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Direct and indirect uptake of pharmaceutical residues in a marine trophic segment

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Resumo:O valor ecológico e económico dos estuários é inegável, bem como é incontestável as contínuas descargas de águas contaminadas nestas áreas, muitas vezes repletas de resíduos farmacêuticos. Um dos fármacos mais prescritos atualmente é o antidepressivo fluoxetina, e é consequentemente um dos fármacos mais frequentemente detetado em estuários. Por essa razão, adquire um grande potencial para induzir efeitos nefastos em espécies não alvo, interferindo em funções essenciais dos organismos, tais como as funções neurais, comportamentais e fisiológicas. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos ecotoxicológicos resultantes de exposição direta e indireta ao antidepressivo fluoxetina, sob condições estuarinas. Para tal, exposições diretas ao fármaco fluoxetina, em concentrações ecologicamente relevantes, 0,3 μg L-1 , 20 μg L-1 e 80 μg L -1 foram realizadas utilizando para o efeito um consumidor primário, o camarão branco legítimo, Palaemon serratus, e um consumidor secundário, o caranguejo verde, Carcinus maenas. Além disso, para avaliar os efeitos toxicológicos da exposição indireta à fluoxetina, cada espécie do nível trófico superior foi alimentada com organismos pré-expostos à fluoxetina dos níveis tróficos anteriores. Finalmente, vários biomarcadores foram determinados, entre os quais: peroxidação lipídica (LPO), dano no DNA (DNAd), superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa S-transferase (GST) e acetilcolinesterase (AChE). A espécie P. serratus demonstrou uma maior sensibilidade à fluoxetina. Particularmente, a exposição direta ao fármaco parece induzir efeitos mais deletérios nos organismos da espécie P. serratus. O aumento da atividade da CAT sugere que a fluoxetina superou as primeiras defesas antioxidantes do organismo, inclusive resultando em efeitos adversos no DNA, e aumentando os níveis de LPO. Maior stress oxidativo parece ocorrer também na exposição direta da espécie C. amenas à fluoxetina, onde a atividade da CAT teve uma diminuição significativa nas concentrações, mais baixa e mais alta, evidenciando uma possível resposta hormética. Com a mesma semelhança padrão, o inverso ocorreu nos níveis de LPO para os mesmos tratamentos, indicando uma potencial falha no sistema de defesa antioxidante do organismo. Além disso, no presente estudo, nenhuma inibição na locomoção, nem efeitos comportamentais foram observados em C. maenas. Considerando a aplicação dos biomarcadores testados como potenciais descritores para a avaliação da exposição das espécies P. serratus e C. maenas à fluoxetina, estes parecem evidenciar a sua eficácia ao tipo de exposição, destacando as diferenças entre os ensaios de exposição reportados neste estudo. No geral, este estudo demostrou que a exposição direta da fluoxetina na água contribui para níveis mais elevados de stress oxidativo, em ambas as espécies.
Autores principais:Almeida, Raquel Sofia David de
Assunto:Fluoxetina Biomarcadores Invertebrados Ecotoxicologia Estuário Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O valor ecológico e económico dos estuários é inegável, bem como é incontestável as contínuas descargas de águas contaminadas nestas áreas, muitas vezes repletas de resíduos farmacêuticos. Um dos fármacos mais prescritos atualmente é o antidepressivo fluoxetina, e é consequentemente um dos fármacos mais frequentemente detetado em estuários. Por essa razão, adquire um grande potencial para induzir efeitos nefastos em espécies não alvo, interferindo em funções essenciais dos organismos, tais como as funções neurais, comportamentais e fisiológicas. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos ecotoxicológicos resultantes de exposição direta e indireta ao antidepressivo fluoxetina, sob condições estuarinas. Para tal, exposições diretas ao fármaco fluoxetina, em concentrações ecologicamente relevantes, 0,3 μg L-1 , 20 μg L-1 e 80 μg L -1 foram realizadas utilizando para o efeito um consumidor primário, o camarão branco legítimo, Palaemon serratus, e um consumidor secundário, o caranguejo verde, Carcinus maenas. Além disso, para avaliar os efeitos toxicológicos da exposição indireta à fluoxetina, cada espécie do nível trófico superior foi alimentada com organismos pré-expostos à fluoxetina dos níveis tróficos anteriores. Finalmente, vários biomarcadores foram determinados, entre os quais: peroxidação lipídica (LPO), dano no DNA (DNAd), superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa S-transferase (GST) e acetilcolinesterase (AChE). A espécie P. serratus demonstrou uma maior sensibilidade à fluoxetina. Particularmente, a exposição direta ao fármaco parece induzir efeitos mais deletérios nos organismos da espécie P. serratus. O aumento da atividade da CAT sugere que a fluoxetina superou as primeiras defesas antioxidantes do organismo, inclusive resultando em efeitos adversos no DNA, e aumentando os níveis de LPO. Maior stress oxidativo parece ocorrer também na exposição direta da espécie C. amenas à fluoxetina, onde a atividade da CAT teve uma diminuição significativa nas concentrações, mais baixa e mais alta, evidenciando uma possível resposta hormética. Com a mesma semelhança padrão, o inverso ocorreu nos níveis de LPO para os mesmos tratamentos, indicando uma potencial falha no sistema de defesa antioxidante do organismo. Além disso, no presente estudo, nenhuma inibição na locomoção, nem efeitos comportamentais foram observados em C. maenas. Considerando a aplicação dos biomarcadores testados como potenciais descritores para a avaliação da exposição das espécies P. serratus e C. maenas à fluoxetina, estes parecem evidenciar a sua eficácia ao tipo de exposição, destacando as diferenças entre os ensaios de exposição reportados neste estudo. No geral, este estudo demostrou que a exposição direta da fluoxetina na água contribui para níveis mais elevados de stress oxidativo, em ambas as espécies.