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Estudo da diversidade genética e da resistência primária à lamivudina de vírus da hepatite B em coinfectados por vírus da imunodeficiência humana, em Maputo, Moçambique

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Resumo:Introdução A era da TARV marcou o declínio das infecções oportunísticas associadas a VIH, entretanto, foram-se revelando outras causas de morbimortalidade, dada a maior sobrevida dos infectados, como é o caso da doença hepática crónica, associada à infecção por VHB. A prevalência mundial estimada da hepatite B crónica é de 400 milhões, sendo maiores as taxas de prevalência na Ásia e em África, onde, também, se concentra o maior número estimado de infectados por VIH. VHB é classificado, de acordo com resultados de análises filogenéticas, em oito genótipos designados de A a H, sendo que a prevalência desses genótipos varia de acordo com a região geográfica. Nos últimos anos vem crescendo a evidência de que os genótipos de VHB influenciam a evolução clínica da doença, as taxas de seroconversão dos marcadores víricos, os padrões de mutações nas regiões promotoras do core e precore e a resposta à terapêutica antivírica. Em muitos países de baixos recursos o tratamento disponível para a hepatite B é a LAM, a qual apresenta baixa barreira genética, levando à emergência de resistências em 93% dos casos, ao quarto ano de tratamento. Em Moçambique, é de se mencionar apenas um estudo publicado, em 2007, com 1.578 participantes, no qual se estimou a prevalência do AgHBs de 10,6%, em dadores de sangue. Entretanto, até a presente data, não há informação disponível sobre a diversidade genética e resistência primária à LAM de VHB. Objectivo Estudar a prevalência, a diversidade genética e o perfil de resistência primária à LAM, de VHB, em infectados por VIH, sem TARV prévia, na Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. Material e métodos Foi feito um estudo transversal, descritivo no qual foram incluídos infectados por VIH, sem TARV prévia, com idades superiores a 18 anos, seguidos na Consulta de Doença Crónica nos Centros de Saúde (CS) de Mavalane e Polana Caniço, Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. A colheita de informação foi feita por questionários fechados, exame físico e colheita de amostras de sangue para avaliação das aminotransferases, perfil imunitário do doente, perfil serológico da hepatite B, carga vírica, genótipo e perfil de resistência de VHB. Foram feitas comunicações diárias nas Unidades Sanitárias (US), com informação detalhada sobre os procedimentos do estudo, tendo o consentimento informado sido assinado por todos os participantes. O registo de dados e a análise estatística foram feitos por programas informáticos apropriados. Resultados Foram incluídos 518 indivíduos infectados por VIH, com idade média de 33 anos, maioritariamente do sexo feminino (66,2%). Foi encontrada uma prevalência de infecção por VHB de 9,1%. Foram definidos dois grupos, coinfectados por VIH e VHB e monoinfectados por VIH e estes foram comparados quanto a características demográficas, clínicas e laboratoriais. Das características sociodemográficas estudadas, como idade, género, não uso de preservativo, uso de drogas intravenosas, presença de escarificações, piercings ou tatuagens, história de transfusões sanguíneas, vacinação prévia para a hepatite B e múltiplos parceiros sexuais, só se notou haver diferença significativa quanto a antecedentes de transfusões sanguíneas (p=0,47). Quanto às características estudadas, os dados clínicos, colhidos na população do estudo, foram a presença de sinais de doença hepática crónica, como icterícia, ascite, hepatomegalia e esplenomegalia, não tendo sido observados nenhum destes sinais em ambos os grupos. Não se notaram, também, diferenças significativas entre os dois grupos, quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais estudadas (hemoglobina, leucócitos totais, linfócitos totais, plaquetas, linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas entre os dois grupos, verificando-se, apenas, alguma tendência, para tal, no que concerne à ALT (p=0,054). Foi quantificada a carga vírica de VHB a 46 dos 47 indivíduos coinfectados, tendo os valores sido estratificados em três grupos – sete (15,2%) tinham ADN de VHB não detectável, 27 tinham ADN de VHB <104 UI/mL e 12 (26,1%) tinham ADN de VHB >104UI/mL. Estes grupos foram, por sua vez, comparados quanto às características clínicas, não havendo diferenças, estatisticamente, significativas quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais (contagem de linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas. Foi feito o estudo genotípico de 27 (58,7%) amostras, tendo sido detectados o genótipo A em 25 (92,6%) indivíduos e o genótipo E em dois (7,4%). Não foram detectadas mutações de resistência à LAM nas amostras testadas. Conclusões Os resultados encontrados neste estudo, no que concerne à prevalência da infecção por VHB, vão de acordo com os resultados de outros estudos realizados em Moçambique em outros grupos populacionais, o que permite concluir que a transmissão da infecção por VHB ocorre precocemente. Os genótipos aqui identificados são sobreponíveis aos encontrados em estudos realizados em Moçambique e em países vizinhos. Outros factos a realçar foram a ausência, nos coinfectados, de sinais clínicos ou laboratoriais de doença hepática descompensada e, também, a ausência de mutações que conferem resistência à LAM, o que coloca a necessidade de se efectuarem estudos prospectivos para a avaliação da evolução clínica, laboratorial e da resposta a terapêutica antivírica nesta população.
