Publicação
Implementação do novo modelo de avaliação do desempenho docente : a perspectiva de professores de uma E.B 2/3 entre 2001 e 2009
| Resumo: | A avaliação do desempenho dos docentes, a medição da eficácia dos seus ensinamentos, foi desde sempre um assunto polémico e de difícil execução. Uma nova política de avaliação surge, articulada a grandes e profundas mudanças no estatuto da carreira docente, intocado desde a sua concepção nos inícios dos anos 90. Estas mudanças vieram no seguimento de um conjunto de alterações legais, com reflexos nas condições de trabalho dos trabalhadores da administração pública, entre os quais se incluem os professores, nomeadamente: o aumento da idade de aposentação, a suspensão de progressões na carreira por um período superior a dois anos (28 meses) e a contenção de aumentos salariais. As mudanças no estatuto da carreira docente visavam uma melhoria da eficácia do desempenho docente, propondo-se a excelência e a distinção de desempenhos, num campo onde sempre pairou a igualdade. Um novo modelo de avaliação, mais abrangente, diversificado e regulador surge regulamentado nos finais de Janeiro de 2008. É também com este decreto, 2/2008 de 10 de Janeiro, que se instala uma discórdia total entre a classe visada e a tutela, com diversas manifestações, greves e protestos encabeçadas pela classe docente, unida como nunca visto e totalmente contra as pretensões governamentais. A necessidade de regrar as medidas destinadas à classe docente com as já anteriormente tomadas para grande parte dos trabalhadores da administração pública (SIADAP) ―impôs, por sua vez, um prazo curto para a introdução da avaliação do desempenho dos professores e para retomar o processo de progressão na carreira. A resistência por parte dos professores reflecte ainda as dificuldades criadas pela operacionalização de um modelo tão abrangente num curto espaço de tempo, aliadas a algumas consequências inesperadas do modelo‖ (OCDE, 2009. p.1). Esta investigação surge na altura em que a carreira docente sofre profundas alterações, principalmente nas regras de acesso e progressão. O novo modelo de avaliação de desempenho docente, acima referido, tem um impacto mais expressivo na carreira, pois impede que a progressão dos docentes se faça quase automaticamente. Surge uma avaliação com uma carga negativa, pois é esta que dita quem vai deixar de progredir rapidamente (mais do que com uma carga positiva, indicando quem vai progredir rapidamente). Com este cenário delineado, exigir-se-á um rigor absoluto e insenção à avaliação de desempenho, sem o qual se produzirá a sua descredibilização global. A implementação do novo modelo de avaliação revela-se assim um empreendimento ―crítico‖. Com este trabalho pretende-se compreender as dificuldades sentidas na implementação do novo modelo de avaliação de desempenho docente. Inicia-se com uma construção conceptual do que é o profissional da educação, o que se entende por desenvolvimento profissional, competência profissional e eficácia pedagógica. São abordadas as questões inerentes à avaliação formativa e sumativa, são exemplificados alguns modelos de avaliação de desempenho realizados nos Estados Unidos tendo como referência o resultado dos alunos. A natureza exploratória deste estudo legitimou o recurso aos seus principais actores, os professores, procurando identificar as suas perspectivas e preocupações. Neste estudo de caso descreve-se o processo de implementação do novo ―modelo‖ de avaliação de desempenho numa escola de 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, integrada numa zona de grande afluência populacional multicultural, ao longo dos primeiros dois anos, correspondente ao primeiro ciclo de vigência do processo de avaliação. Para elucidar as dificuldades sentidas e as reacções provocadas, a investigação mostra os problemas, tensões e contradições de avaliação de desempenho, instituída no fogo cruzado entre a retórica da melhoria da qualidade e um dispositivo pouco orientado para a gestão formativa do desempenho, entre a suposta ingenuidade auto-crítica e a auto-apresentação estratégica, num jogo de recompensas e sansões dependentes da avaliação e de uma avaliação conduzida por critérios e padrões de avaliação que permanecem ocultos num nevoeiro que envolve todo o processo, marcado por avanços e recuos sucessivos. |
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| Autores principais: | Couto, Lúcia de Fátima Monteiro do, 1971- |
