Publicação
Novas tecnologias, velhos hábitos : ENDS e os novos dispositivos de tabaco aquecido
| Resumo: | Numa altura em que se observa um decréscimo do consumo de tabaco fruto da implementação de políticas e medidas de controlo tabágico eficazes, têm surgido no mercado várias alternativas ao tabaco tradicional, incluindo os sistemas eletrónicos dispensadores de nicotina (cigarros eletrónicos) e os produtos de tabaco aquecido (PTA). Os cigarros eletrónicos são dispositivos que aquecem um líquido contendo nicotina, produzindo um aerossol que os consumidores inalam. Os PTA originam um aerossol ao aquecer diretamente o tabaco, sem chegar a provocar a sua combustão. Embora sejam publicitados com alegações de risco reduzido relativamente aos cigarros, não são inócuos. Para além da libertação de nicotina, são responsáveis pela emissão de diversos constituintes nocivos. Em geral, os compostos químicos gerados pelos PTA são em quantidades muito menores do que os produzidos pelos cigarros, mas superiores aos dos cigarros eletrónicos. Estes produtos são diferentes e podem causar doenças não causadas pelo tabaco convencional. Apesar de estudos recentes apontarem para uma possível eficácia dos cigarros eletrónicos na cessação tabágica, a segurança a longo prazo é desconhecida e é necessária uma maior investigação. A evidência atual é insuficiente para suportar as alegações da indústria tabaqueira e parece responder unicamente a interesses comerciais, surgindo como uma forma de contornar as políticas de controlo tabágico e perpetuar a dependência de nicotina. Até ao momento, não se conseguiu demonstrar que os novos produtos venham a substituir totalmente os cigarros convencionais sem atrair não-fumadores, sendo especialmente preocupante nos jovens, onde a prevalência é alta e se observou uma associação entre o consumo de cigarros eletrónicos e uma maior probabilidade de iniciação ao tabagismo subsequente. |
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| Autores principais: | Valadas, Rita Godinho Coelho |
| Assunto: | Sistemas eletrónicos de dispensa de nicotina Cigarros eletrónicos Produtos de tabaco aquecidos iQOS Otorrinolaringologia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Numa altura em que se observa um decréscimo do consumo de tabaco fruto da implementação de políticas e medidas de controlo tabágico eficazes, têm surgido no mercado várias alternativas ao tabaco tradicional, incluindo os sistemas eletrónicos dispensadores de nicotina (cigarros eletrónicos) e os produtos de tabaco aquecido (PTA). Os cigarros eletrónicos são dispositivos que aquecem um líquido contendo nicotina, produzindo um aerossol que os consumidores inalam. Os PTA originam um aerossol ao aquecer diretamente o tabaco, sem chegar a provocar a sua combustão. Embora sejam publicitados com alegações de risco reduzido relativamente aos cigarros, não são inócuos. Para além da libertação de nicotina, são responsáveis pela emissão de diversos constituintes nocivos. Em geral, os compostos químicos gerados pelos PTA são em quantidades muito menores do que os produzidos pelos cigarros, mas superiores aos dos cigarros eletrónicos. Estes produtos são diferentes e podem causar doenças não causadas pelo tabaco convencional. Apesar de estudos recentes apontarem para uma possível eficácia dos cigarros eletrónicos na cessação tabágica, a segurança a longo prazo é desconhecida e é necessária uma maior investigação. A evidência atual é insuficiente para suportar as alegações da indústria tabaqueira e parece responder unicamente a interesses comerciais, surgindo como uma forma de contornar as políticas de controlo tabágico e perpetuar a dependência de nicotina. Até ao momento, não se conseguiu demonstrar que os novos produtos venham a substituir totalmente os cigarros convencionais sem atrair não-fumadores, sendo especialmente preocupante nos jovens, onde a prevalência é alta e se observou uma associação entre o consumo de cigarros eletrónicos e uma maior probabilidade de iniciação ao tabagismo subsequente. |
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