Autores principais:Chambal, Lúcia Mabalane, 1983-
Assunto:VHB VIH LAM Prevalência Genótipos Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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Em muitos países de baixos recursos o tratamento disponível para a hepatite B é a LAM, a qual apresenta baixa barreira genética, levando à emergência de resistências em 93% dos casos, ao quarto ano de tratamento. Em Moçambique, é de se mencionar apenas um estudo publicado, em 2007, com 1.578 participantes, no qual se estimou a prevalência do AgHBs de 10,6%, em dadores de sangue. Entretanto, até a presente data, não há informação disponível sobre a diversidade genética e resistência primária à LAM de VHB. Objectivo Estudar a prevalência, a diversidade genética e o perfil de resistência primária à LAM, de VHB, em infectados por VIH, sem TARV prévia, na Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. Material e métodos Foi feito um estudo transversal, descritivo no qual foram incluídos infectados por VIH, sem TARV prévia, com idades superiores a 18 anos, seguidos na Consulta de Doença Crónica nos Centros de Saúde (CS) de Mavalane e Polana Caniço, Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. A colheita de informação foi feita por questionários fechados, exame físico e colheita de amostras de sangue para avaliação das aminotransferases, perfil imunitário do doente, perfil serológico da hepatite B, carga vírica, genótipo e perfil de resistência de VHB. Foram feitas comunicações diárias nas Unidades Sanitárias (US), com informação detalhada sobre os procedimentos do estudo, tendo o consentimento informado sido assinado por todos os participantes. O registo de dados e a análise estatística foram feitos por programas informáticos apropriados. Resultados Foram incluídos 518 indivíduos infectados por VIH, com idade média de 33 anos, maioritariamente do sexo feminino (66,2%). Foi encontrada uma prevalência de infecção por VHB de 9,1%. Foram definidos dois grupos, coinfectados por VIH e VHB e monoinfectados por VIH e estes foram comparados quanto a características demográficas, clínicas e laboratoriais. Das características sociodemográficas estudadas, como idade, género, não uso de preservativo, uso de drogas intravenosas, presença de escarificações, piercings ou tatuagens, história de transfusões sanguíneas, vacinação prévia para a hepatite B e múltiplos parceiros sexuais, só se notou haver diferença significativa quanto a antecedentes de transfusões sanguíneas (p=0,47). Quanto às características estudadas, os dados clínicos, colhidos na população do estudo, foram a presença de sinais de doença hepática crónica, como icterícia, ascite, hepatomegalia e esplenomegalia, não tendo sido observados nenhum destes sinais em ambos os grupos. Não se notaram, também, diferenças significativas entre os dois grupos, quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais estudadas (hemoglobina, leucócitos totais, linfócitos totais, plaquetas, linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas entre os dois grupos, verificando-se, apenas, alguma tendência, para tal, no que concerne à ALT (p=0,054). Foi quantificada a carga vírica de VHB a 46 dos 47 indivíduos coinfectados, tendo os valores sido estratificados em três grupos – sete (15,2%) tinham ADN de VHB não detectável, 27 tinham ADN de VHB <104 UI/mL e 12 (26,1%) tinham ADN de VHB >104UI/mL. Estes grupos foram, por sua vez, comparados quanto às características clínicas, não havendo diferenças, estatisticamente, significativas quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais (contagem de linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas. Foi feito o estudo genotípico de 27 (58,7%) amostras, tendo sido detectados o genótipo A em 25 (92,6%) indivíduos e o genótipo E em dois (7,4%). Não foram detectadas mutações de resistência à LAM nas amostras testadas. Conclusões Os resultados encontrados neste estudo, no que concerne à prevalência da infecção por VHB, vão de acordo com os resultados de outros estudos realizados em Moçambique em outros grupos populacionais, o que permite concluir que a transmissão da infecção por VHB ocorre precocemente. Os genótipos aqui identificados são sobreponíveis aos encontrados em estudos realizados em Moçambique e em países vizinhos. Outros factos a realçar foram a ausência, nos coinfectados, de sinais clínicos ou laboratoriais de doença hepática descompensada e, também, a ausência de mutações que conferem resistência à LAM, o que coloca a necessidade de se efectuarem estudos prospectivos para a avaliação da evolução clínica, laboratorial e da resposta a terapêutica antivírica nesta população.
