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Interacção pedagógica e indisciplina na aula : um estudo de características etnográficas

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Resumo:A questão da indisciplina, na escola e na aula, tem sido sempre actual no quadro da história do ensino. Não pretendo desenvolver aqui o longo percurso histórico do tema, tarefa a que outras investigações se dedicaram (FOUCAULT, 1987; ESTRELA , Mª T., 1986; PRAIRAT, 1994), mas tão só reafirmar essa actualidade nos nossos dias e esboçar as principais linhas orientadoras do presente estudo. A contemporaneidade da problemática pode ser perspectivada sob diversos ângulos, de que saliento dois: o que procura estabelecer uma relação de causa e efeito entre indisciplina escolar e o pretenso «fracasso das democracias», a todos os níveis; e o que foca a crescente dificuldade dos professores, em especial dos mais jovens e inexperientes, em lidar com os problemas de comportamento na aula, de tal modo que a questão é tida, por vezes, como um dos seus principais problemas (VEENMAN, 1984; CAVACO, 1993:110). Quanto ao nexo entre indisciplina escolar e regime democrático parece existir, dê facto, uma relação directa; nos países onde mais se acentuam as liberdades individuais, mais frequentes e intensos são os problemas de comportamento na escola (com repercussões em muitos outros lugares e a prolongar-se por muitas outras modalidades de comportamento "desviante"); nos Estados Unidos, chegou-se já ao ponto de instalar detectores de armas à entrada destes estabelecimentos! (NOGUERA, 1995). A surpresa e o escândalo está, quanto a nós, no facto de ser «em democracia», em liberdade, que se observa o crescente declínio das "boas maneiras" e é cada vez mais difícil o «auto-controlo» dos cidadãos, nas escolas como em muitos outros cenários do quotidiano (COLDRON et al., 1996). As interrogações que a partir daqui se podem colocar são imensas: Qual a razão de ser deste processo? Falta de firmeza por parte da Autoridade? Incapacidade da democracia? Abertura da escola a todos? Ou inexistência de uma plena democracia económica, política e cultural? Em que pode a escola contribuir, dentro dos seus limites, para inverter um processo que parece eivado de algum fatalismo, tanto mais surpreendente e escandaloso quanto se verifica, por excelência, em países ditos «democráticos» e «economicamente desenvolvidos» (em Portugal, depois do "Estado Novo", a" evolução parece dar-se no mesmo sentido)? E como pode alcançar-se, na prática, essa inversão? Acentuando o autoritarismo (ou, como eufemisticamente se diz, «reforçando a autoridade do professor»)? Generalizando os «detectores» a todos os espaços escolares e transformando a escola numa espécie de bunker ? Sobrevalorizando, ainda mais, a obediência, a submissão e a dependência? Ou, pelo contrário, reforçando o ideário democrático, valorizando e criando condições para a formação do sentido da responsabilidade, da autonomia, da capacidade crítica, do reconhecimento de direitos e de deveres? Enfim, como criar no cidadão, criança e jovem, a plena consciência dos seus direitos, a par de um crescente sentido das responsabilidades? (…)
Autores principais:Amado, João da Silva, 1948-
Assunto:Processo educativo Processos de aprendizagem Interacção pedagógica Indisciplina escolar Modelos de educação Teses de doutoramento - 1998
Ano:1998
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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