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Avaliação in vivo das propriedades anti-inflamatórias, em modelo de colite, de uma lectinina purificada do medronheiro (Arbutus unedo)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As lectinas são um vasto grupo de proteínas que conseguem ligar-se especificamente a recetores glicosilados. Estão presentes em todos os seres vivos e possuem caraterísticas bioquímicas que as tornam únicas no reconhecimento celular. Estas são excelentes diferenciadoras de células com alterações a nível destes recetores glicosilados, ou seja, reconhecem células com aberrações glicómicas, características dos mais variados processos patológicos, especialmente os tumorais.Tendo em conta as suas caraterísticas bioquímica e as suas capacidades de descodificação de glicocódigos, as lectinas têm sido alvo de intensa investigação biomédica, com grande investimento nas suas capacidades biotecnológicas, com vista à sua aplicação terapêutica. O carcinoma colorretal é o segundo carcinoma mais prevalente em Portugal, no mundo é o terceiro cancro que mais afeta homens e mulheres. Este é influenciado por fatores não controláveis, como a idade, a genética e o historial de doenças inflamatórias do colón (como é o caso da colite ulcerosa) e por fatores ambientais, como os hábitos alimentares e de exercício físico. Muitas das vezes o processo de desenvolvimento e progressão deste carcinoma passa por alterações genéticas que afetam os mecanismos de proliferação, sobrevivência, migração e invasão celulares, ou por modificações pós-traducionais, como a modificação da glicosilação proteica. O estudo em questão teve como objetivo dar continuidade a trabalhos já desenvolvidos, que demonstraram que uma lectina purificada de Arbutus unedo evidenciou, in vitro, atividade antitumoral. Neste projeto estudou-se a ação anti-inflamatória desta lectina de A.unedo, em modelo in vivo (modelo de colite em murganhos). Os resultados dos ensaios in vivo demonstraram que a lectina atenua os efeitos da colite, prevendo-se por isso, a sua ligação aos recetores glicosilados das células do cólon alterado, exibindo especificidade para estes recetores anómalos, fazendo regredir a lesão, provavelmente por um mecanismo de morte das células alteradas. Associado ao facto de que os ensaios com a lectina, em murganhos sem colite, não evidenciaram nenhuma alteração do cólon, mostra que a lectina não revelou especificidade para estes recetores, das células do cólon saudável, uma vez que este tecido não evidenciou nenhuma alteração, concluindo-se assim que esta lectina pode ser específica para os recetores do tecido inflamado.
Autores principais:Monteiro, Cátia Vanessa Querido
Assunto:Lectina carcinoma colorretal aberração glicómia colite ulcerosa inflamação Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As lectinas são um vasto grupo de proteínas que conseguem ligar-se especificamente a recetores glicosilados. Estão presentes em todos os seres vivos e possuem caraterísticas bioquímicas que as tornam únicas no reconhecimento celular. Estas são excelentes diferenciadoras de células com alterações a nível destes recetores glicosilados, ou seja, reconhecem células com aberrações glicómicas, características dos mais variados processos patológicos, especialmente os tumorais.Tendo em conta as suas caraterísticas bioquímica e as suas capacidades de descodificação de glicocódigos, as lectinas têm sido alvo de intensa investigação biomédica, com grande investimento nas suas capacidades biotecnológicas, com vista à sua aplicação terapêutica. O carcinoma colorretal é o segundo carcinoma mais prevalente em Portugal, no mundo é o terceiro cancro que mais afeta homens e mulheres. Este é influenciado por fatores não controláveis, como a idade, a genética e o historial de doenças inflamatórias do colón (como é o caso da colite ulcerosa) e por fatores ambientais, como os hábitos alimentares e de exercício físico. Muitas das vezes o processo de desenvolvimento e progressão deste carcinoma passa por alterações genéticas que afetam os mecanismos de proliferação, sobrevivência, migração e invasão celulares, ou por modificações pós-traducionais, como a modificação da glicosilação proteica. O estudo em questão teve como objetivo dar continuidade a trabalhos já desenvolvidos, que demonstraram que uma lectina purificada de Arbutus unedo evidenciou, in vitro, atividade antitumoral. Neste projeto estudou-se a ação anti-inflamatória desta lectina de A.unedo, em modelo in vivo (modelo de colite em murganhos). Os resultados dos ensaios in vivo demonstraram que a lectina atenua os efeitos da colite, prevendo-se por isso, a sua ligação aos recetores glicosilados das células do cólon alterado, exibindo especificidade para estes recetores anómalos, fazendo regredir a lesão, provavelmente por um mecanismo de morte das células alteradas. Associado ao facto de que os ensaios com a lectina, em murganhos sem colite, não evidenciaram nenhuma alteração do cólon, mostra que a lectina não revelou especificidade para estes recetores, das células do cólon saudável, uma vez que este tecido não evidenciou nenhuma alteração, concluindo-se assim que esta lectina pode ser específica para os recetores do tecido inflamado.