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As construções de duplo objecto em xitshwa:repercurssões em falantes do português língua não materna

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Resumo:Em Xitshwa ocorrem construções encabeçadas por um verbo ditransitivo que envolvem dois argumentos DP-objecto - nenhum desses argumentos ser regido de preposição denominam-se construções de duplo objecto. Essas construções, na voz activa, apresentam as seguintes variações estruturais: [DP0 V-0/APL/CAUS DP1 DP2] / [DP0 V-0/APL/CAUS DP2 DP1]. As concomitantes estruturas aplicativas e causativas passivizadas apresentam as seguintes variações estruturais: [SUJ V-Pass DP2 PP]/[SUJ V-Pass DP1 PP]. A estas variáveis sintácticas adicionam-se aquelas que têm a ver com factores semânticos que caracterizam os objectos, nomeadamente, os factores [+/- humano/ animado]. Relativamente a atribuição de Caso aos DPs em enunciados activos, assumimos que o verbo activo do Xitshwa, independentemente da ordem dos objectos atribui Caso dativo ao beneficiário e Caso acusativo ao tema /paciente. Nas construções passivas do Xitshwa, o verbo retém a capacidade de atribuir Caso estrutural a ambos os objectos, sendo que o morfema passivo pode absorver um dos Casos. Assim, o morfema passivo absorve o Caso que seria atribuído ao DP deslocado para a posição de sujeito passivo, desse modo, esse DP não recebe nenhum Caso na posição pós-verbal e é forçado a mover-se para a posição de sujeito para adquirir Caso nominativo. O segundo DP, caso seja [+humano/ animado], é marcado pelo Caso dativo pelo verbo passivo como se estivesse numa construção activa em que o verbo atribui Caso dativo. Se este DP for [-animado], então, é marcado pelo Caso acusativo. Aborda-se igualmente a influência que a estrutura de DO e suas combinações exercem sobre o Português de Moçambique quando falado por indivíduos cuja língua materna é o Xitshwa. Para validar as hipóteses lançadas, procedeu-se à aplicação de um inquérito por questionário. O questionário foi aplicado em Maputo e maioritariamente na província de Inhambane (onde o Xitshwa é endémico). Nesta província privilegiou-se a zona de Cambine, lugar onde se fala o Xitshwa padrão. Depois de processados os dados, retirou-se as conclusões que vão ao encontro dos pressupostos avançados na definição das hipóteses.
Autores principais:Cumbane, Rui Marcelino Matsimbe, 1966-
Assunto:Teses de doutoramento - 2009 Língua xitshwa Línguas bantas Construções de duplo objecto Transitividade Sintaxe Morfologia Língua portuguesa como língua estrangeira - Moçambique Teses de doutoramento - 2009
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em Xitshwa ocorrem construções encabeçadas por um verbo ditransitivo que envolvem dois argumentos DP-objecto - nenhum desses argumentos ser regido de preposição denominam-se construções de duplo objecto. Essas construções, na voz activa, apresentam as seguintes variações estruturais: [DP0 V-0/APL/CAUS DP1 DP2] / [DP0 V-0/APL/CAUS DP2 DP1]. As concomitantes estruturas aplicativas e causativas passivizadas apresentam as seguintes variações estruturais: [SUJ V-Pass DP2 PP]/[SUJ V-Pass DP1 PP]. A estas variáveis sintácticas adicionam-se aquelas que têm a ver com factores semânticos que caracterizam os objectos, nomeadamente, os factores [+/- humano/ animado]. Relativamente a atribuição de Caso aos DPs em enunciados activos, assumimos que o verbo activo do Xitshwa, independentemente da ordem dos objectos atribui Caso dativo ao beneficiário e Caso acusativo ao tema /paciente. Nas construções passivas do Xitshwa, o verbo retém a capacidade de atribuir Caso estrutural a ambos os objectos, sendo que o morfema passivo pode absorver um dos Casos. Assim, o morfema passivo absorve o Caso que seria atribuído ao DP deslocado para a posição de sujeito passivo, desse modo, esse DP não recebe nenhum Caso na posição pós-verbal e é forçado a mover-se para a posição de sujeito para adquirir Caso nominativo. O segundo DP, caso seja [+humano/ animado], é marcado pelo Caso dativo pelo verbo passivo como se estivesse numa construção activa em que o verbo atribui Caso dativo. Se este DP for [-animado], então, é marcado pelo Caso acusativo. Aborda-se igualmente a influência que a estrutura de DO e suas combinações exercem sobre o Português de Moçambique quando falado por indivíduos cuja língua materna é o Xitshwa. Para validar as hipóteses lançadas, procedeu-se à aplicação de um inquérito por questionário. O questionário foi aplicado em Maputo e maioritariamente na província de Inhambane (onde o Xitshwa é endémico). Nesta província privilegiou-se a zona de Cambine, lugar onde se fala o Xitshwa padrão. Depois de processados os dados, retirou-se as conclusões que vão ao encontro dos pressupostos avançados na definição das hipóteses.