| Resumo: | Introdução: As doenças cardiovasculares são a principal causa global de mortalidade e um dos principais fatores para anos vividos com incapacidade. Sabe-se que a nutrição inadequada é responsável por cerca de 50% das mortes cardiovasculares. Sendo por isso crucial entender o papel que cada padrão alimentar pode desempenhar na prevenção destas doenças de modo a melhorar a qualidade de vida da população. Objetivo: Comparar o risco de ocorrência de eventos cardiovasculares (fatais e não fatais) a 10 anos, assim como avaliar e comparar diferentes fatores de risco cardiovascular, em indivíduos adultos que seguem um padrão alimentar vegetariano e indivíduos adultos que seguem um padrão alimentar omnívoro. Metodologia: Estudo observacional transversal com 110 indivíduos adultos. Os participantes foram divididos consoante o seu padrão alimentar: Vegetarianos (VG), não consumiam carne e/ou peixe, mas podiam consumir ovos, lacticínios e mel; e Omnívoros (OM), que consumiam todos os tipos de alimentos. O risco cardiovascular foi calculado através do SCORE2, a composição corporal foi avaliada através da absorciometria de raios-X de dupla energia e os parâmetros bioquímicos foram obtidos através da recolha de sangue capilar. A qualidade da dieta foi calculada com o questionário de 14 itens de adesão à dieta mediterrânica (DM) para os indivíduos OM e o índice de dieta saudável de base vegetal para os indivíduos VG. Resultados: Foram incluídos 110 indivíduos adultos (68,20% do sexo feminino com média de idade de 49,17 6,91 anos). Não foram encontradas diferenças significativas relativamente ao risco de eventos cardiovasculares a 10 anos entre os padrões alimentares (p = 0,334). No entanto, no que diz respeito à composição corporal, foi possível verificar que os homens VG apresentaram valores significativamente mais baixos de ALMI (VG: 7,43 0,80 Kg/m2 versus OM: 8,30 0,90 Kg/m2; p = 0,005). Por outro lado, relativamente aos parâmetros bioquímicos verificou-se que foram os participantes OM que apresentaram valores de colesterol total (OM: 199,00 52,00 mg/dL versus VG: 172,00 26,00 mg/dL; p = < 0,001), colesterol LDL (OM: 117,87 34,26 mg/dL versus VG: 99,85 22,54 mg/dL; p = 0,001) e colesterol não-HDL (OM: 138,00 56,00 mg/dL versus VG: 116,00 35,00 mg/dL; p = 0,004) mais elevados. Após analisar a qualidade da dieta, verificamos que a alta adesão à DM nos OM (OR = 0,861; p = 0,013) e a alta qualidade da dieta nos VG (OR = 0,590; p = 0,001) foram ambos fatores de proteção (41% e 13,9%, respetivamente) para um elevado risco cardiovascular. Ao reanalisar os dados apenas com indivíduos que apresentavam uma dieta VG ou OM de alta qualidade, verificaram-se diferenças significativas na composição corporal, tendo sido os indivíduos OM com alta adesão à DM quem apresentou valores de massa gorda (OM: 25,79% versus VG: 32,12%, p = 0,003) e de tecido adiposo visceral (OM: 338,76 cm3 versus VG: 609,04 cm3) mais reduzidos.Relativamente aos parâmetros bioquímicos foram os indivíduos VG com alta qualidade da dieta que apresentaram valores significativamente mais baixos de colesterol total (OM: 198,05 42,17 mg/dL versus VG: 173,48 16,80 mg/dL; p = 0,013). Nenhum outro resultado foi estatisticamente significativo. Conclusão: No presente estudo concluímos que nem a dieta VG nem a dieta OM apresentaram maiores benefícios entre si, no que respeita ao risco cardiovascular. No entanto, as diferenças apresentadas por ambas as dietas apontam para a existência de diferentes benefícios entre si, com uma dieta VG de alta qualidade a apresentar melhores resultados relativamente ao perfil lipídico e uma dieta OM com alta adesão à DM a evidenciar maior potencial relativamente à composição corporal |