| Resumo: | Historicamente, as espécies botânicas têm sido utilizadas como um recurso natural valioso para a medicina tradicional. Nos últimos anos, o desenvolvimento de efeitos adversos e a resistência microbiana aos medicamentos sintetizados quimicamente causou mudanças no interesse pelo campo da pesquisa etnobotânica. A disseminação da resistência aos antibióticos ocorre continuamente e é um processo ininterrupto, mas que pode ser retardado, por exemplo, através do desenvolvimento de novos compostos antimicrobianos de origem vegetal. A presente monografia tem como objetivo investigar as propriedades antimicrobianas de plantas medicinais contra agentes infeciosos. Pretende-se identificar as plantas medicinais descritas como úteis para o efeito e detentoras de monografia elaborada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), bem como outras plantas medicinais usadas tradicionalmente para o mesmo fim, mas não detentoras de monografia por parte desta Agência. Desta forma, foi realizada uma pesquisa bibliográfica recorrendo à base de dados da EMA, além das bases de dados PubMed e Web of Science, seguindo a metodologia PRISMA e excluindo-se os artigos anteriores a 2010 e artigos de revisão. Para isso, foram preparados extratos vegetais das partes aéreas de 21 espécies botânicas, nomeadamente: Azadirachta indica, Allium sativum, Origanum vulgare, Cinnamomum zeylanicum, Eucalyptus globulus, Foeniculum vulgare, Glycyrrhiza glabra, Mentha piperita, Acacia nilotica, Aloe vera, Curcuma longa, Rosmarinus officinalis, Salvia officinalis, Thymus vulgaris, Cymbopogon citratus, Euphorbia hirta, Lantana camara, Mentha spicata, Ocimum basilicum, Withania somnifera e Zingiber officinale, sendo que 11 destas já são detentoras de monografia elaborada pela EMA. As técnicas mais utilizadas para a determinação da atividade antimicrobiana foram difusão em disco, difusão em halo e o método de microdiluição em tubo. Os solventes mais utilizados para a extração dos componentes químicos de cada planta medicinal foram a água, o metanol e etanol. A análise fitoquímica dos extratos vegetais demonstrou a presença de compostos fenólicos, terpenos, alcalóides e flavonóides, quer maioritariamente nas folhas, quer nas sementes de cada planta medicinal. Com a análise final da atividade exercida por cada extrato vegetal, verificou-se que apenas 5 espécies vegetais das 21 analisadas inicialmente, apresentaram atividade antimicrobiana significativa, possuindo valores de MIC entre 0,125 μg/ml a 101 μg/ml. Essas espécies vegetais foram Azadirachta indica folha, Allium sativum bolbo, Cinnamomum zeylanicum folha, Foeniculum vulgare semente e Curcuma longa folha. Apesar do número final de resultados com relevância, em termos de atividade exercida pelo extrato vegetal, não ser muito amplo, foi possível confirmar que os componentes vegetais possuem propriedades antimicrobianas e são eficazes contra um amplo espectro de bactérias Gram positivas e Gram negativas, fungos, parasitas e vírus. |