Publicação
«Outros que devem tanto a tão poucos»: os submarinos esquecidos: a Marinha Inglesa no Mediterrâneo: 1940 – 1943
| Resumo: | Entre 1624, quando o primeiro submersível desenhado pelo holandês Cornelius Van Drebbel se aventurou no rio Tamisa, e o início da Segunda Guerra Mundial passaram mais de três séculos. Desde então, os submarinos evoluíram em inúmeros aspetos tecnológicos e construtivos, desde a propulsão diesel-elétrica ao casco duplo, do desenvolvimento do periscópio, tubos de torpedos, sistemas de deteção e comunicação até outras tecnologias, o que os tornou uma das armas mais temidas da atualidade. Este vaso de guerra teve um papel decisivo, ainda que pouco conhecido, nas batalhas pelo controlo do Mediterrâneo durante a segunda guerra mundial. A ambição de Mussolini de expandir o seu império em África, conduziu a mais de três anos de conflito entre as forças Aliadas e as do Eixo. Na África Oriental, após vitórias breves os italianos acabaram por perder os seus territórios da Eritreia, Somália e Abissínia para os ingleses. No Norte de África, as batalhas tiveram lugar nos desertos da Líbia e do Egipto, e mais tarde nas costas de Marrocos, Argélia e Tunísia, onde quase tudo tinha que ser importado por via marítima. Era por isso crítico garantir a segurança das vias navais, pois quem dominasse o mar teria a capacidade de proporcionar os meios para obter a vitória em terra. No Mediterrâneo, desde o ataque à frota francesa em Mers-el-Kebir ao audacioso raid aeronaval a Taranto realizado pela Royal Navy, até ao cerco à colónia inglesa de Malta e às missões dos mergulhadores da Regia Marina nos portos de Alexandria e Gibraltar, ambos os lados tentaram condicionar a capacidade militar e logística dos opositores. Foi mais eficaz a Royal Navy nos anos que durou o conflito, e ainda que o pêndulo da vitória tenha oscilado para um lado e para o outro, uma parte relevante dessa vitória deveu-se à atuação da flotilha de submarinos. Os submarinos ingleses apesar de alguma obsolescência, mas cuja fiabilidade prevaleceu em detrimento da inovação, destacaram-se nas suas missões no Mediterrâneo. Entre junho de 1940 e maio de 1943, afundaram um quarto dos navios mercantes, ou quarenta por cento do total da tonelagem afundada pelos aliados. Também recolheram e transportaram feridos, participaram em operações secretas e abasteceram Malta através da missão tapete mágico, o que permitiu a sobrevivência e recuperação da ilha enquanto base naval e aérea. Através deste papel múltiplo os submarinos foram decisivos no assegurar do triunfo aliado. Contudo a vitória não foi conseguida sem custo, pois dos cem submarinos ingleses que operaram no Mediterrâneo até final de 1943, quarenta e quatro foram afundados com a perda de mil novecentas e vinte e duas vidas, um rácio de oitenta e quatro por cento de fatalidades, que foi uma das mais altas do conflito. |
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| Autores principais: | Amaro, Miguel Dias |
| Assunto: | História militar - Europa - 1940-1943 Guerra Mundial (1939-1945) - Operações submarinas inglesas - Mar Mediterrâneo Submarinos - Mar Mediterrâneo - 1940-1943 Teses de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Entre 1624, quando o primeiro submersível desenhado pelo holandês Cornelius Van Drebbel se aventurou no rio Tamisa, e o início da Segunda Guerra Mundial passaram mais de três séculos. Desde então, os submarinos evoluíram em inúmeros aspetos tecnológicos e construtivos, desde a propulsão diesel-elétrica ao casco duplo, do desenvolvimento do periscópio, tubos de torpedos, sistemas de deteção e comunicação até outras tecnologias, o que os tornou uma das armas mais temidas da atualidade. Este vaso de guerra teve um papel decisivo, ainda que pouco conhecido, nas batalhas pelo controlo do Mediterrâneo durante a segunda guerra mundial. A ambição de Mussolini de expandir o seu império em África, conduziu a mais de três anos de conflito entre as forças Aliadas e as do Eixo. Na África Oriental, após vitórias breves os italianos acabaram por perder os seus territórios da Eritreia, Somália e Abissínia para os ingleses. No Norte de África, as batalhas tiveram lugar nos desertos da Líbia e do Egipto, e mais tarde nas costas de Marrocos, Argélia e Tunísia, onde quase tudo tinha que ser importado por via marítima. Era por isso crítico garantir a segurança das vias navais, pois quem dominasse o mar teria a capacidade de proporcionar os meios para obter a vitória em terra. No Mediterrâneo, desde o ataque à frota francesa em Mers-el-Kebir ao audacioso raid aeronaval a Taranto realizado pela Royal Navy, até ao cerco à colónia inglesa de Malta e às missões dos mergulhadores da Regia Marina nos portos de Alexandria e Gibraltar, ambos os lados tentaram condicionar a capacidade militar e logística dos opositores. Foi mais eficaz a Royal Navy nos anos que durou o conflito, e ainda que o pêndulo da vitória tenha oscilado para um lado e para o outro, uma parte relevante dessa vitória deveu-se à atuação da flotilha de submarinos. Os submarinos ingleses apesar de alguma obsolescência, mas cuja fiabilidade prevaleceu em detrimento da inovação, destacaram-se nas suas missões no Mediterrâneo. Entre junho de 1940 e maio de 1943, afundaram um quarto dos navios mercantes, ou quarenta por cento do total da tonelagem afundada pelos aliados. Também recolheram e transportaram feridos, participaram em operações secretas e abasteceram Malta através da missão tapete mágico, o que permitiu a sobrevivência e recuperação da ilha enquanto base naval e aérea. Através deste papel múltiplo os submarinos foram decisivos no assegurar do triunfo aliado. Contudo a vitória não foi conseguida sem custo, pois dos cem submarinos ingleses que operaram no Mediterrâneo até final de 1943, quarenta e quatro foram afundados com a perda de mil novecentas e vinte e duas vidas, um rácio de oitenta e quatro por cento de fatalidades, que foi uma das mais altas do conflito. |
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