Publicação
Prevalência de vírus da imunodeficiência felina, vírus da leucemia felina, calicivírus felino, herpesvírus felino tipo 1 e candida spp. em felinos errantes e possível associação a gengivo-estomatite crónica felina e a doença respiratória felina
| Resumo: | Com o objectivo de conhecer alguns dos agentes infecciosos que afectam a população felina da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, e relacionar a sua eventual presença com as alterações clínicas apresentadas pelos animais em questão, nomeadamente a Gengivo-Estomatite Crónica Felina (GECF) e a Doença Respiratória Felina (DRF), foram avaliados neste estudo 50 felinos, incluídos aleatoriamente. A cada animal, e após exame clínico, foram colhidas as amostras de material biológico apropriado para realização de hemograma, detecção de anticorpos contra o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e de antigénio do Vírus da Leucemia Felina (FeLV), detecção de ácido nucleico de Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) e Calicivírus Felino (FCV), e pesquisa de Candida spp. O FIV e FeLV foram detectados por imunocromatografia de membrana, o FHV-1 por PCR em tempo real, o FCV por RT-PCR convencional e as leveduras isoladas em Sabouraud dextrose agar foram posteriormente identificadas quanto ao género e espécie. Constatou-se que, dos 50 animais, 22% eram positivos para FIV, 10% para FeLV, 62% para FHV-1 e 26% para FCV. Em relação às leveduras, foi detectada a presença de C. silvicola (n=3), C. valida (n=1) e C. parapsilosis (n=1). As associações estabelecidas entre a presença do vírus e determinada manifestação clínica que apresentaram significado estatístico foram: a presença de úlceras linguais em animais com FCV e co-infecção FCV / FIV; o desenvolvimento de estomatite nos animais infectados unicamente com FCV, FIV ou FeLV, e nas co-infecções FCV / FIV, FCV / FeLV, e FHV-1 / FeLV; a manifestação de gengivite de grau 2 ou 3 nos animais com FCV; e a ausência de úlceras linguais nos animais com infecção por FHV-1. O animal em que foi detectada a presença de C. parapsilosis apresentava gengivite ligeira, corrimento ocular e, a nível hematológico, leucocitose com linfocitose e monocitose. O animal infectado com C. valida exibia apenas estomatite ligeira e corrimento nasal, e os animais com C. silvicola revelaram gengivite ligeira, estomatite, úlceras linguais, corrimento ocular e nasal, e leucocitose com neutrofilia, linfocitose e monocitose. Nenhuma destas alterações revelou associação estatisticamente significativa com a presença da levedura. Para uma correcta avaliação da prevalência destes agentes infecciosos em populações errantes felinas e sua associação a GECF e DRF, deverão ser realizados estudos mais extensos quanto ao número de animais envolvidos. Por outro lado, considerando a escassa informação sobre a microbiota micológica da cavidade oral dos felinos, a detecção de Candida spp. contribuiu para um melhor conhecimento nesta área, sendo que a sua influência na etiologia da GECF e da DRF, deverá também ser estudada com maior profundidade. |
|---|---|
| Autores principais: | Rodrigues, Cláudia Vanessa de Barros |
| Assunto: | FIV FeLV FCV FHV-1 Candida spp. GECF DRF FGS FRD |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Com o objectivo de conhecer alguns dos agentes infecciosos que afectam a população felina da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, e relacionar a sua eventual presença com as alterações clínicas apresentadas pelos animais em questão, nomeadamente a Gengivo-Estomatite Crónica Felina (GECF) e a Doença Respiratória Felina (DRF), foram avaliados neste estudo 50 felinos, incluídos aleatoriamente. A cada animal, e após exame clínico, foram colhidas as amostras de material biológico apropriado para realização de hemograma, detecção de anticorpos contra o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e de antigénio do Vírus da Leucemia Felina (FeLV), detecção de ácido nucleico de Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) e Calicivírus Felino (FCV), e pesquisa de Candida spp. O FIV e FeLV foram detectados por imunocromatografia de membrana, o FHV-1 por PCR em tempo real, o FCV por RT-PCR convencional e as leveduras isoladas em Sabouraud dextrose agar foram posteriormente identificadas quanto ao género e espécie. Constatou-se que, dos 50 animais, 22% eram positivos para FIV, 10% para FeLV, 62% para FHV-1 e 26% para FCV. Em relação às leveduras, foi detectada a presença de C. silvicola (n=3), C. valida (n=1) e C. parapsilosis (n=1). As associações estabelecidas entre a presença do vírus e determinada manifestação clínica que apresentaram significado estatístico foram: a presença de úlceras linguais em animais com FCV e co-infecção FCV / FIV; o desenvolvimento de estomatite nos animais infectados unicamente com FCV, FIV ou FeLV, e nas co-infecções FCV / FIV, FCV / FeLV, e FHV-1 / FeLV; a manifestação de gengivite de grau 2 ou 3 nos animais com FCV; e a ausência de úlceras linguais nos animais com infecção por FHV-1. O animal em que foi detectada a presença de C. parapsilosis apresentava gengivite ligeira, corrimento ocular e, a nível hematológico, leucocitose com linfocitose e monocitose. O animal infectado com C. valida exibia apenas estomatite ligeira e corrimento nasal, e os animais com C. silvicola revelaram gengivite ligeira, estomatite, úlceras linguais, corrimento ocular e nasal, e leucocitose com neutrofilia, linfocitose e monocitose. Nenhuma destas alterações revelou associação estatisticamente significativa com a presença da levedura. Para uma correcta avaliação da prevalência destes agentes infecciosos em populações errantes felinas e sua associação a GECF e DRF, deverão ser realizados estudos mais extensos quanto ao número de animais envolvidos. Por outro lado, considerando a escassa informação sobre a microbiota micológica da cavidade oral dos felinos, a detecção de Candida spp. contribuiu para um melhor conhecimento nesta área, sendo que a sua influência na etiologia da GECF e da DRF, deverá também ser estudada com maior profundidade. |
|---|