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Doença óssea metabólica e doença inflamatória intestinal em idade pediátrica : experiência recente de um centro terciário

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: Cerca de 80% da massa óssea de um indivíduo é adquirida em idade pediátrica, pelo que este constitui um período crítico para o adequado desenvolvimento ósseo e crescimento linear. A Doença Inflamatória Intestinal (DII) em idade pediátrica pode comprometer a normal aquisição do capital mineral ósseo, condicionando um maior risco de desenvolvimento de atraso do crescimento e Doença Óssea Metabólica. Neste estudo, procurou-se caraterizar a repercussão no metabolismo ósseo e crescimento linear e determinar a prevalência e fatores preditivos de hipovitaminose D, na DII pediátrica, refletindo a experiência recente de um centro terciário. Material e Métodos: Estudo observacional, retrospetivo, baseado na consulta de processos clínicos de doentes com DII pediátrica, seguidos num centro hospitalar universitário, no período compreendido entre 2016-2021. Foram avaliados, ao diagnóstico e após um ano de follow-up, dados demográficos, clínicos, laboratoriais e densitometrias ósseas. Resultados: Foram incluídos 39 doentes (59% do sexo masculino; 13,4±3,6 anos); 30 com Doença de Crohn (DC), 7 com Colite Ulcerosa (CU) e 2 com Colite Não Classificada. O Z-score médio da estatura foi de -0,67±1,11, ao diagnóstico, e -0,77±1,01, ao follow-up, respetivamente (p=0,35). O nível sérico médio de 25(OH)D foi de 19,1±8,5 ng/ml, ao diagnóstico, e 18,5±6,7 ng/ml, ao follow-up, sem diferenças significativas entre DC e CU; 92,3% evidenciavam níveis inadequados de 25(OH)D ao diagnóstico (deficiência em 57,7%) e 100% ao follow-up (deficiência em 60%); 60% registava hipocalcémia, ao diagnóstico, e 18,2% ao follow-up. Observou-se uma correlação negativa entre os níveis de 25(OH)D sérica e calprotectina fecal (r=-0,59, p=0,004), mas não com outros fatores, incluindo com o fenótipo e duração da doença; 11% exibiam baixa estatura (tanto no basal, como no follow-up) e 14% apresentavam um Z-score de DMO<-2, sendo o Z-score médio de DMO significativamente inferior na DC Vs. CU (p=0,05). Conclusão: À semelhança de outras séries, identificou-se uma elevada prevalência de hipovitaminose D e de hipocalcémia em crianças/adolescentes com DII, quer ao diagnóstico, quer ao follow-up, bem como uma associação entre o nível sérico de vitamina D e a atividade da doença e entre a DOM e a DC, comparativamente à CU.
Autores principais:Damião, Sara Margarida Pacheco
Assunto:Doença inflamatória intestinal Idade pediátrica Vitamina D Doença óssea metabólica Atraso do crescimento Pediatria
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: Cerca de 80% da massa óssea de um indivíduo é adquirida em idade pediátrica, pelo que este constitui um período crítico para o adequado desenvolvimento ósseo e crescimento linear. A Doença Inflamatória Intestinal (DII) em idade pediátrica pode comprometer a normal aquisição do capital mineral ósseo, condicionando um maior risco de desenvolvimento de atraso do crescimento e Doença Óssea Metabólica. Neste estudo, procurou-se caraterizar a repercussão no metabolismo ósseo e crescimento linear e determinar a prevalência e fatores preditivos de hipovitaminose D, na DII pediátrica, refletindo a experiência recente de um centro terciário. Material e Métodos: Estudo observacional, retrospetivo, baseado na consulta de processos clínicos de doentes com DII pediátrica, seguidos num centro hospitalar universitário, no período compreendido entre 2016-2021. Foram avaliados, ao diagnóstico e após um ano de follow-up, dados demográficos, clínicos, laboratoriais e densitometrias ósseas. Resultados: Foram incluídos 39 doentes (59% do sexo masculino; 13,4±3,6 anos); 30 com Doença de Crohn (DC), 7 com Colite Ulcerosa (CU) e 2 com Colite Não Classificada. O Z-score médio da estatura foi de -0,67±1,11, ao diagnóstico, e -0,77±1,01, ao follow-up, respetivamente (p=0,35). O nível sérico médio de 25(OH)D foi de 19,1±8,5 ng/ml, ao diagnóstico, e 18,5±6,7 ng/ml, ao follow-up, sem diferenças significativas entre DC e CU; 92,3% evidenciavam níveis inadequados de 25(OH)D ao diagnóstico (deficiência em 57,7%) e 100% ao follow-up (deficiência em 60%); 60% registava hipocalcémia, ao diagnóstico, e 18,2% ao follow-up. Observou-se uma correlação negativa entre os níveis de 25(OH)D sérica e calprotectina fecal (r=-0,59, p=0,004), mas não com outros fatores, incluindo com o fenótipo e duração da doença; 11% exibiam baixa estatura (tanto no basal, como no follow-up) e 14% apresentavam um Z-score de DMO<-2, sendo o Z-score médio de DMO significativamente inferior na DC Vs. CU (p=0,05). Conclusão: À semelhança de outras séries, identificou-se uma elevada prevalência de hipovitaminose D e de hipocalcémia em crianças/adolescentes com DII, quer ao diagnóstico, quer ao follow-up, bem como uma associação entre o nível sérico de vitamina D e a atividade da doença e entre a DOM e a DC, comparativamente à CU.