| Resumo: | Introdução: A rápida alteração na aparência física, auto perceção, tamanho e forma corporal tornam os adolescentes num grupo etário vulnerável a influências sociais que podem conduzir ao desenvolvimento de insatisfação com a imagem corporal, um importante fator de risco para perturbações do comportamento alimentar. Assim, é importante estudar os fatores de risco associados a esta insatisfação em adolescentes, tais como a influência dos meios de comunicação social e a qualidade das relações familiares e com pares. Metodologia: Estudo composto por 107 estudantes do Agrupamento de Escolas de Manteigas, dos quais 59,8% do sexo feminino e a idade média de 14,4 anos (DP = 1,82). Os dados foram recolhidos através de um protocolo de investigação online constituído por cinco questionários: (a) sociodemográfico, (b) comportamentos alimentares, (c) suscetibilidade às pressões socioculturais e interiorização do ideal de beleza, (d) vinculação aos pais e pares e (e) perturbação de comportamentos e atitudes alimentares. Resultados: Foi detetado 1 caso de perturbação do comportamento alimentar sem outra especificação e 1 possível caso de bulimia nervosa. A influência sociocultural sobre a imagem corporal dos participantes foi moderadamente baixa, as relações com as figuras de vinculação de boa qualidade, em maior evidência com a mãe, e os padrões alimentares demonstraram baixo risco para o desenvolvimento de perturbações do comportamento alimentar. Após estratificação por níveis de risco, observou-se que o grupo de maior risco apresentou, de forma estatisticamente significativa, um índice de massa corporal mais elevado, níveis de conhecimento e interiorização das influências socioculturais mais elevados e uma pior qualidade das relações de vinculação com os pais. Os preditores de risco mais significativos para insatisfação com a imagem corporal e perturbações do comportamento alimentar, foram: sexo feminino, interiorização dos ideais socioculturais de beleza e relação de vinculação com a mãe. Conclusão: Existe uma necessidade de apostar desde cedo em programas de prevenção focados na promoção de uma imagem corporal positiva. Seria importante intervir nos principais contextos de socialização dos adolescentes (escolas e família), de forma a educar a sociedade a questionar e reconsiderar o valor da aparência. |