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Formações em alternância : quatro estudos de caso

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Resumo:É suposto que uma Introdução deverá ser escrita antes da realização do trabalho que ela introduz. Talvez por isso o tenha tentado fazer: escrevinhado algumas páginas onde tentava encontrar razões que justificassem o caminho que a investigação parecia indicar. Por não gostar daquilo que escrevinhava, acabei por "esquecer" a necessidade de escrever uma Introdução e lancei-me ao trabalho. A Introdução surgiria em fase posterior, logo que me (re)encontrasse no conjunto de vias e encruzilhadas para que a investigação me estava a conduzir. Iniciado o processo, apercebi-me gradual mas rapidamente da minha ignorância relativamente à problemática escolhida e da minha presunção em a ter escolhido, pois que se constituía numa malha de facetas que desconhecia ou que me provocavam. Perante a incomodidade vivida inicialmente e no sentido de me auto-desculpar fui inventando razões que me ajudassem a justificar este meu caminhar num domínio que mal conhecia e que intelectualmente rejeitava: o da formação profissional alternada para jovens. Nesse rol de razões/desculpas que me encaminharam neste início de investigação, incluo, necessariamente: - A minha formação económica. De forma mais sentida do que compreendida concluí que, "naturalmente", deveria realizar um estudo que se prendesse, mesmo que remotamente, com a minha primeira formação. E, todavia, esta, desde logo, uma das questões que me angustiou economista por formação, professor por 'vocação' como encontrar um equilíbrio entre estas duas componentes da pessoa que sou, sendo que um dos dilemas/problemas que actualmente se colocam às Ciências da Educação é, exactamente, o de encontrar uma 'ponte' entre 'educação' e 'economia'. - Algumas conversas com o Prof. António Nóvoa, talvez mais subtis "influências e desafios" do que conversas efectivas, que ocorreram ao longo das sessões por ele orientadas no curso de mestrado e que se revelaram, de algum modo, como 'provocação intelectual'. - A sorte, ou o acaso, de ter sido contactado pelo Prof. António Nóvoa para participar num projectodeinvestigaçãocuja temática, "Aspectos Qualitativos da Formação em Alternância", se constituía como oportunidade única de me confrontar com uma problemática que mediatiza o discurso actual em Ciências da Educação e, simultaneamente, de me reencontrar com ideias feitas, preconceitos passados, amigos de outros tempos. - Ainda a sorte, ou o acaso, de desenvolver, com outros colegas desta Faculdade, um projecto de investigação que se inscreve no debate inerente à definição de políticas locais de ensino e sua articulação com as necessidades de desenvolvimento local. - A certeza da minha má-vontade contra tudo o que fazia relembrar as antigas escolas técnicas e o reviver do ensino elitista que caracterizou o sistema educativo português do Estado Novo. - A constatação de uma realidade que se não pode escamotear e que a minha formação inicial me tornara mais sensível para percepcionar: o desemprego juvenil a crescer em flecha e a aparente (?) incapacidade do sistema regular de ensino unificado, democrático e democratizante, em dotar os jovens dos instrumentos intelectuais e operatórios necessários a um processo de inserção na vida activa e de prosseguimento de estudos, reservando-lhes um futuro pouco gratificante. Fruto de uma aprendizagem e de uma (auto)formação que privilegiou Marx, Engels, Lenine e Mao, não esquecendo Bourdieu, Passeron, Bethelheim, Sweezy, Amin, Althusser ou Castells, entre outros, militante do ensino unificado, contra toda a formação profissionalizante, "necessariamente" condicionadora de um percurso sócio-profissional, cultural e económico, encontrei-me, deste modo, a percorrer uma via de investigação que faz balançar as minhas mais profundas convicções ou, pelo menos, repensá-las. O facto de ser uma problemática que me não agradava e que associava sempre de forma negativa ao meu percurso intelectual terá sido, aliás, o maior desafio que me coloquei porque dificilmente se pode criar alguma coisa de que se não goste, onde a relação afectiva não existe, ou antes, quando existe, é tributária de emoções de desagrado e de desamor. Desta forma me encontrei numa encruzilhada, num processo de avanço e de recuo numa