| Resumo: | Ainda subsiste muita incerteza sobre a melhor maneira de utilizar novas terapias imunomoduladoras em doentes oncológicos, especialmente em doentes com cancro do pulmão. A prevalência global desta doença, a mortalidade e o mau prognóstico a ela associados justificam a necessidade de um rápido desenvolvimento e aplicação de novas terapias, capazes de mudar o atual paradigma complicado da doença. Dado que as imunoterapias, nomeadamente os inibidores de pontos de controlo imunitário (ICI), têm produzido resultados melhorados em doentes com cancro do pulmão, mas exigem despesas elevadas para as suas aquisições, este estudo procura sistematizar os dados atualmente publicados sobre ICIs para doentes com cancro do pulmão, de modo a ajudar a clarificar os métodos atuais mais custo-efetivo para as aplicar e a evidência que ainda falta ser gerada. As combinações com estas terapias possuem o potencial de melhorar a eficácia dos regimes, através do uso de mecanismos de ação sinérgicos, mas também representam riscos de eventos adversos agravados e custos elevados, sendo o foco do presente estudo. Foi construída uma revisão sistemática de estudos disponíveis que analisavam a eficácia, a relação custo-eficácia ou o custo-utilidade dos ICI no cancro do pulmão. Foram analisados 175 estudos através do respetivo resumo, tendo sido selecionados 85 para análise integral e, dos quais, 43 foram selecionados para inclusão no presente trabalho. Os estudos incluídos analisaram regimes variados com ICIs em monoterapia ou em combinação, quer entre ICIs quer com outras opções como a quimioterapia ou o bevacizumab. Embora a maioria dos regimes tenha apresentado resultados significativamente melhores em comparação com a quimioterapia clássica, apenas o Pembrolizumab e o Atezolizumab em monoterapia foram considerados custo-efetivos, em grupos de doentes selecionados por biomarcadores. Os preços elevados com que estes medicamentos entram no mercado foram considerados como a maior barreira à utilização generalizada dos ICI. Este estudo sugere a investigação de uma melhor utilização dos biomarcadores atuais ou estratégias de partilha de custos e riscos para contrariar esta dificuldade, permitindo, potencialmente, que os sistemas de cuidados de saúde possam adquirir de forma sustentável estas novas opções terapêuticas e utilizá-las nos subgrupos de doentes oncológicos que mais beneficiam com as mesmas, ao mesmo tempo que apoiam e incentivam a inovação. |