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Rhipicephalus sanguineus group (Acari: Ixodida) of western Iberia Peninsula and Africa: mitochondrial lineages study

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As carraças ou ixodídeos (Ordem Ixodida: Classe Arachnida) são artrópodes, ectoparasitas e hematófagos obrigatórios. Estão distribuídas a nível mundial e usam como hospedeiros répteis, aves, anfíbios, mamíferos e acidentalmente o homem. São também vectores de vários agentes patogénicos, alguns com potencial zoonótico. São conhecidas cerca de 850 espécies de carraças que se agrupam em três famílias: Nuttallielidae, Argasidae e Ixodidae. A família Nuttallielidae conta apenas com uma espécie que pode ser encontrada no continente africano. A família Argasidae conta com cerca de 170 espécies diferentes, sendo a sua principal característica a ausência de escudo dorsal, pelo que se conhecem comumente como “carraças de corpo mole”. A família Ixodidae inclui cerca de 650 espécies, que dada a presença de um escudo dorsal de quitina, são conhecidas por “carraças de corpo duro”, Dentro da família Ixodidae podemos encontrar o género Rhipicephalus, que conta com 84 espécies com elevado interesse médico e veterinário. Dentro do género, destaca-se a espécie Rhipicephalus sanguineus (Latreille, 1806), cuja taxonomia tem sido um tema de debate ao longo dos últimos 50 anos, possivelmente devido à inexistência de um holótipo e da recente descoberta de inúmeras espécies crípticas nela incluídas. Devido ao grande número de outras espécies do género que também são confundidas morfologicamente com R. sanguineus, foi formando um complexo ou grupo de espécies designado por grupo R. sanguineus, que conta com, pelo menos 12 espécies nele incluídas. Em Portugal, R. sanguineus sensu lato (em oposição à designação sensu stricto, que de momento não é aceite) encontra-se distribuido por todo o país, e é o principal vector de diversos agentes patogénicos, entre os quais Babesia canis (babesiose canina), Ehrlichia canis (ehrlichiose canina) e Ricketsia conorii (febre escaro-nodular). A diferenciação das espécies de carraças é tipicamente feita com base em caracteres morfológicos, o que acarreta algumas limitações devido à grande variabilidade inter e intraespecífica presente no grupo. Dado que a correcta identificação é um factor chave para a associação entre uma espécie vectorial específica e um agente patogénico, torna-se essencial encontrar formas alternativas e mais eficazes para proceder com a sua correcta identificação. O recurso a marcadores moleculares, são tidos como eficientes, baratos e com resultados reprodutíveis para desempenhar este tipo de avaliações. Com base nestas ferramentas, e com recurso a três marcadores moleculares mitocondriais (COI mtDNA, 16S rDNA e 12S rDNA) foi possível determinar que dentro da nossa colecção de amostras identificadas como R. sanguineus s.l, colhidas em Portugal e em alguns países Africanos, que existem pelo menos cinco linhagens com base no DNA mitocondrial: duas linhagens com morfologia tipo R. sanguineus (a linhagem temperada e a linhagem tropical), e três linhagens que apresentavam uma morfologia tipo R. turanicus (CEM, SeA e EM). Os resultados obtidos permitiram determinar que as amostras colectadas em Portugal pertencem à linhagem temperada enquanto que a maioria das amostras colectadas em países africanos pertencem à linhagem tropical. Dentro da linhagem temperada foi possível evidenciar a existência de subclades, correlacionados com as diferentes áreas geográficas onde as amostras foram colectadas. Com os resultados obtidos foi também possível evidenciar que as duas subespécies reconhecidas de R. evertsi (R. evertsi evertsi e R. evertsi mimeticus) podem ser afinal duas espécies distintas, sendo assim sugeridas para reavaliação biosistemática. É também corroborado pelos nossos resultados que apesar da morfologia tipo R. turanicus ter sido evidenciada existir na Península Ibérica, os indivíduos que a apresentam são molecularmente identificados como pertencentes à linhagem R. sanguineus temperada. Desta forma, as linhagens R. turanicus não foram ainda evidenciadas como existentes na área, e mais estudos serão necessários para clarificar a plasticidade fenotípica existente neste clade. Por fim, foi possível detectar, com recurso a marcadores moleculares (16S rDNA), que algumas das amostras recolhidas de animais selvagens, que se sabia previamente estarem doentes, estavam infectadas com bactérias da família Anaplasmataceae. Este resultado é fortemente indicativo de que carraças da linhagem temperada foram o vector da bactéria.
