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O tempo na metafísica de Vladimir Jankélévitch

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos últimos meses da sua vida, Vladimir Jankélévitch (1903-1985) iniciou a redacção de um estudo sobre o tempo, cujo desenvolvimento foi abortado pelo acontecimento da sua morte. Esta anedota biográfica permite a construção da hipótese que tomaremos como mote da nossa investigação: a de que Jankélévitch teria detectado, in extremis, a presença de uma falha na sua obra, que, afirmando embora o tempo como o problema capital da filosofia, nunca chegou a fazer dele o centro de um estudo monográfico. Para reconstituirmos a imagem de uma filosofia do tempo que, fiel ao seu objecto, se disseminou ela mesma no tempo (e em escritos sobre temas tão diversos como a música ou o remorso), trataremos de auscultar o seu núcleo metafísico. Fá-lo-emos, não para retalhar o pensamento de Jankélévitch (onde as diferentes disciplinas se interpenetram), mas apenas para introduzir no seu labirinto um fio de Ariadne. Isto é: uma linha de orientação metodológica que, por um lado, impeça a investigação de se dispersar pela multiplicidade de problemas que o autor convoca, e que, por outro, a force a debruçar-se sobre as três grandes etapas da vida do tempo. Falamos aqui 1) do seu princípio a partir do nada; 2) do seu desenvolvimento histórico e; 3) da sua extinção no nada. Nesse processo, define-se uma metafísica que tem por horizonte a pergunta pelo sentido do tempo, pelo nexo de uma história que vai do nada ao nada passando pelo ser, sem, ao que parece, deixar atrás de si um vestígio subsistente da sua passagem. A resposta que Jankélévitch oferece a esta pergunta limitar-se-á a recuperar explicitamente no fim aquilo que já estava implicitamente no princípio da sua filosofia: a ideia paradoxal de uma eternidade intra-temporal.
Autores principais:Marques, Vasco Baptista
Assunto:Jankélévitch, Vladimir, 1903-1985 - Contribuição para o conceito de tempo Jankélévitch, Vladimir, 1903-1985 - Metafísica Tempo (Filosofia) Teses de doutoramento - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos meses da sua vida, Vladimir Jankélévitch (1903-1985) iniciou a redacção de um estudo sobre o tempo, cujo desenvolvimento foi abortado pelo acontecimento da sua morte. Esta anedota biográfica permite a construção da hipótese que tomaremos como mote da nossa investigação: a de que Jankélévitch teria detectado, in extremis, a presença de uma falha na sua obra, que, afirmando embora o tempo como o problema capital da filosofia, nunca chegou a fazer dele o centro de um estudo monográfico. Para reconstituirmos a imagem de uma filosofia do tempo que, fiel ao seu objecto, se disseminou ela mesma no tempo (e em escritos sobre temas tão diversos como a música ou o remorso), trataremos de auscultar o seu núcleo metafísico. Fá-lo-emos, não para retalhar o pensamento de Jankélévitch (onde as diferentes disciplinas se interpenetram), mas apenas para introduzir no seu labirinto um fio de Ariadne. Isto é: uma linha de orientação metodológica que, por um lado, impeça a investigação de se dispersar pela multiplicidade de problemas que o autor convoca, e que, por outro, a force a debruçar-se sobre as três grandes etapas da vida do tempo. Falamos aqui 1) do seu princípio a partir do nada; 2) do seu desenvolvimento histórico e; 3) da sua extinção no nada. Nesse processo, define-se uma metafísica que tem por horizonte a pergunta pelo sentido do tempo, pelo nexo de uma história que vai do nada ao nada passando pelo ser, sem, ao que parece, deixar atrás de si um vestígio subsistente da sua passagem. A resposta que Jankélévitch oferece a esta pergunta limitar-se-á a recuperar explicitamente no fim aquilo que já estava implicitamente no princípio da sua filosofia: a ideia paradoxal de uma eternidade intra-temporal.