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Biometria fetal e viabilidade neonatal em cães da raça retriever do labrador

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Resumo:As variabilidades de morfologia, taxas de crescimento e peso verificadas nas diferentes raças de cães, criam a necessidade de desenvolver parâmetros específicos para cada raça no âmbito da biometria fetal e da viabilidade neonatal de modo a salvaguardar a saúde materna e neonatal. O nosso estudo incluiu 26 cadelas e 148 cachorros da raça Retriever do Labrador. Foram realizados exames ecográficos entre os 25-35 dias de gestação (29 ± 4 dias) para medição do diâmetro da cavidade coriónica interna (ICC) e crown-rump length (CRL). Entre os 40–50 dias de gestação (46 ± 2 dias) foram medidos o diâmetro biparietal (BPD), diâmetro do corpo (BD) e comprimento do fémur (FL). Com base nas medições obtidas, foram desenvolvidas equações de regressão linear para a previsão da data do parto. A precisão das equações foi analisada retrospetivamente. Aquando do parto, os cachorros foram avaliados pela escala de Apgar. O peso corporal e a mortalidade foram registadas desde o nascimento até aos 12 dias de idade. A precisão dos modelos de regressão linear desenvolvidos foi de 40,0% e 90,0% para ICC, 80,0% e 100,0% para CRL, 90,0% e 100,0% para BPD, BD e FL para um erro de ±1 e ±2 dias, respetivamente. A precisão verificada foi geralmente inferior ao aplicar as medições obtidas a equações desenvolvidas por outros autores para cadelas de porte semelhante. A mortalidade perinatal total foi de 27,70%, na qual 53,66% correspondeu a mortalidade ao nascimento. A mortalidade neonatal precoce foi de 12,84%. O risco de mortalidade ao nascimento foi maior com o aumento do intervalo decorrido entre o nascimento de cachorros (p=0,003; valor-limite: 1h 27 min). Para a mortalidade até às 48h o decréscimo de pontuação de Apgar foi identificado como um factor de risco (p=0,01; valor-limite= 8,5). A diferença percentual do peso corporal foi um factor de risco para a mortalidade entre os 2 e 4 dias de idade (p=0,026; valor-limite: -1,11%) e entre os 4 e 6 dias de idade (p=0,008; valor-limite: 4,18%). Os resultados apresentados vêm corroborar a importância do desenvolvimento de critérios específicas para cada raça não só na previsão da data do parto com a biometria fetal mas também na identificação de fatores de risco para a mortalidade neonatal. Adicionalmente, demonstram como o FL poderá ser um parâmetro promissor na biometria fetal que ainda carece de investigação.
Autores principais:Soares, Beatriz Gander Schulze Ferreira
Assunto:Ecografia gestação biometria fetal viabilidade neonatal mortalidade neonatal Retriever do Labrador Ultrasound pregnancy fetal biometry neonatal viability neonatal mortality Labrador Retriever
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As variabilidades de morfologia, taxas de crescimento e peso verificadas nas diferentes raças de cães, criam a necessidade de desenvolver parâmetros específicos para cada raça no âmbito da biometria fetal e da viabilidade neonatal de modo a salvaguardar a saúde materna e neonatal. O nosso estudo incluiu 26 cadelas e 148 cachorros da raça Retriever do Labrador. Foram realizados exames ecográficos entre os 25-35 dias de gestação (29 ± 4 dias) para medição do diâmetro da cavidade coriónica interna (ICC) e crown-rump length (CRL). Entre os 40–50 dias de gestação (46 ± 2 dias) foram medidos o diâmetro biparietal (BPD), diâmetro do corpo (BD) e comprimento do fémur (FL). Com base nas medições obtidas, foram desenvolvidas equações de regressão linear para a previsão da data do parto. A precisão das equações foi analisada retrospetivamente. Aquando do parto, os cachorros foram avaliados pela escala de Apgar. O peso corporal e a mortalidade foram registadas desde o nascimento até aos 12 dias de idade. A precisão dos modelos de regressão linear desenvolvidos foi de 40,0% e 90,0% para ICC, 80,0% e 100,0% para CRL, 90,0% e 100,0% para BPD, BD e FL para um erro de ±1 e ±2 dias, respetivamente. A precisão verificada foi geralmente inferior ao aplicar as medições obtidas a equações desenvolvidas por outros autores para cadelas de porte semelhante. A mortalidade perinatal total foi de 27,70%, na qual 53,66% correspondeu a mortalidade ao nascimento. A mortalidade neonatal precoce foi de 12,84%. O risco de mortalidade ao nascimento foi maior com o aumento do intervalo decorrido entre o nascimento de cachorros (p=0,003; valor-limite: 1h 27 min). Para a mortalidade até às 48h o decréscimo de pontuação de Apgar foi identificado como um factor de risco (p=0,01; valor-limite= 8,5). A diferença percentual do peso corporal foi um factor de risco para a mortalidade entre os 2 e 4 dias de idade (p=0,026; valor-limite: -1,11%) e entre os 4 e 6 dias de idade (p=0,008; valor-limite: 4,18%). Os resultados apresentados vêm corroborar a importância do desenvolvimento de critérios específicas para cada raça não só na previsão da data do parto com a biometria fetal mas também na identificação de fatores de risco para a mortalidade neonatal. Adicionalmente, demonstram como o FL poderá ser um parâmetro promissor na biometria fetal que ainda carece de investigação.