Autores principais:Silva, Mariana Pereira Maia
Assunto:Rhipicephalus sanguineus sensu lato Zoonoses Filogenia Marcadores moleculares Linhagens mitocondriais Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As carraças ou ixodídeos (Ordem Ixodida: Classe Arachnida) são artrópodes, ectoparasitas e hematófagos obrigatórios. Estão distribuídas a nível mundial e usam como hospedeiros répteis, aves, anfíbios, mamíferos e acidentalmente o homem. São também vectores de vários agentes patogénicos, alguns com potencial zoonótico. São conhecidas cerca de 850 espécies de carraças que se agrupam em três famílias: Nuttallielidae, Argasidae e Ixodidae. A família Nuttallielidae conta apenas com uma espécie que pode ser encontrada no continente africano. A família Argasidae conta com cerca de 170 espécies diferentes, sendo a sua principal característica a ausência de escudo dorsal, pelo que se conhecem comumente como “carraças de corpo mole”. A família Ixodidae inclui cerca de 650 espécies, que dada a presença de um escudo dorsal de quitina, são conhecidas por “carraças de corpo duro”, Dentro da família Ixodidae podemos encontrar o género Rhipicephalus, que conta com 84 espécies com elevado interesse médico e veterinário. Dentro do género, destaca-se a espécie Rhipicephalus sanguineus (Latreille, 1806), cuja taxonomia tem sido um tema de debate ao longo dos últimos 50 anos, possivelmente devido à inexistência de um holótipo e da recente descoberta de inúmeras espécies crípticas nela incluídas. Devido ao grande número de outras espécies do género que também são confundidas morfologicamente com R. sanguineus, foi formando um complexo ou grupo de espécies designado por grupo R. sanguineus, que conta com, pelo menos 12 espécies nele incluídas. Em Portugal, R. sanguineus sensu lato (em oposição à designação sensu stricto, que de momento não é aceite) encontra-se distribuido por todo o país, e é o principal vector de diversos agentes patogénicos, entre os quais Babesia canis (babesiose canina), Ehrlichia canis (ehrlichiose canina) e Ricketsia conorii (febre escaro-nodular). A diferenciação das espécies de carraças é tipicamente feita com base em caracteres morfológicos, o que acarreta algumas limitações devido à grande variabilidade inter e intraespecífica presente no grupo. Dado que a correcta identificação é um factor chave para a associação entre uma espécie vectorial específica e um agente patogénico, torna-se essencial encontrar formas alternativas e mais eficazes para proceder com a sua correcta identificação. O recurso a marcadores moleculares, são tidos como eficientes, baratos e com resultados reprodutíveis para desempenhar este tipo de avaliações. Com base nestas ferramentas, e com recurso a três marcadores moleculares mitocondriais (COI mtDNA, 16S rDNA e 12S rDNA) foi possível determinar que dentro da nossa colecção de amostras identificadas como R. sanguineus s.l, colhidas em Portugal e em alguns países Africanos, que existem pelo menos cinco linhagens com base no DNA mitocondrial: duas linhagens com morfologia tipo R. sanguineus (a linhagem temperada e a linhagem tropical), e três linhagens que apresentavam uma morfologia tipo R. turanicus (CEM, SeA e EM). Os resultados obtidos permitiram determinar que as amostras colectadas em Portugal pertencem à linhagem temperada enquanto que a maioria das amostras colectadas em países africanos pertencem à linhagem tropical. Dentro da linhagem temperada foi possível evidenciar a existência de subclades, correlacionados com as diferentes áreas geográficas onde as amostras foram colectadas. Com os resultados obtidos foi também possível evidenciar que as duas subespécies reconhecidas de R. evertsi (R. evertsi evertsi e R. evertsi mimeticus) podem ser afinal duas espécies distintas, sendo assim sugeridas para reavaliação biosistemática. É também corroborado pelos nossos resultados que apesar da morfologia tipo R. turanicus ter sido evidenciada existir na Península Ibérica, os indivíduos que a apresentam são molecularmente identificados como pertencentes à linhagem R. sanguineus temperada. Desta forma, as linhagens R. turanicus não foram ainda evidenciadas como existentes na área, e mais estudos serão necessários para clarificar a plasticidade fenotípica existente neste clade. Por fim, foi possível detectar, com recurso a marcadores moleculares (16S rDNA), que algumas das amostras recolhidas de animais selvagens, que se sabia previamente estarem doentes, estavam infectadas com bactérias da família Anaplasmataceae. Este resultado é fortemente indicativo de que carraças da linhagem temperada foram o vector da bactéria.