| Resumo: | A pneumonia por Pneumocystis jirovecii ou pneumocistose consiste numa infeção respiratória que ocorre em doentes imunocomprometidos, tanto com como sem infeção por VIH. Nos doentes com infeção por VIH, a pneumocistose é a principal doença definidora de SIDA no mundo, pelo que esta infeção oportunista, neste contexto, é uma entidade amplamente estudada e bem estabelecida a sua abordagem clínica. Em doentes imunossuprimidos, sem infeção por VIH, a incidência de pneumocistose tem aumentado nas últimas décadas, acompanhando o aumento progressivo de utilização de terapêuticas imunossupressoras na prática médica. Neste contexto, a pneumocistose está menos investigada, sendo muitas vezes a sua abordagem clínica realizada com base nos critérios estabelecidos para doentes com infeção por VIH. Este trabalho tem como objetivo analisar as diferenças e semelhanças entre pneumocistose nestes dois grupos de doentes, visando esclarecer qual a orientação mais adaptada a doentes sem infeção por VIH. A metodologia, para a realização deste trabalho, consistiu na pesquisa de artigos publicados nos motores de busca PubMed e Medline. Os doentes sem infeção por VIH tendem a ter uma idade superior e apresentar um curso clínico mais agudo, enquanto os doentes com infeção por VIH são mais sintomáticos. As alterações verificadas nos métodos de diagnóstico são semelhantes nos dois grupos de doentes, no entanto doentes sem infeção por VIH apresentam uma menor carga de microrganismos associada, parâmetro com provável relevância para a interpretação de resultados do lavado bronco alveolar. Os doentes VIH negativos desenvolvem ainda insuficiências respiratórias mais graves, com admissões superiores em unidades de cuidados intensivos, maior necessidade de ventilação mecânica invasiva, pior prognóstico e maior mortalidade, implicando uma maior e célere acuidade diagnóstica. No que se refere à profilaxia, a sua realização é imperativa para a diminuição da incidência de pneumocistose, conforme está bem estudado nos doentes com infeção por VIH. Nos doentes sem infeção VIH, as orientações estão menos validadas e os dados e recomendações ainda são reduzidos e pouco divulgados entre a comunidade clínica. |