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Vinculação em mulheres com história de interrupção espontânea da gravidez - estudo exploratório

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Resumo:Este trabalho de investigação constitui uma tese de mestrado em Psicologia Clínica, mais especificamente em psicologia da saúde, área da obstetrícia. Procura dar um contributo para o conhecimento de aspectos psicológicos envolvidos numa perturbação do projecto de maternidade, que é a interrupção espontânea da gravidez. A importância que a gravidez e maternidade têm na nossa vida, em sentido literal e simbólico, e na nossa cultura, são seguramente o móbil de inúmeros trabalhos na área da psico-obstetrícia. Com esta investigação procuramos conhecer melhor a realidade para melhor intervir, prestando os cuidados de saúde físicos e psico-afectivos mais adequados em cada situação. No imaginário comum, as experiências da gravidez e da maternidade/paternidade, são coloridas de vivências muito positivas, obliterando o lado mais sombrio que estas experiências de vida podem acarretar. Mesmo quando tudo corre bem, em termos de resultado final, a gravidez consegue ser, simultaneamente, recheada de alegria, esperança, vida, plenitude, mas também de medo, ansiedade e dúvida. O mesmo acontece ao longo da vivência de maternidade e de paternidade. O nosso trabalho incide, exactamente, num lado mais sombrio da procriação - a interrupção espontânea e indesejada (pelo menos, conscientemente) da gravidez. Do ponto de vista orgânico é assumido que, esta perturbação tem uma etiologia múltipla, nem sempre acessível à compreensão e intervenção médica. Do ponto de vista psicológico existem alguns trabalhos que procuram trazer à luz quer uma eventual etiologia psicológica, quer a compreensão dos factores psico-afectivos que para ela concorrem. Outros trabalhos, baseados nos pressupostos teóricos que os orientam e na experimentação, demonstram com clareza as vantagens das intervenções psicoterapêuticas na prevenção da recorrência do aborto espontâneo. Assumindo plenamente uma perspectiva psicossomática, sabemos que entre os processos psico-afectivos e os orgânico-fisiológicos existe um diálogo constante de dupla influência. É possível que os processos mentais/afectivos condicionem o funcionamento do corpo e, do mesmo modo, aceitamos que os disfuncionamentos orgânicos têm sempre repercussões no funcionamento psicológico. Num trabalho anterior pudemos contactar e trabalhar com senhoras afectadas por interrupções espontâneas da gravidez recorrentes; na sequência desta experiência, e após a consulta de diversos estudos relacionados com esta problemática, considerámos pertinente compreender melhor as dimensões relacionais das mulheres que vivem episódios de aborto espontâneo. Para além de um acontecimento biológico factual, a cessação inesperada e extemporânea da gestação obriga também a um corte numa relação estabelecida com um bebé, pelo menos ao nível do imaginário. Na maioria das vezes, este acontecimento é vivido como uma perda, que obriga ao correspondente trabalho de luto. Como em qualquer outro processo de elaboração da perda, é muito importante que o luto conduza a uma resolução, libertando a pessoa para estabelecer ligações com outros seres humanos. Em simultâneo, o trabalho que apresentamos procura ser um contributo para o estudo e compreensão de uma dimensão relacional - a vinculação. Sendo a vinculação uma forma de ligação, específica das relações próximas, parece-nos importante compreender de que modo as experiências de gravidez e da sua interrupção espontânea, afectam o padrão relacional das mulheres. Considerando que a relação de vinculação mais crítica, da vida adulta, é a que se estabelece com o cônjuge, estudámos os estilos de vinculação usando um instrumento que avalia as dimensões de ansiedade e evitamento vivenciadas nas relações próximas. (...)
Autores principais:Moreira, Ana Ribeiro, 1966-
Assunto:Teses de mestrado - 2001 Aborto espontâneo - área da grande Lisboa Vinculação Ansiedade Evitamento Mulheres grávidas
Ano:2001
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
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Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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