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Expansão urbana e mercado imobiliário: a cidade das Caldas da Rainha como laboratório

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Resumo:A expansão urbana não pode ser desligada dos mecanismos de funcionamento do mercado imobiliário. Este alimenta uma indústria de urbanização que transpõem para o território voracidade equivalente aos lucros avultados que mobiliza. A fragmentação do tecido urbano observada desenha nos territórios em torno das áreas consolidadas das cidades médias a fusão grosseira da cidade com campo criando espaços de leitura difícil. Não planeados. Germinam aqui, as cidades novas justapostas nas explorações agrícolas sobreviventes, nos grandes espaços comerciais, nos fragmentos de floresta, nos inúmeros espaços vazios (vazios urbanos/espaços de tudo e de nada), nas vagens de moradias em banda, ou, nas ilhas de loteamentos desgarradas. Tudo isto é amarrado a uma estrutura de circulação deltritica que cola (a post-it) estes espaços hiperfuncionais à cidade e à região metapolitana (?) circundante. Demonstramos que a função reguladora da Administração (pelo lado das regras de uso e transformação do solo e pelo lado da tributação), ou tem sido inoperante, ou tem servido (tem-se servido) a avidez com que o mercado procede à urbanização destes territórios. Reflectimos acerca do tema, discutindo a sua abrangência teórica. Tratamos informação passível de quantificar estes processos à escala de Portugal Continental e, numa segunda parte da dissertação, aprofundamos o caso de estudo da cidade das Caldas da Rainha. Neste laboratório de análise, quantificamos, de vários modos, a dimensão da expansão urbana desencadeada nas últimas décadas. Avaliamos a evolução do mercado imobiliário, nomeadamente, através da criação duma base de dados onde se registaram 2446 imóveis publicitados (entre 1926 e 2008), num jornal local. Procedemos ainda, recorrendo à aplicação de questionários, à avaliação dos moldes definidores da procura residencial dos últimos 15 anos, nas coroas periurbanas e rurbanas da cidade estudada na qual, se identificou espaço urbano, e urbanidades novas, decorrentes do facto de serem valorizadas, e valorizáveis, no mercado.
Autores principais:Gonçalves, Carlos
Assunto:Desenvolvimento urbano - Caldas da Rainha (Portugal) Mercado imobiliário - Caldas da Rainha (Portugal) Urbanização - Portugal
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A expansão urbana não pode ser desligada dos mecanismos de funcionamento do mercado imobiliário. Este alimenta uma indústria de urbanização que transpõem para o território voracidade equivalente aos lucros avultados que mobiliza. A fragmentação do tecido urbano observada desenha nos territórios em torno das áreas consolidadas das cidades médias a fusão grosseira da cidade com campo criando espaços de leitura difícil. Não planeados. Germinam aqui, as cidades novas justapostas nas explorações agrícolas sobreviventes, nos grandes espaços comerciais, nos fragmentos de floresta, nos inúmeros espaços vazios (vazios urbanos/espaços de tudo e de nada), nas vagens de moradias em banda, ou, nas ilhas de loteamentos desgarradas. Tudo isto é amarrado a uma estrutura de circulação deltritica que cola (a post-it) estes espaços hiperfuncionais à cidade e à região metapolitana (?) circundante. Demonstramos que a função reguladora da Administração (pelo lado das regras de uso e transformação do solo e pelo lado da tributação), ou tem sido inoperante, ou tem servido (tem-se servido) a avidez com que o mercado procede à urbanização destes territórios. Reflectimos acerca do tema, discutindo a sua abrangência teórica. Tratamos informação passível de quantificar estes processos à escala de Portugal Continental e, numa segunda parte da dissertação, aprofundamos o caso de estudo da cidade das Caldas da Rainha. Neste laboratório de análise, quantificamos, de vários modos, a dimensão da expansão urbana desencadeada nas últimas décadas. Avaliamos a evolução do mercado imobiliário, nomeadamente, através da criação duma base de dados onde se registaram 2446 imóveis publicitados (entre 1926 e 2008), num jornal local. Procedemos ainda, recorrendo à aplicação de questionários, à avaliação dos moldes definidores da procura residencial dos últimos 15 anos, nas coroas periurbanas e rurbanas da cidade estudada na qual, se identificou espaço urbano, e urbanidades novas, decorrentes do facto de serem valorizadas, e valorizáveis, no mercado.