direcção dada: se o desagrado sentido pelas formações profissionais me afastavam desta linha de investigação, a necessidade de repensar a 'verdade' das minhas certezas obrigavam-me a percorrê-la. É nesta oposição de sentidos a percorrer que entroncam as dificuldades inicialmente sentidas, em que me parecia ser incapaz de "viver", de "agarrar" o projecto. O desafio que me propus foi um ganho onde as certezas em desestruturação foram acompanhadas de um (re)conhecimento de factos capazes de, sobre eles, poder vir a (re)construir opiniões - dispenso-me de outra qualquer pretensão: mantendo-me desconhecedor de um sem número de problemas que se levantam em tomo da formação profissional dos jovens e da capacidade/ incapacidade dos sistemas educativo e económico darem resposta às crescentes solicitações dos jovens e da vida social; continuando sem quaisquer certezas no que respeita às vantagens decorrentes das formações alternadas; continuando a ignorar diferenças entre formação em alternância e formações alternadas, já questiono a (des)vantagem de um ensino unificado (uniforme, massificador?); já consigo "conversar" com outros acerca de sistemas educativos duais sem me sentir aprisionado numa formação inicial de há alguns anos. E neste momento, sinto que foi útil ter enveredado por esta investigação, apesar das dificuldades com que me deparei, decorrentes da minha formação e dos meus preconceitos relativamente a fileiras vocionais, bem como do facto de ser uma área de investigação pouco explorada ainda. Afirmar que é mais fácil trabalhar sobre um campo já por outros descoberto exige, certamente, uma demonstração. Mas, visto não ser esse o meu objectivo, contento-me em fazer essa afirmação, para muitos gratuita: trabalhar sobre um campo já por outros trabalhado pode exigir imaginação para encontrar uma abordagem diferente, exige o conhecimento de estudos empíricos, de ensaios e reflexões, exige a originalidade necessária para que o que estamos a fazer não seja, apenas, mais outra investigação. Todavia, trabalhar sobre um campo que já foi objecto de investigação pertinente e de reflexão teórica oferece, pelo menos, algumas vantagens: há reflexão feita, há vias de estudo já experimentadas, há sugestões de desenvolvimentos enunciados, há, em suma, material a que nos podemos, desde o início, agarrar e socorrer. A situação respeitante às questões das formações alternadas caracteriza-se, exactamente, e segundo me parece pelo inverso: os estudos realizados são poucos e, por vezes, meramente descritivos; a literatura é escassa e não tem por preocupação primeira esta problemática; a produção intelectual é, quantas vezes, mais de opinião do que de investigação: aceita-se em absoluto tal como se rejeita, emotivamente, tudo. Esta situação de campo de investigação à espera de ser explorado se, por um lado, pode tomar- -se motivador por outro adquire uma tonalidade de responsabilidade demasiado forte para ser tomada de ânimo leve: é difícil encontrar literatura que, de algum modo, nos suporte; parece equacionar uma situação de pesquisa "fundamental" que poderá suscitar futuras investigações; é fortemente criticável, pois todos têm uma opinião sólida, mesmo que não alicerçada - faz-me lembrar aquela situação: todos são professores - neste caso, todos são, muito facilmente, críticos. E, obviamente, muito haverá a criticar quando se tacteia a superfície do problema sem nunca se chegar ao fundo da questão - talvez, mesmo, sem nunca arranhar aquela superfície. A situação de 'desqualificação' com que os jovens enfrentam o mundo do trabalho depois de terminada a escolaridade obrigatória ou mesmo depois dos estudos secundários e a necessidade das Ciências da Educação encontrarem uma 'ponte' que articule 'desenvolvimento pessoal e social' com 'economia', constituíram-se em factores que venceram resistências e me lançaram neste campo de investigação, apesar das reservas já explicitadas. Deste modo, a investigação que agora se introduz concretiza-se num estudo exploratório em torno das questões ligadas à formação profissional alternada dos jovens e pretende, num primeiro momento, contribuir para clarificar o estado do problema e apreciar sensibilidades e, num segundo momento, dar notícia crítica dos subsistemas de formação profissional alternada para jovens que se vieram a desenvolver em Portugal desde os anos oitenta. (...)
