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Toxicidade cardíaca dos Tyrosine Kinase Inhibitors no tratamento do carcinoma de não pequenas células do pulmão

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Resumo:Os Tyrosine Kinase Inhibitors (Inibidores da Cinase da Tirosina – TKIs) são fármacos utilizados na inibição de cinases mutadas e constitutivamente ativas ou sobre-expressas em células tumorais, responsáveis pela tumorigénese. São cada vez mais utilizados em diferentes neoplasias como fármacos-alvo em monoterapia ou em associação com outras classes terapêuticas. O tratamento direcionado com estes fármacos proporciona uma menor toxicidade do que a quimioterapia convencional, no entanto, não estão livres de efeitos adversos importantes nomeadamente a toxicidade cardíaca. Neste efeito adverso raro, mas importante, inclui-se a diminuição da Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) que pode condicionar sinais e sintomas de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) e alterações da condução elétrica, como o prolongamento do intervalo QT/QTc. O objetivo deste trabalho foi avaliar a incidência de eventos de toxicidade cardíaca associada ao tratamento com osimertinib, TKI anti-EGFR utilizado no tratamento do carcinoma de não pequenas células do pulmão (CNPCP) com mutação ativadora do EGFR (Epidermal Growth Factor Receptor). Realizou-se um estudo retrospetivo, de coorte, incluindo os doentes com CNPCP com mutação ativadora no gene EGFR, em estadio IV, tratados com osimertinib em primeira linha e seguidos em consulta de Pneumologia Oncológica (HPV) ou de Oncologia Médica (HSM). Foram recolhidos dados epidemiológicos e clínicos por consulta do processo clínico eletrónicos e físico dos doentes de forma recolher dados de variáveis clínicas e demográficas. Foram incluídos 65 doentes no estudo, com uma média de idades de 68,3 ± 12,5 anos, a maioria mulheres não-fumadoras. Apresentavam CNPCP com sub-tipo histológico ADC com exceção de um doente, com mutação ativadora EGFR, sobretudo nos exões 19 e 21, e com baixa ou nenhuma expressão do ligante de morte programada 1 (PD-L1). Os doentes da coorte em estudo, apresentavam maioritariamente comorbilidades cardiovasculares e encontravam-se em estadio avançado da doença (estadio IV). A localização da metastização foi preferencialmente o pulmão, osso e sistema nervoso central (SNC). A duração média do tratamento com osimertinib foi 16,8 ± 12,1 meses. A mediana da sobrevida Livre de Progressão de Doença (Progression Free Survival – PFS) foi 23 meses e da Sobrevivência Global (Overall Survival – OS) foi 27,4 meses. Dezassete doentes suspenderam o tratamento com osimertinib, 10 por progressão da doença e 7 por eventos/reações adversas graves, 3 dos quais por evento cardíaco grave com diminuição da FEVE e sintomas de ICC. Dos 7 doentes com monitorização cardíaca por ecocardiograma ao longo do tratamento, 3 apresentaram uma diminuição da FEVE > 10%, enquanto, que dos 19 doentes monitorizados com eletrocardiograma, 2 apresentaram um prolongamento do intervalo QT (> 480 ms). De salientar que todos os doentes em que se verificaram eventos cardíacos tinham de base comorbilidades cardiovasculares. Em conclusão, os resultados de vida real reportados neste estudo suportam a indicação de que, particularmente os doentes com comorbilidades cardiovasculares devem ser avaliados por ecocardiograma e eletrocardiograma (ECG) previamente ao início de terapêutica com osimertinib e manter uma monitorização cardíaca regular durante o tratamento com o fármaco.
Autores principais:Cardoso, Lurdes das Dores
Assunto:Cancro de não pequenas células do pulmão Inibidores da cinase da tirosina (TKI) Osimertinib Toxicidade cardíaca Diminuição da fração de ejeção ventricular esquerda Oncologia
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os Tyrosine Kinase Inhibitors (Inibidores da Cinase da Tirosina – TKIs) são fármacos utilizados na inibição de cinases mutadas e constitutivamente ativas ou sobre-expressas em células tumorais, responsáveis pela tumorigénese. São cada vez mais utilizados em diferentes neoplasias como fármacos-alvo em monoterapia ou em associação com outras classes terapêuticas. O tratamento direcionado com estes fármacos proporciona uma menor toxicidade do que a quimioterapia convencional, no entanto, não estão livres de efeitos adversos importantes nomeadamente a toxicidade cardíaca. Neste efeito adverso raro, mas importante, inclui-se a diminuição da Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) que pode condicionar sinais e sintomas de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) e alterações da condução elétrica, como o prolongamento do intervalo QT/QTc. O objetivo deste trabalho foi avaliar a incidência de eventos de toxicidade cardíaca associada ao tratamento com osimertinib, TKI anti-EGFR utilizado no tratamento do carcinoma de não pequenas células do pulmão (CNPCP) com mutação ativadora do EGFR (Epidermal Growth Factor Receptor). Realizou-se um estudo retrospetivo, de coorte, incluindo os doentes com CNPCP com mutação ativadora no gene EGFR, em estadio IV, tratados com osimertinib em primeira linha e seguidos em consulta de Pneumologia Oncológica (HPV) ou de Oncologia Médica (HSM). Foram recolhidos dados epidemiológicos e clínicos por consulta do processo clínico eletrónicos e físico dos doentes de forma recolher dados de variáveis clínicas e demográficas. Foram incluídos 65 doentes no estudo, com uma média de idades de 68,3 ± 12,5 anos, a maioria mulheres não-fumadoras. Apresentavam CNPCP com sub-tipo histológico ADC com exceção de um doente, com mutação ativadora EGFR, sobretudo nos exões 19 e 21, e com baixa ou nenhuma expressão do ligante de morte programada 1 (PD-L1). Os doentes da coorte em estudo, apresentavam maioritariamente comorbilidades cardiovasculares e encontravam-se em estadio avançado da doença (estadio IV). A localização da metastização foi preferencialmente o pulmão, osso e sistema nervoso central (SNC). A duração média do tratamento com osimertinib foi 16,8 ± 12,1 meses. A mediana da sobrevida Livre de Progressão de Doença (Progression Free Survival – PFS) foi 23 meses e da Sobrevivência Global (Overall Survival – OS) foi 27,4 meses. Dezassete doentes suspenderam o tratamento com osimertinib, 10 por progressão da doença e 7 por eventos/reações adversas graves, 3 dos quais por evento cardíaco grave com diminuição da FEVE e sintomas de ICC. Dos 7 doentes com monitorização cardíaca por ecocardiograma ao longo do tratamento, 3 apresentaram uma diminuição da FEVE > 10%, enquanto, que dos 19 doentes monitorizados com eletrocardiograma, 2 apresentaram um prolongamento do intervalo QT (> 480 ms). De salientar que todos os doentes em que se verificaram eventos cardíacos tinham de base comorbilidades cardiovasculares. Em conclusão, os resultados de vida real reportados neste estudo suportam a indicação de que, particularmente os doentes com comorbilidades cardiovasculares devem ser avaliados por ecocardiograma e eletrocardiograma (ECG) previamente ao início de terapêutica com osimertinib e manter uma monitorização cardíaca regular durante o tratamento com o fármaco.