteriano identificado (n=3). A associação dos diversos parâmetros de diagnóstico, nomeadamente, medição das enzimas hepáticas, bilirrubina sérica, ecografia abdominal e cultura bacteriana do conteúdo biliar, promovem um maior e mais célere alcance do diagnóstico definitivo, potenciando o prognóstico favorável na evolução da doença. |
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