Autores principais:Cabrito, Belmiro
Assunto:Teses de mestrado - 1993 Processos e estruturas educativas Formação profissional Escolas profissionais
Ano:1993
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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Perante a incomodidade vivida inicialmente e no sentido de me auto-desculpar fui inventando razões que me ajudassem a justificar este meu caminhar num domínio que mal conhecia e que intelectualmente rejeitava: o da formação profissional alternada para jovens. Nesse rol de razões/desculpas que me encaminharam neste início de investigação, incluo, necessariamente: - A minha formação económica. De forma mais sentida do que compreendida concluí que, "naturalmente", deveria realizar um estudo que se prendesse, mesmo que remotamente, com a minha primeira formação. E, todavia, esta, desde logo, uma das questões que me angustiou economista por formação, professor por 'vocação' como encontrar um equilíbrio entre estas duas componentes da pessoa que sou, sendo que um dos dilemas/problemas que actualmente se colocam às Ciências da Educação é, exactamente, o de encontrar uma 'ponte' entre 'educação' e 'economia'. - Algumas conversas com o Prof. António Nóvoa, talvez mais subtis "influências e desafios" do que conversas efectivas, que ocorreram ao longo das sessões por ele orientadas no curso de mestrado e que se revelaram, de algum modo, como 'provocação intelectual'. - A sorte, ou o acaso, de ter sido contactado pelo Prof. António Nóvoa para participar num projectodeinvestigaçãocuja temática, "Aspectos Qualitativos da Formação em Alternância", se constituía como oportunidade única de me confrontar com uma problemática que mediatiza o discurso actual em Ciências da Educação e, simultaneamente, de me reencontrar com ideias feitas, preconceitos passados, amigos de outros tempos. - Ainda a sorte, ou o acaso, de desenvolver, com outros colegas desta Faculdade, um projecto de investigação que se inscreve no debate inerente à definição de políticas locais de ensino e sua articulação com as necessidades de desenvolvimento local. - A certeza da minha má-vontade contra tudo o que fazia relembrar as antigas escolas técnicas e o reviver do ensino elitista que caracterizou o sistema educativo português do Estado Novo. - A constatação de uma realidade que se não pode escamotear e que a minha formação inicial me tornara mais sensível para percepcionar: o desemprego juvenil a crescer em flecha e a aparente (?) incapacidade do sistema regular de ensino unificado, democrático e democratizante, em dotar os jovens dos instrumentos intelectuais e operatórios necessários a um processo de inserção na vida activa e de prosseguimento de estudos, reservando-lhes um futuro pouco gratificante. Fruto de uma aprendizagem e de uma (auto)formação que privilegiou Marx, Engels, Lenine e Mao, não esquecendo Bourdieu, Passeron, Bethelheim, Sweezy, Amin, Althusser ou Castells, entre outros, militante do ensino unificado, contra toda a formação profissionalizante, "necessariamente" condicionadora de um percurso sócio-profissional, cultural e económico, encontrei-me, deste modo, a percorrer uma via de investigação que faz balançar as minhas mais profundas convicções ou, pelo menos, repensá-las. O facto de ser uma problemática que me não agradava e que associava sempre de forma negativa ao meu percurso intelectual terá sido, aliás, o maior desafio que me coloquei porque dificilmente se pode criar alguma coisa de que se não goste, onde a relação afectiva não existe, ou antes, quando existe, é tributária de emoções de desagrado e de desamor. Desta forma me encontrei numa encruzilhada, num processo de avanço e de recuo numa direcção dada: se o desagrado sentido pelas formações profissionais me afastavam desta linha de investigação, a necessidade de repensar a 'verdade' das minhas certezas obrigavam-me a percorrê-la. É nesta oposição de sentidos a percorrer que entroncam as dificuldades inicialmente sentidas, em que me parecia ser incapaz de "viver", de "agarrar" o projecto. O desafio que me propus foi um ganho onde as certezas em desestruturação foram acompanhadas de um (re)conhecimento de factos capazes de, sobre eles, poder vir a (re)construir opiniões - dispenso-me de outra qualquer pretensão: mantendo-me desconhecedor de um sem número de problemas que se levantam em tomo da formação profissional dos jovens e da capacidade/ incapacidade dos sistemas educativo e económico darem resposta às crescentes solicitações dos jovens e da vida social; continuando sem quaisquer certezas no que respeita às vantagens decorrentes das formações alternadas; continuando a ignorar diferenças entre formação em alternância e formações alternadas, já questiono a (des)vantagem de um ensino unificado (uniforme, massificador?); já consigo "conversar" com outros acerca de sistemas educativos duais sem me sentir aprisionado numa formação inicial de há alguns anos. E neste momento, sinto que foi útil ter enveredado por esta investigação, apesar das dificuldades com que me deparei, decorrentes da minha formação e dos meus preconceitos relativamente a fileiras vocionais, bem como do facto de ser uma área de investigação pouco explorada ainda. Afirmar que é mais fácil trabalhar sobre um campo já por outros descoberto exige, certamente, uma demonstração. Mas, visto não ser esse o meu objectivo, contento-me em fazer essa afirmação, para muitos gratuita: trabalhar sobre um campo já por outros trabalhado pode exigir imaginação para encontrar uma abordagem diferente, exige o conhecimento de estudos empíricos, de ensaios e reflexões, exige a originalidade necessária para que o que estamos a fazer não seja, apenas, mais outra investigação. Todavia, trabalhar sobre um campo que já foi objecto de investigação pertinente e de reflexão teórica oferece, pelo menos, algumas vantagens: há reflexão feita, há vias de estudo já experimentadas, há sugestões de desenvolvimentos enunciados, há, em suma, material a que nos podemos, desde o início, agarrar e socorrer. A situação respeitante às questões das formações alternadas caracteriza-se, exactamente, e segundo me parece pelo inverso: os estudos realizados são poucos e, por vezes, meramente descritivos; a literatura é escassa e não tem por preocupação primeira esta problemática; a produção intelectual é, quantas vezes, mais de opinião do que de investigação: aceita-se em absoluto tal como se rejeita, emotivamente, tudo. Esta situação de campo de investigação à espera de ser explorado se, por um lado, pode tomar- -se motivador por outro adquire uma tonalidade de responsabilidade demasiado forte para ser tomada de ânimo leve: é difícil encontrar literatura que, de algum modo, nos suporte; parece equacionar uma situação de pesquisa "fundamental" que poderá suscitar futuras investigações; é fortemente criticável, pois todos têm uma opinião sólida, mesmo que não alicerçada - faz-me lembrar aquela situação: todos são professores - neste caso, todos são, muito facilmente, críticos. E, obviamente, muito haverá a criticar quando se tacteia a superfície do problema sem nunca se chegar ao fundo da questão - talvez, mesmo, sem nunca arranhar aquela superfície. A situação de 'desqualificação' com que os jovens enfrentam o mundo do trabalho depois de terminada a escolaridade obrigatória ou mesmo depois dos estudos secundários e a necessidade das Ciências da Educação encontrarem uma 'ponte' que articule 'desenvolvimento pessoal e social' com 'economia', constituíram-se em factores que venceram resistências e me lançaram neste campo de investigação, apesar das reservas já explicitadas. Deste modo, a investigação que agora se introduz concretiza-se num estudo exploratório em torno das questões ligadas à formação profissional alternada dos jovens e pretende, num primeiro momento, contribuir para clarificar o estado do problema e apreciar sensibilidades e, num segundo momento, dar notícia crítica dos subsistemas de formação profissional alternada para jovens que se vieram a desenvolver em Portugal desde os anos oitenta. (...)
