Publicação
Alfa-talassemia: etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e terapêutica
| Resumo: | As talassemias fazem parte das doenças monogénicas hereditárias mais comuns mundialmente, sendo que a α-talassemia é caracterizada pela ausência (α0) ou diminuição (α+) da produção de cadeias de α-globina. O fenótipo das α-talassemias está diretamente relacionado com o número de genes de α-globina afetados e inclui quatro condições diversas, desde o estado de portador silencioso, o traço de α-talassemia, a doença da hemoglobina H clinicamente variável, até à síndrome de hidropisia fetal da hemoglobina Bart. É uma doença comum no subcontinente indiano, nos países mediterrâneos, em África, no Médio Oriente, no sul da China e no sudeste da Ásia, no entanto, tem sido difundida por todo o mundo devido à migração das populações. A α-talassemia geralmente apresenta-se com anemia, uma diminuição nos índices eritrocitários (VGM, HGM), hipocromia, microcitose e anisopoiquilocitose e varia em gravidade, de anemia leve, que é uma talassemia não dependente de transfusão, ao extremo mais grave onde é dependente de transfusão. O diagnóstico laboratorial desta doença inclui métodos hematológicos e bioquímicos iniciais e presuntivos e métodos moleculares confirmativos. Assim, normalmente, é realizado um hemograma completo, medida a relação de síntese das cadeias de α/β globina, executada uma HPLC, eletroforese capilar ou focagem isoelétrica e, eventualmente, efetuado um método molecular, como a análise de Dot-Blot, Gap-PCR, PCR específica de alelo, MLPA ou Sequenciação de DNA, como método confirmativo. A terapêutica destes doentes vai depender da gravidade clínica da doença, pelo que há indivíduos que podem não necessitar de qualquer tratamento, mas, também, doentes que precisam de transfusões sanguíneas regulares e quelação de ferro, que constitui a terapêutica mais comum. Além destas medidas terapêuticas, pode ser necessário administrar agentes estimuladores da eritropoiese, proceder a uma esplenectomia ou a um transplante de células estaminais hematopoiéticas. No entanto, o rastreio continua a ser uma medida muito importante na prevenção da doença grave. Atualmente, estão em desenvolvimento terapêuticas com novos alvos de tratamento, incluindo técnicas curativas de manipulação genética e agentes modificadores de doença, incluindo moléculas-alvo como a hepcidina ou a piruvato cinase. |
|---|---|
| Autores principais: | Inácio, Beatriz Cardona |
| Assunto: | α-talassemia Tratamento Hemoglobina Doença da HbH Hidropisia fetal de Bart Etiologia Fisiopatologia Diagnóstico Tratamento Mestrado integrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As talassemias fazem parte das doenças monogénicas hereditárias mais comuns mundialmente, sendo que a α-talassemia é caracterizada pela ausência (α0) ou diminuição (α+) da produção de cadeias de α-globina. O fenótipo das α-talassemias está diretamente relacionado com o número de genes de α-globina afetados e inclui quatro condições diversas, desde o estado de portador silencioso, o traço de α-talassemia, a doença da hemoglobina H clinicamente variável, até à síndrome de hidropisia fetal da hemoglobina Bart. É uma doença comum no subcontinente indiano, nos países mediterrâneos, em África, no Médio Oriente, no sul da China e no sudeste da Ásia, no entanto, tem sido difundida por todo o mundo devido à migração das populações. A α-talassemia geralmente apresenta-se com anemia, uma diminuição nos índices eritrocitários (VGM, HGM), hipocromia, microcitose e anisopoiquilocitose e varia em gravidade, de anemia leve, que é uma talassemia não dependente de transfusão, ao extremo mais grave onde é dependente de transfusão. O diagnóstico laboratorial desta doença inclui métodos hematológicos e bioquímicos iniciais e presuntivos e métodos moleculares confirmativos. Assim, normalmente, é realizado um hemograma completo, medida a relação de síntese das cadeias de α/β globina, executada uma HPLC, eletroforese capilar ou focagem isoelétrica e, eventualmente, efetuado um método molecular, como a análise de Dot-Blot, Gap-PCR, PCR específica de alelo, MLPA ou Sequenciação de DNA, como método confirmativo. A terapêutica destes doentes vai depender da gravidade clínica da doença, pelo que há indivíduos que podem não necessitar de qualquer tratamento, mas, também, doentes que precisam de transfusões sanguíneas regulares e quelação de ferro, que constitui a terapêutica mais comum. Além destas medidas terapêuticas, pode ser necessário administrar agentes estimuladores da eritropoiese, proceder a uma esplenectomia ou a um transplante de células estaminais hematopoiéticas. No entanto, o rastreio continua a ser uma medida muito importante na prevenção da doença grave. Atualmente, estão em desenvolvimento terapêuticas com novos alvos de tratamento, incluindo técnicas curativas de manipulação genética e agentes modificadores de doença, incluindo moléculas-alvo como a hepcidina ou a piruvato cinase. |
|---|