| Resumo: | Introdução: Muitos medicamentos contêm substâncias químicas que podem ser prejudiciais para o ambiente e, quando não são eliminados corretamente, podem chegar ao ambiente. A procura de medicamentos tem vindo a aumentar, o que consequentemente conduz a um aumento da produção, distribuição, prescrição, dispensa e desperdício de medicamentos, um problema crescente nos dias de hoje. Tendo isto em conta, é imperativo que a forma como os medicamentos são utilizados seja a mais sustentável possível. Os farmacêuticos podem contribuir amplamente para a utilização sustentável do medicamento através da aplicação de diversas medidas na sua atividade profissional. Objetivos: O objetivo deste estudo é compreender o impacto negativo que os princípios ativos têm no ambiente e o papel que os farmacêuticos comunitários podem ter na utilização sustentável do medicamento. Adicionalmente, recolher informação sobre as medidas atualmente implementadas para reduzir o desperdício de medicamentos e obter informação sobre as prioridades, facilitadores e barreiras que os farmacêuticos comunitários enfrentam na promoção do uso sustentável do medicamento. Métodos: Foi efetuada uma revisão da literatura sobre o uso sustentável do medicamento. Com base nesta revisão, foi elaborado um questionário no Qualtrics®XM para ser aplicado a farmacêuticos comunitários em Portugal. Foi obtida uma amostra de 59 farmacêuticos. A análise dos dados foi realizada com recurso ao Excel Microsoft365®, maioritariamente através de estatística descritiva. Resultados: Um maior envolvimento dos farmacêuticos em práticas diárias sustentáveis do ponto de vista ambiental não implica uma visão mais consciente de comportamentos sustentáveis na atividade profissional. Seguir o princípio "first in first out" (fase de distribuição; 71,2%), discutir com o doente a quantidade de medicamentos necessários (fase de dispensa; 64,4%) e ter um programa contínuo de recolha de medicamentos implementado na farmácia (fase de eliminação; 69,5%) constituem as medidas mais implementadas. As medidas relativas à fase de prescrição revelaram ser pouco implementadas. As barreiras identificadas como mais importantes foram a falta de espaço de armazenamento se as entregas forem mais espaçadas no tempo, o grande número de doentes por dia que vêm à farmácia e a consciencialização dos doentes. Os facilitadores mais importantes foram a legislação, a compensação financeira por atividades destinadas à utilização sustentável dos medicamentos e a existência de uma boa relação com os médicos de clínica geral. Os farmacêuticos consideraram que as medidas da fase da prescrição são as mais importantes para implementar (32,2%), mas que as medidas da fase da dispensa são as mais viáveis de implementar (33,9%). Conclusões: Os farmacêuticos comunitários empregam ativamente múltiplas estratégias em várias fases da cadeia farmacêutica para mitigar o desperdício de medicamentos. No entanto, há uma disparidade notável na adesão às medidas da fase de prescrição, indicando uma área para melhoria. Os principais obstáculos e facilitadores à implementação destas medidas foram identificados e devem agora ser ultrapassados e tidos em conta para melhorar a sua taxa de implementação. Para concluir, o papel dos farmacêuticos noutros setores é também extremamente importante e deve, portanto, ser explorado em conjunto no futuro. |