Publicação
Avaliação da capacidade funcional da população idosa na gestão da sua medicação
| Resumo: | Aproximadamente 45% dos idosos são incapazes de tomar os seus medicamentos tal como prescritos. A adesão à medicação representa um comportamento complexo, que envolve tanto a intenção, como a capacidade para tomar os medicamentos. Desta forma, importa distinguir a intenção de tomar a medicação e a capacidade para o fazer. O consumo diário de medicamentos constitui um processo metódico, marcado pela rotina e que pode ser afetado por diversos erros sistemáticos associados, não só ao desconhecimento e iliteracia do doente, mas também à sua perda gradual de capacidade funcional (física, cognitiva e sensorial) para gerir a medicação. A diminuição das competências cognitivas, da acuidade visual ou da destreza manual apresentam um impacto significativo na não adesão (não intencional), podendo originar problemas de saúde decorrentes da ausência ou incorreta administração de medicamentos. Este trabalho apresentou como principal objetivo avaliar a capacidade funcional dos idosos residentes na comunidade para gerir a sua medicação, com recurso a instrumentos específicos, adaptados e validados para Portugal. Para tal, desenvolveu-se um plano de estudos dividido em três fases principais, caracterizadas por diferentes metodologias complementares. Fase 1 – Revisões da literatura – Efetuou-se uma revisão descritiva, de forma a identificar e caracterizar os instrumentos disponíveis para avaliar a capacidade funcional para gerir a medicação; e uma revisão sistemática com o objetivo de saber qual a capacidade funcional dos idosos para gerir a medicação, de acordo com os estudos publicados na literatura internacional e quais os instrumentos mais utilizados. Obteve-se um conjunto de quinze instrumentos de avaliação da capacidade de gestão da medicação, entre os quais, o mais utilizado em estudos posteriores foi o Drug Regimen Unassisted Grading Scale (DRUGS) e o mais atual, o Selfmedication Assessment Tool (SMAT). Enquanto o primeiro avalia a capacidade para gerir o regime de medicação real, o segundo avalia a capacidade para gerir, quer o real, quer um regime de medicação simulado (padrão).Fase 2 – Seleção, adaptação e validação dos instrumentos – Procedeu-se à seleção dos instrumentos de avaliação da capacidade dos idosos para gerir a medicação, de acordo com os resultados das revisões da literatura. Os instrumentos selecionados e para os quais se obteve autorização de trabalho, foram o DRUGS e o SMAT. Efetuou-se a sua adaptação linguística e cultural, seguida da validação dos instrumentos na população idosa portuguesa. A validação foi realizada em duas amostras independentes, cuja dimensão foi calculada a partir do número de itens de cada instrumento. A amostra foi selecionada por conveniência, entre os idosos residentes na região do Alentejo. Realizou-se uma análise teste-reteste para cada um dos instrumentos. No caso da validação do DRUGS-PT, foram entrevistados 50 idosos, em centros de dia/convívio; e no caso do SMAT-PT, a amostra foi de 150 idosos, entrevistados em farmácias comunitárias. Qualquer um dos instrumentos evidenciou propriedades psicométricas aceitáveis, as quais suportam a sua aplicabilidade em contexto clínico e de investigação. No final deste estudo obtiveram-se as versões Portuguesas finais de ambos os instrumentos, DRUGS-PT e SMAT-PT. Fase 3 – Avaliação da capacidade funcional dos idosos para gerir a sua medicação e estudo dos preditores – O último estudo, caracterizado pelo seu desenho transversal, foi efetuado numa amostra de 207 idosos, os quais foram avaliados com recurso aos instrumentos validados – DRUGS-PT (n=52) e SMAT-PT (n=155), respetivamente em centros de dia/convívio e farmácias comunitárias. Verificou-se que a capacidade funcional dos idosos para gerir a medicação se encontra associada à capacidade cognitiva. Tendo este facto sido confirmado, não só pelas análises individuais, mas também pela regressão logística efetuada para análise dos preditores, dos quais, o Mini-Mental State Examination e o Teste do Relógio constituíram parte relevante (área ROC ≈90%). Com a conclusão deste plano de estudos foi atingido o objetivo proposto inicialmente, gerando evidência científica e empírica que pode contribuir para o desenvolvimento de respostas integradas às dificuldades do idoso na gestão da sua medicação. Para tal, pode ajudar também, a disseminação dos resultados já publicados, bem como dos que se encontram em fase de submissão. |