| Assunto: | Avaliação de professores Eficácia pedagógica Qualificações profissionais Teses de mestrado - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A avaliação do desempenho dos docentes, a medição da eficácia dos seus ensinamentos, foi desde sempre um assunto polémico e de difícil execução. Uma nova política de avaliação surge, articulada a grandes e profundas mudanças no estatuto da carreira docente, intocado desde a sua concepção nos inícios dos anos 90. Estas mudanças vieram no seguimento de um conjunto de alterações legais, com reflexos nas condições de trabalho dos trabalhadores da administração pública, entre os quais se incluem os professores, nomeadamente: o aumento da idade de aposentação, a suspensão de progressões na carreira por um período superior a dois anos (28 meses) e a contenção de aumentos salariais. As mudanças no estatuto da carreira docente visavam uma melhoria da eficácia do desempenho docente, propondo-se a excelência e a distinção de desempenhos, num campo onde sempre pairou a igualdade. Um novo modelo de avaliação, mais abrangente, diversificado e regulador surge regulamentado nos finais de Janeiro de 2008. É também com este decreto, 2/2008 de 10 de Janeiro, que se instala uma discórdia total entre a classe visada e a tutela, com diversas manifestações, greves e protestos encabeçadas pela classe docente, unida como nunca visto e totalmente contra as pretensões governamentais. A necessidade de regrar as medidas destinadas à classe docente com as já anteriormente tomadas para grande parte dos trabalhadores da administração pública (SIADAP) ―impôs, por sua vez, um prazo curto para a introdução da avaliação do desempenho dos professores e para retomar o processo de progressão na carreira. A resistência por parte dos professores reflecte ainda as dificuldades criadas pela operacionalização de um modelo tão abrangente num curto espaço de tempo, aliadas a algumas consequências inesperadas do modelo‖ (OCDE, 2009. p.1). Esta investigação surge na altura em que a carreira docente sofre profundas alterações, principalmente nas regras de acesso e progressão. O novo modelo de avaliação de desempenho docente, acima referido, tem um impacto mais expressivo na carreira, pois impede que a progressão dos docentes se faça quase automaticamente. Surge uma avaliação com uma carga negativa, pois é esta que dita quem vai deixar de progredir rapidamente (mais do que com uma carga positiva, indicando quem vai progredir rapidamente). Com este cenário delineado, exigir-se-á um rigor absoluto e insenção à avaliação de desempenho, sem o qual se produzirá a sua descredibilização global. A implementação do novo modelo de avaliação revela-se assim um empreendimento ―crítico‖. Com este trabalho pretende-se compreender as dificuldades sentidas na implementação do novo modelo de avaliação de desempenho docente. Inicia-se com uma construção conceptual do que é o profissional da educação, o que se entende por desenvolvimento profissional, competência profissional e eficácia pedagógica. São abordadas as questões inerentes à avaliação formativa e sumativa, são exemplificados alguns modelos de avaliação de desempenho realizados nos Estados Unidos tendo como referência o resultado dos alunos. A natureza exploratória deste estudo legitimou o recurso aos seus principais actores, os professores, procurando identificar as suas perspectivas e preocupações. Neste estudo de caso descreve-se o processo de implementação do novo ―modelo‖ de avaliação de desempenho numa escola de 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, integrada numa zona de grande afluência populacional multicultural, ao longo dos primeiros dois anos, correspondente ao primeiro ciclo de vigência do processo de avaliação. Para elucidar as dificuldades sentidas e as reacções provocadas, a investigação mostra os problemas, tensões e contradições de avaliação de desempenho, instituída no fogo cruzado entre a retórica da melhoria da qualidade e um dispositivo pouco orientado para a gestão formativa do desempenho, entre a suposta ingenuidade auto-crítica e a auto-apresentação estratégica, num jogo de recompensas e sansões dependentes da avaliação e de uma avaliação conduzida por critérios e padrões de avaliação que permanecem ocultos num nevoeiro que envolve todo o processo, marcado por avanços e recuos sucessivos. |
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