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Iberismo, hispanismo e os seus contrários : Portugal e Espanha (1908-1931)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O iberismo é um conceito que, tendo começado a ser discutido desde meados do século XIX, foi evoluindo e encontrando ramificações consoante as transformações político-económicas ocorridas em Portugal e Espanha. Se no início se recorria a iberismo para advogar a união ibérica, ou a integração das nações peninsulares num espaço territorial, político e económico mais vasto, a partir das últimas décadas do século XIX surgiram novas interpretações. Autores como Oliveira Martins, Miguel de Unamuno, António Sardinha, Fidelino de Figueiredo ou Fernando Pessoa socorreram-se de termos como hispanismo ou peninsularismo, defendendo iberismos culturais e espirituais que respeitavam as diferenças de cada país. As crises coloniais finisseculares (o Ultimatum, de 1890, e o Desastre, de 1898) contribuíram para dotar o iberismo de novos sentidos. Hispano-americanismo ou pan-hispanismo eram expressões que designavam projectos culturais e políticos envolvendo os países ibéricos e americanos numa comunidade transnacional baseada numa partilha civilizacional. Partindo da imprensa e de fontes como as existentes nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha, incluindo relatórios e correspondência de diplomatas, bem como textos de outras figuras políticas e intelectuais, tentar-se-á, para além de situar os múltiplos sentidos do iberismo nas histórias contemporâneas de Portugal e Espanha, identificar as respostas oferecidas pelos iberismos e hispanismos para as crises peninsulares e perceber por que motivos, para diversos nacionalistas portugueses, qualquer tentativa de aproximação ibérica era considerada um sinal de decadência e de degenerescência moral. Pretendendo avaliar a relevância dos nacionalistas que desprezavam o iberismo, aprofundar-se-á o estudo do anti-iberismo não apenas a partir de fontes como as indicadas, mas também de documentos como os do Arquivo da Sociedade Histórica da Independência. Para além de serem essenciais para o tratamento estatístico dos sócios, os livros e ficheiros existentes no arquivo desta Comissão e a imprensa foram indispensáveis para traçar o perfil sociopolítico dos seus membros e para acompanhar as polémicas anti-iberistas em que se envolveram.
Autores principais:Ferreira, Paulo Rodrigues, 1984-
Assunto:Iberismo Portugal - Relações - Espanha Espanha - Relações - Portugal Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O iberismo é um conceito que, tendo começado a ser discutido desde meados do século XIX, foi evoluindo e encontrando ramificações consoante as transformações político-económicas ocorridas em Portugal e Espanha. Se no início se recorria a iberismo para advogar a união ibérica, ou a integração das nações peninsulares num espaço territorial, político e económico mais vasto, a partir das últimas décadas do século XIX surgiram novas interpretações. Autores como Oliveira Martins, Miguel de Unamuno, António Sardinha, Fidelino de Figueiredo ou Fernando Pessoa socorreram-se de termos como hispanismo ou peninsularismo, defendendo iberismos culturais e espirituais que respeitavam as diferenças de cada país. As crises coloniais finisseculares (o Ultimatum, de 1890, e o Desastre, de 1898) contribuíram para dotar o iberismo de novos sentidos. Hispano-americanismo ou pan-hispanismo eram expressões que designavam projectos culturais e políticos envolvendo os países ibéricos e americanos numa comunidade transnacional baseada numa partilha civilizacional. Partindo da imprensa e de fontes como as existentes nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Espanha, incluindo relatórios e correspondência de diplomatas, bem como textos de outras figuras políticas e intelectuais, tentar-se-á, para além de situar os múltiplos sentidos do iberismo nas histórias contemporâneas de Portugal e Espanha, identificar as respostas oferecidas pelos iberismos e hispanismos para as crises peninsulares e perceber por que motivos, para diversos nacionalistas portugueses, qualquer tentativa de aproximação ibérica era considerada um sinal de decadência e de degenerescência moral. Pretendendo avaliar a relevância dos nacionalistas que desprezavam o iberismo, aprofundar-se-á o estudo do anti-iberismo não apenas a partir de fontes como as indicadas, mas também de documentos como os do Arquivo da Sociedade Histórica da Independência. Para além de serem essenciais para o tratamento estatístico dos sócios, os livros e ficheiros existentes no arquivo desta Comissão e a imprensa foram indispensáveis para traçar o perfil sociopolítico dos seus membros e para acompanhar as polémicas anti-iberistas em que se envolveram.