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Estratégia diagnóstica da diabetes na doença arterial coronária : as novas guidelines europeias são um retrocesso?

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Resumo:Introdução: As novas recomendações Europeias de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM) e doença cardiovascular, sugerem que o risco de DM deve ser avaliado através do score de risco FINDRISC e que o rastreio de DM na população com doença arterial coronária (DAC) deve ser efetuado apenas com a glicemia plasmática em jejum (GPJ) e a HbA1, remetendo a prova de tolerância oral à glicose (PTOG) para os casos “inconclusivos”. Esta estratégia difere da previamente defendida nas Guidelines e poderá deixar por diagnosticar alguns casos de DM, identificáveis pela PTOG. Objetivo. Avaliar o valor do score FINDRISC na seleção dos doentes candidatos a PTOG e avaliar a capacidade diagnóstica da estratégia proposta pelas Guidelines Europeias na identificação de novos casos de DM, numa população de doentes com DAC estabelecida Métodos. A GPJ, HbA1c e a PTOG (75g, 2h) foram avaliadas prospectivamente num grupo de doentes consecutivos submetidos a intervenção coronária percutânea, sendo usada a classificação da ADA para pré-DM (GPJ 100-125 mg/dl e/ou glicemia 2h 140-199 mg/dl e/ou HbA1c 5.7–6.4%) e DM (GPJ ≥ 126 mg/dl e/ou glicemia 2-h ≥200 mg/dl e/ou HbA1c ≥ 6.5%). O risco de diabetes foi avaliado de acordo com o score FINDRISC (que inclui a idade, perímetro abdominal, IMC, hábitos de exercício físico, hábitos alimentares, história de HTA, distúrbios da glicemia previamente conhecidos e história familiar de DM). Resultados. De uma população inicial de 185 doentes, 50 (27.0%) tinham história prévia de diabetes. Os restantes 135 doentes (idade média 62.3+/-13.1 anos, 99 homens) constituem a população do estudo. O score FINDRISC mostrou risco baixo, ligeiramente elevado, moderado ou alto/muito alto em respetivamente 17 (12.6%), 51 (37.8%), 38 (28.1%) e 29 (21.5%) dos doentes. Usando a PTOG e a HbA1c, foram diagnosticados 18 (13.3%) novos casos de DM e 77 (57.0%) casos de pré-DM; apenas 40 doentes (29.6%) apresentavam um metabolismo da glicemia normal (21.6%, se considerarmos a população inicial, com os diabéticos já previamente conhecidos). O score FINDRISC nos doentes com DM de novo foi baixo em 1 (5.5%), ligeiramente elevado em 5 (27.8%), moderado em 5 (27.8%) e alto/muito alto em 7 (38.9%) doentes. Página 4 de 33 A GPJ+HbA1c identificou 12/18 doentes com DM (Sens 66.7%, VPN 95.1%, Kappa 0,78, p<0,0001) e 83 do total (pré-DM + DM) de 95 doentes com distúrbios da glucose (Sens 87.4%, VPN 76.9%). Realizar adicionalmente PTOG nos 29 doentes com um score de risco FINDRISC elevado permitiu diagnosticar 15/18 doentes com DM (Sens 83.3%, VPN 97.5%, Kappa 0.85, p<0.0001) e 86/95 dos doentes com distúrbios da glucose (Sens 90.5%, VPN 81.6%). Apesar da melhoria diagnóstica, 1 em cada 6 doentes com DM não seria diagnosticado por esta estratégia. Conclusões. A utilização do score de risco FINDRISC como forma de selecionar os doentes candidatos a rastreio com PTOG melhora a capacidade diagnóstica, quando comparada com a simples avaliação da GPJ e da HbA1c. No entanto, 1 em cada 6 doentes com DM não é identificado com esta metodologia. Tendo em atenção o impacto prognóstico da DM na DAC, a identificação de todos os casos é fundamental, pelo que deveria recomendar-se a realização sistemática de HbA1c em conjunto com PTOG em todos os doentes com DAC e sem DM previamente conhecida.
Autores principais:Ribeiro, Andreia Soares Teles
Assunto:Diabetes mellitus Doença das coronárias Guias de prática clínica
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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