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Em muitos países de baixos recursos o tratamento disponível para a hepatite B é a LAM, a qual apresenta baixa barreira genética, levando à emergência de resistências em 93% dos casos, ao quarto ano de tratamento. Em Moçambique, é de se mencionar apenas um estudo publicado, em 2007, com 1.578 participantes, no qual se estimou a prevalência do AgHBs de 10,6%, em dadores de sangue. Entretanto, até a presente data, não há informação disponível sobre a diversidade genética e resistência primária à LAM de VHB. Objectivo Estudar a prevalência, a diversidade genética e o perfil de resistência primária à LAM, de VHB, em infectados por VIH, sem TARV prévia, na Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. Material e métodos Foi feito um estudo transversal, descritivo no qual foram incluídos infectados por VIH, sem TARV prévia, com idades superiores a 18 anos, seguidos na Consulta de Doença Crónica nos Centros de Saúde (CS) de Mavalane e Polana Caniço, Área de Saúde de Mavalane, Cidade de Maputo, Moçambique. A colheita de informação foi feita por questionários fechados, exame físico e colheita de amostras de sangue para avaliação das aminotransferases, perfil imunitário do doente, perfil serológico da hepatite B, carga vírica, genótipo e perfil de resistência de VHB. Foram feitas comunicações diárias nas Unidades Sanitárias (US), com informação detalhada sobre os procedimentos do estudo, tendo o consentimento informado sido assinado por todos os participantes. O registo de dados e a análise estatística foram feitos por programas informáticos apropriados. Resultados Foram incluídos 518 indivíduos infectados por VIH, com idade média de 33 anos, maioritariamente do sexo feminino (66,2%). Foi encontrada uma prevalência de infecção por VHB de 9,1%. Foram definidos dois grupos, coinfectados por VIH e VHB e monoinfectados por VIH e estes foram comparados quanto a características demográficas, clínicas e laboratoriais. Das características sociodemográficas estudadas, como idade, género, não uso de preservativo, uso de drogas intravenosas, presença de escarificações, piercings ou tatuagens, história de transfusões sanguíneas, vacinação prévia para a hepatite B e múltiplos parceiros sexuais, só se notou haver diferença significativa quanto a antecedentes de transfusões sanguíneas (p=0,47). Quanto às características estudadas, os dados clínicos, colhidos na população do estudo, foram a presença de sinais de doença hepática crónica, como icterícia, ascite, hepatomegalia e esplenomegalia, não tendo sido observados nenhum destes sinais em ambos os grupos. Não se notaram, também, diferenças significativas entre os dois grupos, quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais estudadas (hemoglobina, leucócitos totais, linfócitos totais, plaquetas, linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas entre os dois grupos, verificando-se, apenas, alguma tendência, para tal, no que concerne à ALT (p=0,054). Foi quantificada a carga vírica de VHB a 46 dos 47 indivíduos coinfectados, tendo os valores sido estratificados em três grupos – sete (15,2%) tinham ADN de VHB não detectável, 27 tinham ADN de VHB <104 UI/mL e 12 (26,1%) tinham ADN de VHB >104UI/mL. Estes grupos foram, por sua vez, comparados quanto às características clínicas, não havendo diferenças, estatisticamente, significativas quanto ao estádio clínico da infecção por VIH, segundo a OMS. Quanto às características laboratoriais (contagem de linfócitos TCD4+, AST e ALT) não se notaram diferenças, estatisticamente, significativas. Foi feito o estudo genotípico de 27 (58,7%) amostras, tendo sido detectados o genótipo A em 25 (92,6%) indivíduos e o genótipo E em dois (7,4%). Não foram detectadas mutações de resistência à LAM nas amostras testadas. Conclusões Os resultados encontrados neste estudo, no que concerne à prevalência da infecção por VHB, vão de acordo com os resultados de outros estudos realizados em Moçambique em outros grupos populacionais, o que permite concluir que a transmissão da infecção por VHB ocorre precocemente. Os genótipos aqui identificados são sobreponíveis aos encontrados em estudos realizados em Moçambique e em países vizinhos. 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