|---|---|
| Autores principais: | Advinha, Ana |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2017 |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
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Este trabalho apresentou como principal objetivo avaliar a capacidade funcional dos idosos residentes na comunidade para gerir a sua medicação, com recurso a instrumentos específicos, adaptados e validados para Portugal. Para tal, desenvolveu-se um plano de estudos dividido em três fases principais, caracterizadas por diferentes metodologias complementares. Fase 1 – Revisões da literatura – Efetuou-se uma revisão descritiva, de forma a identificar e caracterizar os instrumentos disponíveis para avaliar a capacidade funcional para gerir a medicação; e uma revisão sistemática com o objetivo de saber qual a capacidade funcional dos idosos para gerir a medicação, de acordo com os estudos publicados na literatura internacional e quais os instrumentos mais utilizados. Obteve-se um conjunto de quinze instrumentos de avaliação da capacidade de gestão da medicação, entre os quais, o mais utilizado em estudos posteriores foi o Drug Regimen Unassisted Grading Scale (DRUGS) e o mais atual, o Selfmedication Assessment Tool (SMAT). Enquanto o primeiro avalia a capacidade para gerir o regime de medicação real, o segundo avalia a capacidade para gerir, quer o real, quer um regime de medicação simulado (padrão).Fase 2 – Seleção, adaptação e validação dos instrumentos – Procedeu-se à seleção dos instrumentos de avaliação da capacidade dos idosos para gerir a medicação, de acordo com os resultados das revisões da literatura. Os instrumentos selecionados e para os quais se obteve autorização de trabalho, foram o DRUGS e o SMAT. Efetuou-se a sua adaptação linguística e cultural, seguida da validação dos instrumentos na população idosa portuguesa. A validação foi realizada em duas amostras independentes, cuja dimensão foi calculada a partir do número de itens de cada instrumento. A amostra foi selecionada por conveniência, entre os idosos residentes na região do Alentejo. Realizou-se uma análise teste-reteste para cada um dos instrumentos. No caso da validação do DRUGS-PT, foram entrevistados 50 idosos, em centros de dia/convívio; e no caso do SMAT-PT, a amostra foi de 150 idosos, entrevistados em farmácias comunitárias. Qualquer um dos instrumentos evidenciou propriedades psicométricas aceitáveis, as quais suportam a sua aplicabilidade em contexto clínico e de investigação. No final deste estudo obtiveram-se as versões Portuguesas finais de ambos os instrumentos, DRUGS-PT e SMAT-PT. Fase 3 – Avaliação da capacidade funcional dos idosos para gerir a sua medicação e estudo dos preditores – O último estudo, caracterizado pelo seu desenho transversal, foi efetuado numa amostra de 207 idosos, os quais foram avaliados com recurso aos instrumentos validados – DRUGS-PT (n=52) e SMAT-PT (n=155), respetivamente em centros de dia/convívio e farmácias comunitárias. Verificou-se que a capacidade funcional dos idosos para gerir a medicação se encontra associada à capacidade cognitiva. Tendo este facto sido confirmado, não só pelas análises individuais, mas também pela regressão logística efetuada para análise dos preditores, dos quais, o Mini-Mental State Examination e o Teste do Relógio constituíram parte relevante (área ROC ≈90%). Com a conclusão deste plano de estudos foi atingido o objetivo proposto inicialmente, gerando evidência científica e empírica que pode contribuir para o desenvolvimento de respostas integradas às dificuldades do idoso na gestão da sua medicação. 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