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Novas cartografias marítimas, novos rumos da arte guineense

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Com a Independência da Guiné-Bissau, em 1973, o mar, considerado inimigo durante os séculos em que o oceano foi veículo do tráfico negreiro, assume uma dimensão utópica de liberdade e de vitória recém-conquistada. Uma vez elaborado o passado de dor, o mar pode ser revestido de conotações positivas: é o momento de revisitar o imaginário marítimo das eras primordiais. A dor explícita na arte guineense contemporânea remete ao período da escravidão, bem como ao presente de um país que ainda não resolveu questões elementares de sobrevivência e que há muito pouco tempo estava ainda envolvido com guerras internas. Quer seja relativa à ruptura, ao trauma ou à reação, a dor recobre um conceito mais amplo, a dor histórica cujas raízes culturais foram submersas pelos movimentos opressivos do mar português. A poesia (especialmente o livro Entre o ser e o amar, 1996) de Odete Semedo e a filmografia de Flora Gomes refletem, cada um a seu modo, sobre estas perspectivas que perpassam a história recente da Guiné-Bissau, questionando e inscrevendo novos sentidos para o Atlântico.
Autores principais:Fernandes, Evelyn Blaut
Outros Autores:Guimarães, Adriana Mello
Assunto:Arte guineense Dor Metáforas aquáticas
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Com a Independência da Guiné-Bissau, em 1973, o mar, considerado inimigo durante os séculos em que o oceano foi veículo do tráfico negreiro, assume uma dimensão utópica de liberdade e de vitória recém-conquistada. Uma vez elaborado o passado de dor, o mar pode ser revestido de conotações positivas: é o momento de revisitar o imaginário marítimo das eras primordiais. A dor explícita na arte guineense contemporânea remete ao período da escravidão, bem como ao presente de um país que ainda não resolveu questões elementares de sobrevivência e que há muito pouco tempo estava ainda envolvido com guerras internas. Quer seja relativa à ruptura, ao trauma ou à reação, a dor recobre um conceito mais amplo, a dor histórica cujas raízes culturais foram submersas pelos movimentos opressivos do mar português. A poesia (especialmente o livro Entre o ser e o amar, 1996) de Odete Semedo e a filmografia de Flora Gomes refletem, cada um a seu modo, sobre estas perspectivas que perpassam a história recente da Guiné-Bissau, questionando e inscrevendo novos sentidos para o Atlântico.