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Perante a incomodidade vivida inicialmente e no sentido de me auto-desculpar fui inventando razões que me ajudassem a justificar este meu caminhar num domínio que mal conhecia e que intelectualmente rejeitava: o da formação profissional alternada para jovens. Nesse rol de razões/desculpas que me encaminharam neste início de investigação, incluo, necessariamente: - A minha formação económica. De forma mais sentida do que compreendida concluí que, "naturalmente", deveria realizar um estudo que se prendesse, mesmo que remotamente, com a minha primeira formação. E, todavia, esta, desde logo, uma das questões que me angustiou economista por formação, professor por 'vocação' como encontrar um equilíbrio entre estas duas componentes da pessoa que sou, sendo que um dos dilemas/problemas que actualmente se colocam às Ciências da Educação é, exactamente, o de encontrar uma 'ponte' entre 'educação' e 'economia'. - Algumas conversas com o Prof. António Nóvoa, talvez mais subtis "influências e desafios" do que conversas efectivas, que ocorreram ao longo das sessões por ele orientadas no curso de mestrado e que se revelaram, de algum modo, como 'provocação intelectual'. - A sorte, ou o acaso, de ter sido contactado pelo Prof. António Nóvoa para participar num projectodeinvestigaçãocuja temática, "Aspectos Qualitativos da Formação em Alternância", se constituía como oportunidade única de me confrontar com uma problemática que mediatiza o discurso actual em Ciências da Educação e, simultaneamente, de me reencontrar com ideias feitas, preconceitos passados, amigos de outros tempos. - Ainda a sorte, ou o acaso, de desenvolver, com outros colegas desta Faculdade, um projecto de investigação que se inscreve no debate inerente à definição de políticas locais de ensino e sua articulação com as necessidades de desenvolvimento local. - A certeza da minha má-vontade contra tudo o que fazia relembrar as antigas escolas técnicas e o reviver do ensino elitista que caracterizou o sistema educativo português do Estado Novo. - A constatação de uma realidade que se não pode escamotear e que a minha formação inicial me tornara mais sensível para percepcionar: o desemprego juvenil a crescer em flecha e a aparente (?) incapacidade do sistema regular de ensino unificado, democrático e democratizante, em dotar os jovens dos instrumentos intelectuais e operatórios necessários a um processo de inserção na vida activa e de prosseguimento de estudos, reservando-lhes um futuro pouco gratificante. 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Desta forma me encontrei numa encruzilhada, num processo de avanço e de recuo numa direcção dada: se o desagrado sentido pelas formações profissionais me afastavam desta linha de investigação, a necessidade de repensar a 'verdade' das minhas certezas obrigavam-me a percorrê-la. É nesta oposição de sentidos a percorrer que entroncam as dificuldades inicialmente sentidas, em que me parecia ser incapaz de "viver", de "agarrar" o projecto. O desafio que me propus foi um ganho onde as certezas em desestruturação foram acompanhadas de um (re)conhecimento de factos capazes de, sobre eles, poder vir a (re)construir opiniões - dispenso-me de outra qualquer pretensão: mantendo-me desconhecedor de um sem número de problemas que se levantam em tomo da formação profissional dos jovens e da capacidade/ incapacidade dos sistemas educativo e económico darem resposta às crescentes solicitações dos jovens e da vida social; continuando sem quaisquer certezas no que respeita às vantagens decorrentes das formações alternadas; continuando a ignorar diferenças entre formação em alternância e formações alternadas, já questiono a (des)vantagem de um ensino unificado (uniforme, massificador?); já consigo "conversar" com outros acerca de sistemas educativos duais sem me sentir aprisionado numa formação inicial de há alguns anos. E neste momento, sinto que foi útil ter enveredado por esta investigação, apesar das dificuldades com que me deparei, decorrentes da minha formação e dos meus preconceitos relativamente a fileiras vocionais, bem como do facto de ser uma área de investigação pouco explorada ainda. Afirmar que é mais fácil trabalhar sobre um campo já por outros descoberto exige, certamente, uma demonstração. Mas, visto não ser esse o meu objectivo, contento-me em fazer essa afirmação, para muitos gratuita: trabalhar sobre um campo já por outros trabalhado pode exigir imaginação para encontrar uma abordagem diferente, exige o conhecimento de estudos empíricos, de ensaios e reflexões, exige a originalidade necessária para que o que estamos a fazer não seja, apenas, mais outra investigação. 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Esta situação de campo de investigação à espera de ser explorado se, por um lado, pode tomar- -se motivador por outro adquire uma tonalidade de responsabilidade demasiado forte para ser tomada de ânimo leve: é difícil encontrar literatura que, de algum modo, nos suporte; parece equacionar uma situação de pesquisa "fundamental" que poderá suscitar futuras investigações; é fortemente criticável, pois todos têm uma opinião sólida, mesmo que não alicerçada - faz-me lembrar aquela situação: todos são professores - neste caso, todos são, muito facilmente, críticos. E, obviamente, muito haverá a criticar quando se tacteia a superfície do problema sem nunca se chegar ao fundo da questão - talvez, mesmo, sem nunca arranhar aquela superfície. 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